terça-feira, 10 de maio de 2011

Doces Bárbaros #4: A mão que toca o violão


Nos anos 1980, um laço invisível unia Brasil e El Salvador. Um se redemocratizava, outro passava por uma guerra civil, mas o sentimento de fraternidade estava presente, através das campanhas de solidariedade. A amizade se tornou fato em 1985, com música, por supuesto, quando o grupo Cutumay Camones passou pelo Rio de Janeiro e por São Paulo em turnê.

O Cutumay Camones se formou no começo dos anos 1980, durante a guerra civil salvadorenha. Tomaram seu nome do local onde o exército massacrou combatentes da oposição. Cantavam os que tombaram em batalhas e a pátria que um dia seria livre.

Em São Paulo, jovens educadores populares ligados à teologia da libertação abordaram os músicos. Queriam ajudar o processo revolucionário em El Salvador. Os Camones, em sua passagem pelo Peru, passaram o recado adiante para Ernesto Zelayandia, que veio então ao Brasil.


Lembro que cheguei sonolento (o vôo era cedo) e preocupado porque só via japoneses recebendo os passageiros. Até pensei que havia chegado ao Japão! Hahaha! Quando vi uma moça com a camiseta de dom Romero, com um cartaz que dizia ‘buscamos a Ernesto’. Me deu uma grande alegria.

Ernesto passou a representar a Frente Farabundo Martí de Liberación Nacional no Brasil. E durante sua estadia, casou-se com uma militante brasileira. Em 1992, a Frente assinou um acordo de paz com o governo salvadorenho e se transformou em partido político. Ernesto voltou para El Salvador, com Vanda a seu lado.

Algum tempo depois, eles se divorciaram e, em 2006, a brasileira se casou novamente com o jornalista Mauricio Funes. A história de ambos ganhou jornais e revistas em 2009, quando Funes se elegeu presidente de El Salvador pela FMLN.


Hoje há uma grande relação entre nossos povos e governos. Yo afirmo que nuestra victoria politica electoral tiene un sabor a fejoada brasileira, festeja Ernesto.


Bárbara Lopes, é paulista, jornalista, toma chopp, ama gatos, e escreve no Blogueiras Feministas e no Feministas na Cozinha. A cada semana residente aqui, uma característica a mais na apresentação. Vamos brincar de prazer em conhecer

3 comentários:

Atitude do pensar disse...

Conheço a aproximidade entre o Brasil e outros países da América Latina no período de ditadura, principalmente devido a história do processo de reformulação do Serviço Social; o curso e a profissão em si é bem próximo no contexto latino, diferente dos EUA.
Mas sinceramente, não conhecia essa história, mesmo com a retomada do assunto em 2009.
A música deles me é desconhecida, mas fui lá ouvir e gostei muito de El Primero En Morir.
Tá aí, pouco sei sobre El Salvador. Suscitou minha curiosidade.
Hasta!

Peterson Quadros disse...

Legal conhecer histórias que o meu mundinho jamais ouviu. El Salvador e Brasil. Adorei a última frase. Um amante da Feijoada só pode ser nosso amigo. Dessa vez consegui assistir o vídeo... Obrigado

Caso me esqueçam disse...

vou mostrar esse post a camilo!

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