quinta-feira, 10 de março de 2011

Todo Dia...Tudo Sempre Igual! by Rafa

Aquilo que você faz uma vez, não é. Fica na memória, no terreno do improvável, no caixote do imprevisto, bom ou mal, não faz parte de ti. O ser é realizado pelo que se faz, hoje e amanhã e depois. De tal modo que, caso não se tome cuidado, desaparece toda a diferença entre o hoje e o depois, fica tudo sempre um “de novo”, e o “de novo” é uma expressão que se repete indefinidamente, mesmo que escrito uma única vez, porque o ecoar infinito é a própria essência da expressão.

Sem que nos demos conta, vamos tornando-nos assim, sob a força de repetições o que somos. Gostamos de negar isso, de pensar num hiato entre a pessoa e a função, o ser e o fazer onde tudo o que é autêntico e, por isso vivo, respira. Um vale entre o dia-a-dia-de-novo e nossos melhores anseios, onde fazemos uma experiência qualquer de verdade sobre nós: uma imagem mais bela e proporcional do que o “de novo” insiste em fazer de nós.

Existe esta brecha? Isto fluido e quente no qual se experimenta, sem obrigações nem títulos, a simples alegria de “ser”? Não sei. Porque, olhando de fora, especialmente, se for um dia nublado por volta das três da tarde, olhando assim, tudo o que vemos é a rotina, o fazer e fazer novamente se enrijecendo em nós, adensando-se sobre todos os sonhos etéreos como um exoesqueleto, uma camada rija que, seja de madrepérola ou vulgar cascalho, nos confere a forma definitiva de ser.

O eterno fazer-se do sempre igual só não nos desloca de reino, transformando-nos todos em blocos de pedra ambulantes: pensando, indo ao shopping, construindo aviões e desvendando logarítmicos, mas, no fundo, monolíticas rochas, por que somos capazes de rir.

O riso desestrutura a carapuça dos dias, abre vielas na pesada armadura do dever, desafia as sobrepostas camadas infinitas de papéis a cumprir e encontra uma saída. O riso é uma forma de salvação.

A gente não sabe, não desconfia, mas ele é, em sons inefáveis, um urro, uma reivindicação: Pare o mundo! Interrompam a louca engrenagem dos dias, há algo aqui que vale o universo inteiro, toda uma vida. O riso condensa num instante aquilo que usualmente se perde diluído no transcorrer insosso das horas, a desavergonhada alegria de se estar vivo.

       Ele é capaz de parar a marcha do “mesmo”, causar fissuras no cotidiano e concentrar nossa atenção, tão melancolicamente perdida num passado imutável ou num futuro inconcebível, no decisivo agora. Por isto, desconfie de quem é incapaz de rir, de gargalhar. É claro, não um riso de sarcasmo que é só uma espécie desesperada de anti-riso. Falo do riso veraz, cujo motivo pode ser bobo ou nenhum, só um pretexto para explodir essa alegria insana e divina do preciso momento que se vive.

       Eu acredito no riso como uma revolução e amo aqueles que riem solto. Por isto este é o post da Borboleta. Porque, uma única vez numa mesa de bar, foi suficiente para sabê-la preciosa. Borboleta ri: alto e despudoramente. E então, o mundo pára e agradece.


Este foi o presente do Rafa. 
Eu amo esse meu amigo, sabe. 
Às vezes, tão menino, olhos famintos de vida. 
Às vezes tão homem, rocha e porto pro meu barco, 
atraco e me espatifo. 
Meu amigo de pouco,  meu amigo de sempre. 
Escrevemos cartas, 
menos do que as que queríamos receber um do outro, 
mas escrevemos.
Ele tem Tanta Coisa pra dizer. 
Nem preciso falar o tanto que gosto de escutar.


É ele aí comigo. Mas isso é só uma foto. Só um momento. 
E ele? Ele está sempre.


Então, já vamos em 05 adoráveis mimos.
Este pensar a rotina com o Rafa.
O livre fazer rir da Luci, xará.
O Cotidiano da Teresa Font.
Eu contei 05? São 06.
Porque a fofa da Glorinha fez-me surpresa em sua janela.
Tudo meu, tudo meu, mas deixo vocês lerem. 

5 comentários:

Long Haired Lady disse...

essa borboleta anda vaidosa! rs
beijos querida!

Caso me esqueçam disse...

xara, sonhei contigo hoje! infelizmente nao lembro muito do que se tratava, mas tu tava comigo o tempo todo. apesar disso, foi um sonho chato, eu nao conseguia passar no mestrado e começava a chorar. gah! hihihi

HG disse...

É muito bom gargalhar com a Borboleta... principalmente de besteira!!!!

Glória Maria Vieira disse...

Arcanjo Rafael? hihi Que profundo e lindo tudo o que ele disse... Que presentaço, ein Luh?!
Enqnt ao meu simbólico presente, amor, fiz com muito, muito carinho. Transbordando até!:~

Belos e Malvados disse...

"O riso é uma forma de salvação". Concordo( e não consigo pensar na Borboletas tímida).

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