sábado, 25 de junho de 2011

Das Cartas

Ele me lia,
mas eu era língua estrangeira...

Cabeçalho
Faço de conta. Não sei direito porque. Tão mais fácil dizer: sim. Sim, acredito. Sim, quero saber. Sim, é ele. Mas me defendo. Aprendi que sou mais feliz em minha torre e é difícil desaprender. Faço de conta que não, mesmo quando a escrita indica um tanto de sims. Sim, eu quero. Sim, ele quer. E eu finjo tão completamente que chego a fingir o que deveras sinto. Outro, eu indico: outro lugar, outro olhar, outras pessoas. Mas a carta insiste: ele, ele, ele. Mas tanto sim tem um porém: a varanda não é lugar de dançar, é lugar de uivar pra lua e, em certas noites, ser Ismália. As asas que deus me deu pedem pra romperem de par em par. Quem for louco ou for poeta pode ir buscar-me, corpo morto, afogada no reflexo da lua. Peço, claro, coragem.

Linhas
Eu achei que escrevia assim, como meu carvão: hoje. Risco a risco eu pensava encontro, consonantal talvez: um som complexo, mas inseparável, naquela forma temporária. Só depois descobri que, em sua língua, hoje era amanhãs com exigências e ontens com perguntas. Faço do meu carvão, fogueira e coloco a brasa em meu peito: um dia apaga mas, hoje, sinto em rubro.

 Despedida
Então, por hoje, vou fazer hiato. Quase um sim. Dai-me a coragem de não saber sobreviver. De não saber usar o ponto final. De, humilde, entender que vírgulas, reticências e dois pontos também se sabem sinais. De trânsito. Vou escolher o verde.

3 comentários:

Dona Lô disse...

Escolha o verde e avance, minha linda! Nem de coragem precisa. O acelerador é o da direita!
Beijos, beijos!

Menina no Sotão disse...

Deu vontade de sentar aqui, ouvir uma opera e escrever-te uma missiva. Mesmo com os olhos contando nuvens em meio a chuva que cai lá fora, silenciosa, sem trovões ou raios que espantem o som das águas a lamber o chão. Não há música que se ouça a essa hora, há apenas o som das águas a dizer lembranças, a inventar memórias.
Sim, mas a missiva em questão não narraria nada disso. Pronto, a chuva já está indo embora (novamente) ela tem durado pouco, as vezes menos de cinco, as vezes quase dez.
bacio e boa noite

S. disse...

phoda, né? te amo, viu?

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