segunda-feira, 16 de maio de 2011

A Menina Que Roubava Posts IV

Você conhece o Thiago Beleza? Já perdeu-se em suas letras, já se reconheceu Loco Por Ti America? Já se perguntou se Isso Aí é Literatura? Eu hoje percorri memórias e, delas, fiz as minhas. Ele escreveu um post, um belo post. Vai lá ler, vai. Eu fui e me deu coceirinha de dizer igualzinho só que tudo diferente. Ele não nomeou seu texto, talvez porque não há nome para a interrogação que somos. O meu, chamarei A Banda. Porque, tal qual a moça feia, eu me debruço na janela. E, porque, em madrugadas, eu sei mais a psicanálise que diz que o superficial é o que mais fundo sangra.
A Banda
Coração vagabundo. Ou algo que o valha. Coração apenas, ou nem isso, porque não é no entra e sai de rubros que eu sinto. Mas me perco. De novo: meu coração vagabundo quer guardar o mundo em mim. E mais nada, de tanto guardar o mundo não cabe mais ninguém por muito tempo. Divago. Coração, é assim: seu ritmo monótono de quereres, decepções, sofrimentos, gozos, angústia. Dizem que bate assim: tum-tum. O meu bate assim: sim-sim. Conheço alguém e a paixão é o inferno e sou capaz de ir à loucura pra ficar com ela. A quem engano? Já sou a loucura e o inferno é a cavidade onde alojo meu coração. E quem conhece alguém de verdade? Reconstruo...encontro alguém e desejo com loucura trazê-la ao meu inferno e, num rasgo de gentileza, visitar seu inferno. Ou seu íntimo. O que der. 

É euforia isso que sinto ao penetrar-lhe carne, sono e sonhos? Parece que sim. Eu rio. Mas é preciso respirar e me perco. Tudo acaba, eu sei, eu sinto, eu quero que acabe porque o coração em sims não sossega. Recomeça a pedir batida além, outro inferno a vasculhar. Chafurdo em olhos que são espelhos e me confirmam a loucura. Que é estar vivo senão ver-se no desejo alheio? Confirme, meu querer grita de encontro a uma nova boca, novas pernas enroscadas nas minhas, animal de quatro patas eu sempre me soube, sentimental é apenas a canção, eu sou corpo que lateja. Nas extremidades os dedos curtos já não abraçam o mundo, mas insistem em fazer-lhe cócegas.
Aprendi um nome para não gritar o meu: tsunami. Acho bonito dizer: devastado. É meu coração, impróprio para futuros mas de uma beleza de morte. Sinto-me viva ao caminhar no cemitério dos anseios alheios. Venta, você sente? Embaraça cabelos, olhos, mãos. Venta e chove, sangra, talvez, mas isso são poesias pra dizer um só sim: sozinha. E começa tudo de novo. E nunca é igual mas é sempre o mesmo.
E meu coração que bate em sim-sim recorda que soa como não e não. Fidelidade? Não. Lealdade? Não. Vergonha? Não. Verdade? Não, nem mesmo nessas palavras que insisto em emendar uma na outra pra não saber. O quê? nada. É só. Sou só. Há quem chame egoísmo. Eu já naveguei em mim mesma pra saber que é só voracidade. E arde. Dói. Em mim. Sempre em mim até quando é em outro que sangra. Porque a lâmina que corta é meu anseio. Gosto de pensar que dói mais aí do que aqui, mas também isso faz parte da minha loucura que não é nunca perdoada porque metade de mim não é amor e a outra metade perdi deixando-a como miolos de pão na floresta pensando em reencontrar-me, talvez. Em inocente desinteresse, anuncio: relacionamentos começam onde terminam, em uma recusa de respirar. Amar tira o fôlego. Morrer também.
Eu já não faço planos, eles é que me fazem em juras de desenganos eternos enquanto duram. Eu gosto de mentir. De dizer: agora quando eu sei que é nunca. E dizer que é sempre quando sei que é agora. Eu escolho a desesperança tatuada de gozos. Tudo acaba, tudo acaba, tudo acaba, mas enquanto repito isso, isso não cessa. Mas eu respiro e é de novo o novo. As pessoas não mudam: elas são sempre incompletas. Eu não mudo: sou em falta e não cesso de querer o que não está. Mesmo com a corda no pescoço.

