segunda-feira, 27 de junho de 2011

Cecília


Não tenho muita certeza do que responderia pra Mafalda, na remota hipótese de virar um desenho e participar da tirinhas do Quino. Pra que é que a gente está no mundo? Eu não sei. Talvez, em um dia sem problemas, mau humor ou distrações de nenhum naipe, eu respondesse de uma forma parecida com a mãe da Mafalda. Talvez eu dissesse: pra ser feliz. É, eu também tenho senso de humor.

Estar é um verbo de ligação. Aqui, no caso, ligando díspares como eu e o mundo. Mas ligando, também – e que sorte a minha – meus dias com os dias de pessoas especiais. Pois bem, eu conheci a Cecília. Sabê-la é uma alegria e um aprendizado. A ela, logo se aprende a amar. Eu aprendi. E fiquei pensando em um presente. Um jeito de materializar todo calor e conforto que ela me põe no peito. Não consegui pensar em (mais) nada. E sem bem saber porque – talvez por ter passado em Canoa onde tanto dancei isso – pensei foi na música: “Vem, vou te contar meus segredos, você vai rir e chorar, vem, vou te mostrar o meu mundo, vou te tirar pra dançar...”. Como amar é uma partilha, é bem isso, hoje, meu mundo é seu Cecília. 

Sabe, neste mundo aqui do meu olho, há o mar, aquela imensidão azul onde se diluem tristezas, solidões e saudades. Há o vinho  que aquece corpo e sonhos e é tantas vezes rubro como a paixão. Há a cerveja que é amarga, gelada e faz mesas se tornarem abraços. Há os amigos que – com sua presença - nos fazem mais belos, espertos e gentis. Há o avião, baby, que invenção incrível que nos faz pesados e leves. Aliás, filosoficamente, quanto mais pesados os aviões mais alto sobem. Há mãos dadas, há sorvete na casquinha, há música, há cócegas na palma do pé, há letras inscritas em páginas e páginas de histórias que nos fazem viajar e lembrar de coisas que nem vivemos. Há o cinema, poxa, como eu gosto disso. Há o teatro, é mágico, pode esperar. Há a dança, pra ver mas, principalmente, pra deixar que a música seja senhora dos seus movimentos e não pensar em nada a não ser no prazer. Por falar em prazer, ah, neste mundo meu tem a comida. É bom, nesse assunto, a coragem: experimenta-se. A vida na ponta da língua. Bom, tem gente no mundo né. Gente que chateia, que choca, que maltrata. Gente é assim: cruel. Gente é assim: egoísta. Gente é assim: faz coisas más. E essa mesma gente faz leite condensado, dança quadrilha, faz o Louvre e tudo que tem lá dentro, faz cafuné, espia a lua e toca violão. Gente faz carinho, cria o celular e a internet, constrói casa, faz escultura, viaja pra ver a varanda da amiga, segura nossa mão quando morremos por dentro, segura a alça do caixão quando morremos por fora. Gente faz poesia. E faz tirinha, que nem a do Quino lá em cima. Ah, gente faz sertões e diz assim:

O correr da vida embrulha tudo.
A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa,
sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem.*


Esse é meu voto de aniversário: coragem, amiga, tenhamos coragem pra nos reinventar e saber ver o mundo com olhos generosos. 
Um beijo virtual que se deseja um abraço real já, já...


* Guimarães Rosa

5 comentários:

Cecilia disse...

Ô, Lu, não é justo vocês me fazerem chorar tanto!

Amiga queridíssima, o que que eu vou dizer? Eu devo ser boa, sim, porque com certeza conhecer você é um presente, uma recompensa, né? Uai, tanta coisa boa assim na vida de uma pessoa vem de graça? Que dizer de amigas com você?

Nem vou tentar, viu? Vou esperar mais uns dias pra te dar um abraço bem apertado e demorado.

Muito, muito obrigada pela sua presença na minha vida!

Lílian disse...

Que lindo, borboleta! Meigo, amoroso, inspirado. Eu gosto mesmo destes posts assim, meio meladinhos. Quem quiser que prefira outros tipos, mas eu senti direitinho o gosto de leite condensado e do girar de uma saia rodada enquanto a gente dança aquela animada quadrilha. E o gostinho de passear de avião. Ainda bem que tem gente que faz coisa assim, que chega junto, que conserva o bom humor.
Também quero.
BEIJO, VISSE?

Dona Lô disse...

Ai Lu, que coisa mais linda! Me derreti!

Mari Biddle disse...

Borbs, já disse o quanto amo a Mafaldinha hoje?

Beijos!

Clara disse...

LOL amei a resposta da Mafaldinha

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