quarta-feira, 30 de março de 2011

Resumindo

Um post pra me fazer recordar. De mim, especialmente. Juntando tudo, dá quase um big café. Depois, painel. Em cada título o link de onde originalmente escrevi. É que eu preciso me redizer.

E há dias em que há uma janela imaginária
E nela me debruço
esperando, esperando apenas.
Sou autora e personagem - e em nenhum lugar estou.
Nesses dias, reescrevo.
Porque só onde já fui é que não posso voltar.




Os Homens da Minha Vida

São muitos. Eu gosto de homens, embora reconheça que a fabricação é falha, a conservação é cara e o retorno é insuficiente. Mas gosto. Não garanto tratar nem dos mais ilustres, nem mesmo dos mais gostosos, inteligentes ou duradouros. Mas passearei apenas com os mais memoráveis. Afinal, se estão aqui é porque me lembrei deles. Sobre esse assunto, então, poder-se-ia dizer como em Casablanca: reúna os suspeitos de sempre.

Dolphine. Ele é o cara. Tempestuoso e fora de época. Homem de mãos grossas e rápidas, pontaria exemplar, heroísmo físico, ele sempre atira pela frente. Um valente e seu código de honra. É doloroso vê-lo esgueirar-se na sombra em nome de um Nome que precisa ser instituído. E, das sombras, ele deixa a mulher ir-se. Um homem de surpreendente e silencioso sacrifício. Homem da minha vida pela sua solidão que tem meu nome gravado e ele não soube dizer. Melancólico amor o que devoto ao que se exime de ser feliz. Dolphine é Wayne e todos os seus rudes quase-heróis de coração tão terno e irônica forma de lidar com a morte. Intransigente. Másculo. Confiável. Não muito sagaz para as coisas do coração. Mas bom, na sua medida de bondade. Ele é capaz de matar, mas é capaz, também, de morrer. E o faz, vezes e vezes, pela coisa certa. Ele é o amor dos grandes embates, aquele que me carrega no colo, amor pra lembrar a vida toda, pra me gabar que teve um homão desses chorando e querendo.

Na leva dos homens que deixam a mulher ir-se, é claro que há o Rick. Sim, sempre teremos Paris, Casablanca e qualquer outro canto em que se possa beber um uísque e fumar. Mas, diferente de Dolphine/Wayne, ninguém, mas ninguém mesmo, vai pensar em um Rick/Bogart vivendo e morrendo sozinho depois que a loura parte com o Sr. Certo. Bogart, sozinho? Ora, não me faça rir. Deliciosamente cínico. Aliás, se não for incomodar ninguém, vou transcender de Rick para Bogart completo. Não por acaso ele era conhecido como o homem do século passado – gosto mesmo de coisas fora do tempo. Ele era um hedonista da mais fina lavra. Humor rápido e doloroso. Sim, eu poderia ser sua Baby, eu atenderia a todos os assovios. Porque é claro que ele sabe assoviar. Ele é o amor da sexta à noite, dos dias que se confundem com as noites e com os novos dias. Ele é o amor da palmada na bunda e do pega mais uma cerveja. Mas quando ele olha, ele realmente olha, e eu sei que sou especial e sexy e inteligente.

No quesito safadeza, oscilo entre Valmont e Tomas. Valmont sai na frente pelo charme de Malkovich e a parceria com a Marquesa. A beleza de se amar quem lhe constitui é que se pode enaltecer o que não se aceitaria. Mas, continuando. Recordo a primeira vez que o vi. Sua preparação para a beleza deixou minhas pernas meio bambas e a cabeça rodando. E quando ele andou e se recostou no sofá quase encostando a cabeça nos peitos da mulher, assim, como quem não quer nada, já querendo tudo, pronto, resolvido, eu dou, eu dou. Ele morre. Gosto de homens trágicos e ele só não fica perfeito porque, embora morra pela mulher certa, morre pensando que está morrendo pela outra. Os homens às vezes erram de lugar. Acontece. Valmont é o amor das noites insones, dos suspiros entrecortados, dos desejos de só dessa vez. Creio que no quesito só essa vez ele é insuperável. Aí tem Tomas que, de forma sabiamente dita pelo Kundera, ninguém sabe se é um romântico que age como devasso ou um devasso travestido de romântico. Interessa? O que interessa é que mesmo de longe, basta dizer: tire a roupa. E a gente tira. Tomas gosta de metáforas, ele sabe que é lá que o amor habita. E foge delas enquanto pode. Tomas conhece os desejos femininos, ele só desconhece o próprio desejo. Ou ainda, se desconhece no que deseja. Tomas é forte (e eu adoro homens fortes...), mas precisa tanto da mulher. Das mulheres. Isso me enternece. Tomas é o amante a ser redimido. Dói, demora, mas saber-se amada por ele é de uma tal alegria.

