terça-feira, 26 de abril de 2011

Doces Bárbaros #3: A freira e o comunista

Ela nasceu em 1916. Ele nasceu em 1913.

Ela nasceu em Jaboticabal. Ele também.

Ela iniciou o curso de Filosofia, na Faculdade Sedes Sapientiae, em 1937. Ele iniciou o curso de Filosofia, na Universidade de São Paulo, em 1934.

Ela entrou para a vida religiosa. Ele entrou para o Partido Comunista Brasileiro.

Ela nasceu Célia, mas ficou conhecida como Madre Cristina. Ele nasceu Joaquim, mas ficou conhecido como Comandante Toledo.

Ela estudou na França e se tornou uma das pioneiras da Psicanálise. Ele enfrentou milícias integralistas e foi preso durante o Estado Novo.

Ela fundou o Instituto Sedes Sapientiae. Ele fundou a Ação Libertadora Nacional.

Ela protegeu perseguidos pela ditadura militar e foi uma das principais vozes pelos Direitos Humanos. Ele participou da oposição armada à ditadura.

Ela morreu em 1997, de morte natural. Ele morreu em 1970, sob tortura no sítio clandestino do delegado Sergio Fleury.

No ano passado, eu conheci as duas histórias. A história da Madre Cristina por conta do livro que estou escrevendo. A história de Joaquim Câmara Ferreira por conta da homenagem que ele recebeu da Câmara dos Vereadores de São Paulo, de cuja organização meu chefe participou. Eu conversei por telefone com a irmã de Joaquim Câmara Ferreira, que me contou que ele mencionou Madre Cristina em algum momento. Mais ela não soube dizer.

Gosto de pensar que eles flertaram em alguma festa durante a adolescência em Jaboticabal. Que mantiveram contato em São Paulo, que acompanharam a trajetória um do outro. Que quando ela, após a morte de Toledo, acolheu militantes da ALN foi também em lembrança dele. Que foram amigos.


Bárbara Lopes, é paulista,  jornalista, toma chopp, ama gatos, e escreve no Blogueiras Feministas. A cada semana residente aqui, uma característica a mais na apresentação. Vamos brincar de prazer em conhecer?

10 comentários:

Atitude do pensar disse...

Fiquei aqui entre ela-ele, imaginando o encontro que talvez nem tenha acontecido entre eles.
Mesma cidade, mesmo contexto histórico e político, ideologias próximas, mortes diferentes, mas ler sobre eles é como ver um nascendo no outro.

por Rapha C.M. disse...

Bom conhecer gente nova, que nos faz percorrer longos caminhos entre os anos e a imaginação...
Bjo!

Long Haired Lady disse...

quando comecei a ler, eu, uma romantica inveterada, ja estava ansiosa pelo momento em que eles iriam se encontrar!

Borboletas nos Olhos disse...

Bárbara, não há suficientes jeitos de agradecer na língua portuguesa pra eu te dizer o quanto estas terças feiras com você me deixam emocionada.

Palavras Vagabundas disse...

Bárbara e Lu,
tenho uma tia que foi aluna e amiga de Madre Cristina! Gostei do texto paralelo.
bjs
Jussara

Cáh disse...

me sinto conhecendo esta gente em poucas palavras... :)


Um beijo

Mari Biddle disse...

Mas que povo lindo que passa aqui pelo seu blog, né, Borbs!

Lindo texto.

Beijocas,

M.

Caso me esqueçam disse...

"livro que eu estou escrevendo"? O_o soh eu nao sabia disso? :O

Blogueiras disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Sardenta disse...

chorei.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...