domingo, 5 de junho de 2011

De Retalhos


 Tecido 1:
“Wilhelm, que seria do nosso coração em um mundo inteiro sem amor? O mesmo que uma lanterna mágica apagada! Assim que se põe lá uma lâmpada, imagens de todas as cores surgem na tela branca...E mesmo se fosse apenas isso – fantasmas –, ainda assim continuará fazendo a nossa felicidade, sempre que nos postarmos diante deles, como crianças extasiadas” (Goethe)

Tecido 2:
 "é barato viver como queremos e gostamos porque se paga com algo que não existe: a felicidade!" (nós que nos amávamos tanto)

Tecido 3:

  Agulha
"I'm very beautiful. But morally I stink." Eu e a Ava Gardner. Pelo menos estou em boa companhia.

Linha
Se eu estivesse sentada numa mesa de bar, hoje, com alguém a quem quero bem, eu diria: assiste “Nós que nos amávamos tanto”. E mais, acrescentaria: a seguir, vê lá “Estamos todos bem”. São dois filmes tão ternos, tão generosos com as limitações humanas. Eles parecem nos dizer: sim, ok, eu sei, acarinhando-nos não de forma condescendente, mas sentida. São filmes que sabem. Que nos sabem. Eu amava estes filmes antes de vê-los, pelos nomes que me comoviam e pelos diretores que eu admiro: Ettore Scola e Giuseppe Tornatore. São líricos, eis a palavra que me escapava.

Uma Colcha
“Estamos todos bem” é uma jornada. Um caminho de desencontros e surpresas. Filmado por um dos meus diretores preferidos (Cinema Paradiso é uma obra de arte), com interpretação sublime de Mastroianni, é daqueles filmes que nos faz querer abraçar os personagens. Mais: faz-nos querer sermos abraçados. Porque viver dói. Amar dói. Seguir dói. E, tantas vezes, é preciso dizer uma mentira que se faz verdade: sim, estamos todos. Sim, estamos bem.  É preciso em um arranque último poder dizer: estamos todos bem.

E “Nós que nos amávamos tanto”? Bom, tem uma Luciana. E ela mobiliza a trama. Mas não é isso que faz este filme ser tão querido (ou não é só isso). É que este filme é melancólico e engraçado, é um painel de uma época histórica e, ao mesmo tempo é universal e atemporal nos seus temas. O diretor brinca com o tempo: o tempo de aprender a viver. Há humor e há poesia, há aproximações e afastamentos, há paixões de todos os tipos. É um filme sobre sonhos não realizados que zomba dos absurdos da vida de um jeito nostálgico. Confesso que uma das coisas que me encanta são as citações cinematográficas, como a recriação da cena de Anita na Fontana di Trevi.

São dois filmes adultos. Para adultos. Filmes que não são “difíceis” mas que trazem questões próprias do amadurecimento e colocam em xeque as opções, os caminhos, as paixões. Trazem lindas metáforas. São elegante e inteligentemente dirigios. E, principalmente, tem roteiros invejáveis. Em Nós que nos amávamos tanto, uma daquelas frases que nem parecem que foram escritas, parece que sempre estiveram por aí para nós a sabermos: "é barato viver como queremos e gostamos porque se paga com algo que não existe: a felicidade!" -

Fazendo a barra...
 E no clima junino e sertanejo, vamos brincar de saber os dois (pelo menos) sentidos das palavras...você sabe esclarecer: peba, caco e cabaça?

7 comentários:

Glória Maria Vieira disse...

Nessas férias, procurarei assisti-los, Luh. Que lindo, né?! :~

/cabaça... AUHSAUHSUHASUHAHSAS Não, acho que não sei nenhum, meu amor. Eu poderia ir pesquisar no santo Google, mas não seria justo, né?!:p

Allan Robert P. J. disse...

Retalhos. A vida é feita de retalhos que vamos costurando. Às vezes um casaco, às vezes uma colcha, mas os nossos retalhos irão sempre nos agasalhar.

Peba: 1) algo ou alguém sem importância (tem outro significado?)

Caco: 1) fragmento; 2) tabaco moído e torrado em um pedaço de barro (tabaco-de-caco); 3) curta improvisação do ator

Cabaça: 1) fruto de algumas angiospermas (as lições de botânica eram interessantes e joguei capoeira); 2) sujeito pouco inteligente

Long Haired Lady disse...

pra quem é do nordeste:

peba - ruim, fraco, uma porcaria
caco- pequeno
cabaça - parece madeira, mas é vegetal…rs

Danielle Martins disse...

Eu juntando os cacos e você os retalhos... estamos bem!

Bárbara Lopes disse...

Seu Malaquias preparou cinco peba na pimenta...

Menina no Sotão disse...

Adoro quando falas de filmes, fico aqui lembrando minhas noites de coruja. Ando sem cabeça para filmes preto e branco, mas os adoro.
Ando sem cabeça para filmes a bem da verdade, mas os adoro assim mesmo.
Linha. A Casa do Lago. Adoro aquela ilusão de reencontro que o filme permite.
Agulha. Tarde demais para esquecer. Amo a sequencia do filme que os aproxima e os afasta até que tudo se explica. E a música...
Retalhos. Melhor é impossível com o Jack e seu personagem tão próximo a mim. Dá até calafrios, mas por sorte eu também encontrei alguém para me arrancar de mim...

Vou parar. Pronto. Parei.
Bacio

Atitude do pensar disse...

Partilho do que disse a Dani, estou mais para juntar os cacos, e espero que minha obra de arte fique tão linda quanto sua colcha.

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