Aí tem os Corleones, claro. Amo vários. Posso? Como não amar a impetuosidade de Sonny (sem falar nos seus outros excessivos atributos tão afamados...)? Como não ansiar pela paciência, sagacidade e constância de Hagen (ele também um Corleone em tudo que interessa)? Como não desejar o desejo de Michael, sua inteligência, coragem e firmeza diante do que tem que ser? Mas o mais amado, o da vida toda, aquele por quem eu iria à missa todas as manhãs, é mesmo o Don. Alguém que consegue morrer dizendo “a vida é tão bonita” merece meu devotamento e admiração. Mas não é só isso. A aura de força, calor, entusiasmo. A certeza. A audácia. E a fala precisa. Homem não deve falar muito, mas quando fala tem que ser pra ser ouvido. Esse é uma amor sem poréns nem entretantos. Até porque o Don vem incorporado em Brando de quem eu já disse uma vez: Eu tinha boas intenções. Mas, convenhamos, é só olhar pra ele que as intenções boas se retiram apressadamente e ficam só as outras. Ele não é meu tipo. É o tipo de todas as mulheres.

Tipo meu, mesmo com a fama de mau hálito e tudo, é o Gable. Em tudo e por tudo eu arranjava jeito de ficar com ele. Aquele sorriso de canto de boca...ai, meus sais! A mais perfeita encarnação de semvergonhice com dedicação amorosa é Reth. Quem não gostaria de acordar de um pesadelo em Nova Orleans nos braços de Reth Butler? Eu quero, eu quero! E ser pedida em casamento no meio de um luto com a promessa de diversão (=sexo bom, muito bom)? Eu quero, eu quero! E feito objeto de luxo ser leiloada por ele apenas pelo prazer de chocar? De novo, de novo! Até a promessa de ter a cabeça espremida pra tirar o outro de dentro tem um desespero amoroso tocante. Gable é meu amor na noite escura, o amor que a gente só vê no quase depois e lamenta e chora.

Tem o Nino também. Não dá pra não aceitar, com ou sem casamento. O jeito que ele olha. Ai, pausa para suspiros. Um homem que sabe amar e sabe a quem amar. Uma raridade. Um homem que sabe que não há amor sem desejo e que sabe, também, o que há para além do desejo. Um homem que vê ontem, hoje e amanhã na mulher e ama tudo ao mesmo tempo agora. Um homem que ama a beleza, mas que vê beleza sempre na amada. Um homem que sabe elogiar. Eu amo esse homem simples, o homem do passa o sal, o homem de se andar de mãos dadas, de sair pra dançar, o homem do pijama de algodão, aquele que beija antes de escovar os dentes. O homem que escreve uma poesia pra mulher amada, mas no papel de embrulhar pregos. Nino é o amor das certezas, das noites bem dormidas, do almoço de domingo. E é, também, o amor da viagem inesquecível pelas ruas de qualquer lugar - mas de preferência que seja Roma...

Porque em Roma eu encontro e chamo Marcelo. E haja água espirrando! Tem também o Ross, quando eu quiser assentar a cabeça e formar família sem perder o senso de humor. E o Harry que sabe ser amigo, e qualquer Allen que é feio paca mas bem pode ser meu Sherazade, o Bond do Connery que faz a perna tremer com uma mera apresentação...Mas se for pra escolher só um, um mesmo (que dureza!), hoje fico com Mr. Darcy. Sem orgulho e sem preconceito.



O que eu gosto em um homem? Que ele seja inesquecível. Que tenha um estilo único. Que esteja sempre lá. Que antecipe meu passo, que me ponha tonta, que segure a minha mão. Um homem elegante, mas com um ar meio vagabundo. Que faça eu me sentir bonita como nunca e me revele uma alegre divorciada. Que sapateie na areia pra me fazer dormir*. Que me convide pra dançar um ritmo louco. Gosto de um homem que, estando ao meu lado, me faça sentir como uma Cinderela em Paris vivendo suas núpcias reaisGosto de um homem que me dê classe e que me faça graciosa.
Gosto de um homem que seja insubstituível. Outro amor, sim, mas nunca como ele. O que eu mais gosto em um homem é que ele me faça falta. E que eu nos imagine em um rodopiante abraço, leve, terno, sensual.




