terça-feira, 12 de abril de 2011

Azul

12 de abril de 1961, Gagarin tornou-se o primeiro homem a viajar pelo espaço. De lá, a bela exclamação: "a terra é azul e eu não vejo nenhum deus daqui de cima". Depois da estrada de tijolos amarelos e enquanto a Bárbara não chega, pareceu-me por bem lembrar que eu vivo mesmo no mundo da lua.



20 de julho de 1969. Chegada do homem na lua. Uns dizem que se resume a uma demonstração de poder na época da Guerra Fria. Alguns dizem que é uma grande fraude, que o homem nunca esteve na lua. Eu não sei se outros estiveram por lá. Mas eu digo logo, tal como o Guilherme Arantes, que eu vivo sempre no mundo da lua. Porque sou uma cientista, o meu papo é futurista, é lunático. É isso aí, muitas vezes me vejo meio perdida no dia a dia, sem tanto assunto como tinha antes pra conversar com as pessoas "normais", que não estão na neura da academia de doutorados, artigos, produzir textos e textos. Apesar de muitos acharem meio "moleza" minha rotina, faz tempo que não vejo tantos filmes, leio tantos livros ou frequento lugares legais como fazia antes...


Tenho alma de artista, sou um gênio sonhador e romântica. Se alma de artista corresponde a não ser muito prática, hehehe, tenho sim. Embora, quem me viu, quem me vê. Hoje faço contas e organizo meu orçamento. Mas ainda estou longe de ser uma pessoa organizada e pragmática. Sou sonhadora e romântica. Planejo momentos apaixonados e apaixonantes pra passar com meu amor (que nem sempre funcionam, claro, até porque atualmente o mais perto disso é uma louca ligação às 23hs). Sou romântica, gosto de ouvir Negue, Fracasso, Proposta, gosto de flores e de ganhar chocolates (até mais do que gosto de comê-los). 


Porque sou aventureira desde meu primeiro passo pro infinito, que deve ser a morte, né? Sou aventureira, quem abraça a vida sabe que amar, sonhar, trabalhar, sentir são aventuras mais exaustivas e recompensadoras que escalar o Everest. Não gosto de colocar meu corpicho em situações desconfortáveis ou perigosas, mas acredito que as aventuras do coração e do espírito são ainda mais perigosas. Pensando em lua, perigo, aventura, dor e sei lá mais o quê, só posso mesmo lembrar de Ismália:


Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar…
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.
No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar…
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar…
E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar…
Estava perto do céu,
Estava longe do mar…
E como um anjo pendeu
As asas para voar…
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar…
As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par…
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar…

9 comentários:

Long Haired Lady disse...

"a lua me encanta completamente", como boa canceriana que sou!

Menina no Sotão disse...

Eu nunca dei atenção a essa história de homem na lua, no espaço. Desde que dei por mim que vivo na lua e me orgulho disso. Também tem a questão de ser fascinada por esse satélite natural, então causa-me dor imaginar que alguém tenha a tocado de alguma forma que não com a imaginação. Lembrei-me de Jobim e sua canção "luíza". rs
bacio

Luana disse...

"eu vivo sempre no mundo da lua. Porque sou uma cientista, o meu papo é futurista, é lunático."

Acho que todo mundo que resolveu fazer fisica (eu!!) o fez por causa do espaco... por causa da lua e das estrelas... por olhar para o ceu e ver que tudo eh tao maior e maravilhoso... pela curiosidade...

E pelos filmes de ficcao cientifica no espaco tambem, logico....

lindo texto, como sempre... um beijo

Palavras Vagabundas disse...

Lu,
também vivo no mundo da lua porque sou igual ao Flicts.
bjs
Jussara

Luana disse...

Flicts!!! Um dos meus livros preferidos!!!

Hahahaha... que lindo!

Beijos

S. disse...

lunática! kkkkkkkkk
te love. beijinhos

Atitude do pensar disse...

Vivo no mundo da lua, mas somente em dois sentidos: O da imaginação e o de observação.
Na primeira situação, minha imaginação sempre esteve presente, como boa companheira, com ou sem amigos imaginários.
Na segunda, pela admiração e observação desse satélite que tanto me apraz.
No entanto, queria ser menos ligada, ser mais leve, aquele tipo que tropeça, que esquece, se perde. Talvez deva aprender com a lua.
Bjus, Lu.
K.

Júlio César Vanelis disse...

Olha madrinha, eu sou tão desligado que nem me liguei de que hoje é o aniversário da primeira ida do homem ao espaço... Tbm acho que as pessoas dão mais importancia para os americanos que para os russos (eu sou mais os russos, eu tenho até uma blusa do Lênin, rsrsrs)
Mas lunáticos, todos n[ós somos um pouco... Eu sou mais do que eu gostaria, confesso. Mas o importante é não tirar os pés do chão quando necessário (só quando temos uma folguinha, né... rsrsrs)

Um beijo procê, madrinha... até o próximo

Rafa disse...

Identificação mode on... a não ser por esta coisa de romantismo, acho que eu não sei mais isto. Sabe quando o saco furou no caminho e seu conteúdo foi se esvaindo, lentamente? Meu amor romântico é um saco vazio eu acho.

Bj

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