E é por isso que escolhi fios de seda e trago tesouras nos olhos. E nas mãos. Personagem de mim mesma, arrebento como ondas e moldo as rochas ao meu redor. Vou sempre embora, chego sempre. É o ritmo, lembra? Sim-sim querendo dizer agora, só agora. Deixo-me navegar. Afogar-se em mim queima a garganta, aperta o peito, faz arder.
Há quem pense. Não. Ninguém pensa quando aceita o inferno de dizer: amo-te. Procuram a vida e encontram o labirinto. Em cada parede arabescos de quem passou em confusão, volubilidade, raiva, incerteza, vulnerabilidade, frustração. Porque é disso que eu sou feita, paredes rabiscadas em direção a um oco.
Se todos os labirintos, digo, se todas as pessoas são iguais é porque se está olhando apenas o vértice do labirinto. Não tenho vergonha do meu percurso. Não tenho orgulho. Não tenho nada senão passos que me levam a caminhar o teu vazio. Em grandes erros, sigo, causando estragos e transtornos, rabiscando paredes alheias, procurando passagem e, na falta dela, arrombando paredes e deixando portas atrás de mim.
Não sei o que há no fim do percurso, no meio do labirinto, na margem da estrada, nem mesmo sei onde piso, mas desconfio que isso tudo me leva tão longe quanto se possa estar de alguém, ou seja, bem dentro e bem fundo.

13 comentários:

Atitude do pensar disse...

Nesse inverno que por vezes a vida se torna,nada melhor do que o calor do inferno para nos aquecer.
Aqui sempre cabe, e de tanto caber, sinto-me quase sempre cheia. Encontrar-me num percurso, pra quê? Eu quero mais é me perder entre amores, quereres e sentires.
Posso ser ímpar, mas enquanto 2+2=5, serei ímpar eternamente, mesmo tendo o meu par.
Bju
P.S. Quero muito ir para o Rio. Tinha programado ir em outubro, mas vou tentar adiantar.

Rafa disse...

Lindo, mas mortal, não é mesmo? Sabe o que eu quero de verdade? A loucura toda nas palavras, mas que estas sejam um superlativo, o exagero do beijo, do outro, que é fogo bom a aquecer, que arde, mas não consome. Chega de holocaustos, mesmos os do amor.

Bj

Menina no Sotão disse...

Por que as vezes eu não sei o que dizer? Sério, minha cabeça repentinamente povoou-se de coisas mil. Tantas coisas desorientadas em mim nesse momento.
Mas nunca coisa concordamos. As pessoas não mudam. Não mesmo. São sempre o que são e quando dizem "eu mudei" me dá uma vontade tão grande de gargalhar e esfregar aquela risada gostosa como se fosse torta naquela cara tola e insensata.
Sei lá, eu tenho muitos labirintos e apenas uma pessoa e um cão encontraram meus caminhos. Mas acho que deixei iscas para eles. Confesso, tá? rs


bacio

S. disse...

ca-ra-leo. e tenho dito.

Thiago Beleza disse...

O que dizer? Perfeito...

Glória Maria Vieira disse...

Como sempre, profunda, intensa, verdadeira... Plena de amor!

Dona Lô disse...

Meu coração bate assim: mais-mais.
Amei o post!

Long Haired Lady disse...

tenho pensado tanto nisso que tudo acaba. as vezes dá um medo, mas temos que ver isso como possibilidades...

Peterson Quadros disse...

O teu coração está em tudo. É o que dá ritmo a Banda da menina debruçada na janela. É claro que os dedos que fazem cócegas no mundo, também me fizeram rir. Pus-me a imaginá-los. Também vi uma boa quantidade de sangue, aquele que vem da dor, claro. Depois as coisas começaram a ficar um pouco mais ríspidas. Não sei exatamente onde, mas você também sabe ser áspera. Tudo isso e no fim, a incerteza. Ficou lindo, muito obrigado.

Danielle Martins disse...

Amiga! Onde você leu gravidez? kkkkkkkkkkkk
Bijinhos!

Renata de Oliveira disse...

Lu,
é difícil aceitar que a gente é assim.
As vezes, tudo que queremos é o comercial de margarina.
Mas como já disse, lá no post da madrugada, o filme de Almodovar, com as imperfeições e a bizarrice, traduz mais da nossa essência.
Coração vagabundo, vadio, vagante.
Coração de férias, andarilho, andante.
Tô piegas e escrevendo rimas quebradas... melhor deixar prá lá.

Anônimo disse...

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10201559932617574&set=a.1074608862856.2014869.1155230716&type=1

Luciana Nepomuceno disse...

Pois é, anônimo, mais um post plagiado pela Senhora Sílvia.

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