Eu gosto de um homem que tenha um corpo e que saiba que eu tenho o meu. Explico:

O meu. Gosto de um homem que me segure pela nuca, que me mordisque o pescoço, que me beije até que me falte chão e ar, que me faça massagens nos pés, que lembre-se e goste de me alimentar, que dê cafuné ou simplesmente deixe suas mãos se perderem no meu cabelo, que encoste a perna na minha perna quando estivermos sentados lado a lado, que roce o nariz em mim, que me segure a mão quando atravessamos a rua, que tenha curiosidade sobre o sabor da minha pele.

O deleGosto de um homem com um olhar antigo, um sorriso meio de lado, que saiba usar as mãos, que se sinta confortável em comer, andar, dançar, dormir. Gosto de um homem que franza a testa quando preocupado e que tenha ruguinhas ao redor dos olhos e riscos ao redor da boca porque sim, ele sabe sorrir e o faz com frequencia. Gosto de um homem que tenha abraço estreito, que minha cabeça encaixe justinho no seu peito e que tenha um coração que se acelera porque eu me encosto nele.

8 comentários:

Drixz disse...

Adorei. Mas pra mim faltou um - Lestat, da Anne Rice. Aquele dos comentários desconcertantes que parece inatingível, mas que ama no singular. hehehe Adoro esse personagem, mas minha imaginação flui melhor na leitura.

Menina no Sotão disse...

Viajei aqui por diversos filmes que eu vi, lembrei-me de Gene Kelly e seus movimentos deliciosos com aquele olhar amendoado, tão gostoso. E claro, Jack Nicholson em diversos filmes, mas sem dúvida alguma o melhor de todos onde ele se supera "melhor é impossível". A fila é enorme e eu também fico com o Mr. Darcy na versão minisérie. rs
E o Conery é aquela perfeição deliciosa. Adoro vê-lo naquele filme em que ele é um delicioso ladrão ao lado de Catherina Zeta Jhones. rs
bacio carissima

Long Haired Lady disse...

sem duvida um belo post em homenagem as mulheres!!!

Lílian disse...

Inspiradíssima, BRAVO!

Tive que ler rápido, já estou saindo a comer - rápido - e sempre me agradam os raciocínios rápidos (mesmo que às vezes tornem-se rápidos demais para mim, em meus dias de lentidão).

Connery, sempre.

Bju.

Atitude do pensar disse...

Entre uis e ais aqui estou...difícil escolher, fico com todos e levo para casa - sem devolução.
Mas quando parei nos Corleones senti um aperto. O calor transformou-se em friozinho na barriga. E lágrimas queriam sair. Porque são raros os homens iguais ao Don.
Mesmo apaixonada por Tomas. Allen. E claro, Connery, ainda assim, escolheria a morte ao lado de Don.
Beijocas,
K.

Danielle Martins disse...

Bom demais lhe reler...
Bjs!

Riff disse...

De tudo que escreveu numa riqueza absurda de detalhes, de conhecimento e profunda sensibilidade, posso dizer-te que toda mulher gosta de HOMENS...Mais aqueles HOMENS que tem a ALMA feminina...É isto....

A figura máscula, que nos protege, que nos fazem sentir prazer naquele corpo cheio de musculos, barba áspera, cheiro forte....porém, com um hiper, mega, big coração generoso, bondoso e amigo....

Tipo bom pai, bom filho, bom amigo, excelente amante que vive para nos agradar e manter sua familia junta e unida....

Oba... quem encontrar tudo isto numa pessoa, bate pic um dois treis e segura peão.....kkkk

Olha amei estar aqui, não me lembro de ter passado por aqui antes..so sei q. vou ficar...

Parabéns...maravilhosooooo...tive uma aula e tanta....

Bjitos mil

Joana Faria disse...

Ah, os homens...

Mais que o Don, eu escolheria o Coronel Frank Slade.

E mais que todos eu amaria o "inesquecível, rodopiante" Fred. Promessa absoluta de felicidade. Amo.

Borboleta, que saudade de vir aqui e ler os seus textos! :) beijinhos de Lisboa.

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