quarta-feira, 2 de março de 2011

Março das Mulheres: Manchetes e Mãos

Bom, foi dada a partida ao Março das Mulheres. Dia a dia teremos, nos posts do Eu Sou a Graúna, Mulheres Admiráveis. Mulheres ditas e (d)escritas por convidados especiais, queridos, interessantes. Como a Dai Dantas. Hoje, dia 02/03, a Daiany nos trouxe cinema. O texto chama-se Mulheres, película, amor e lágrima. Ontem, abrindo os trabalhos, foi a vez da admirável Amélia. E foi Amélia que fez surgir o comentário - também ele admirável - da Lilian.

Eu não conheço a Lilian, assim, pessoalmente, de risadas unidas nem de cafés tomados. Na verdade verdadeira, não a conheço nem de muitas palavras mutuamente admiradas, o que me acontece por aqui no virtual. Eu a sei só de pouquinho, devagarinho. Sei que é cunhada da Rita, aquela da bela Estrada e do Menina Pode Sim! que resultou na eleição da Dilma (exagero? será?). Sei que Lilian é autora de um livro de título encantador: Histórias de "Mulherzinhas". Sei que é gentil e inspirada. Foi assim que ela me chegou, em gentilezas. E inteligência. Elegante, seu comentário me fez pensar. E eu fiquei desejando partilhá-lo. A concordância veio, que bom. E ela disse assim:

M de Eu Mesma*, um comentário feito post, de Lilian Paschoalin


No Borboletas tem M de Março... 
E, claro, também de mulher, de mãe, de mãos.
Comecei assim porque hoje, ao abrir o endereço de seu blog, veio a reboque uma página dizendo que eu ganharia grátis a leitura de minha mão. Ah, é grátis? 

Declinei. Porque eu não quero que leiam a minha mão. Não quero ninguém que as toque e as prenda, ainda que por um momento, falando com todas as certezas sobre um destino que estaria encravado ali, sem que eu tivesse a menor chance de modificá-lo. Porque minha mão “presa” diria que eu teria “x” filhos, me casaria “x” vezes (onde o valor de “x” poderia muito bem ser zero), e que sou muito mais assim ou muito menos daquele outro jeito. Não quero pagar por isso e tampouco desejo que o façam de “graça”, porque certamente me cobrariam um outro tipo de preço - como o ser humano costuma fazer.

Minhas mãos precisam ser livres para que eu possa escolher estendê-las quando achar que devo ou cerrá-las quando quiser dizer não. Para serem erguidas quando eu disser “pare” ou movidas em sinal de um convite do tipo “chegue mais perto”. Que afaguem com força alguém em quem esteja dando um abraço ou brinquem de fazer cafuné em uma cabecinha qualquer – de adulto, de alguma criança ou até de um bichinho que se permita o carinho. 

Não quero as algemas. Minhas mãos pertencem a mim. 

Mas estou feliz por ser março. Por ser mulher, por ser mãe, por querer ser um pouco mais. Por encontrar neste “M” as mudanças que não quero adiar, as motivações que precisam chegar e até mesmo a morte a ser encarada – morte do que é preciso deixar para trás a fim de seguir em frente, ao encontro daquele futuro que a mim me cabe, e que não creio ser lido por um perfeito desconhecido ou por uma virtualidade qualquer. 

Grátis? Faz um tempinho, estou aprendendo libras. Isso aí. Se minhas mãos tiverem que ser lidas, que o sejam por aqueles que não conseguem escutar o que digo. E aí sim, valerá a pena. Não precisarei pagar ou cobrar nada por isso, estarei falando ou cantando e serei ouvida por minhas mãos, através dos olhos de quem me vê. É livre. É lindo. E grátis, com “M” de “mesmo”!...

Há de combinar com ser mulher de verdade! Igualzinho essa Amélia "M". Maravilhosa.

* Eu que batizei o texto, caso não gostem, a culpa é minha.
PS. Apesar de ser uma leitora voraz, ainda me limito às palavras. A oferta da leitura de mãos me surpreendeu. Acontece com mais alguém aqui?


E eu só te queria mais. Mais perto, mais meu, mais dentro. E eu só te queria. Mais um tanto. Mais um dia. Mais um pouco. Eu, só. Eu queria. Quero. Muito. Tanto. Dentro. Mais. Já chegou?


11 comentários:

Long Haired Lady disse...

estou acompanhando tudo por aqui bem de pertinho!

tem horas que mesmo perto, mesmo dentro, mesmo apertado, ainda queremos mais...

My disse...

Amei seu espaço bem autoral do jeito que eu gosto...
Já estou a te seguir...
Ah adoraria te ver lá no meu cantinho
http://cronicasdeanjos.blogspot.com/
bjs amore*

Danielle Martins disse...

Só pra vocÊ ter cergteza que mesmo com correria eu passo por aqui.
Bjs!

Valentina, uma mulher que fala disse...

O MEU BLOG APOIA A SUA CAUSA.
PARABÉNS E CONTE COMIGO
VALENTINA
BLOG MULHERES FORTES LONGE DE CHUPINS VIOLENTOS
DIA NÃO À VIOLÊNCIA FÍSICA, MORAL E VERBAL CONTRA A MULHER
http://pravocemulheratual.blogspot.com

Valentina, uma mulher que fala disse...

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PARABÉNS E CONTE COMIGO
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DIA NÃO À VIOLÊNCIA FÍSICA, MORAL E VERBAL CONTRA A MULHER
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Atitude do pensar disse...

Encantador. Forte. Explicativo.
Estou cá pensando: Tenho lido um pouco mais mulheres e sobre mulheres. Aprendo a gostar mais. Me gostar.
Concluo: O que falta - a nós mulheres -, é esse encontro, esse reconhecimento. O se conhecer.
Tô aqui e lá "Eu sou a Graúna". Na correria, mas tentando acompanhar tudo.
Aliás, fiquei com uma dúvida: Pra quando é Virginia, mesmo?
Bju,
K.

Rafa disse...

E não é que a mulherada cheia de inspiração e vigor está se unindo? Quem poderá com elas? Ninguém, ninguém... ainda bem.

Bj

Lílian disse...

Oi, borboleta!

Tentei deixar comentário de manhã cedinho, nada feito – compromisso na escola do filho.

Tentei deixar na hora do almoço e à tarde – sem chance, a internet me ignorou.

Hoje à noite mil coisas a fazer: ah,não, então vai ter que ser agora!...

Você nem sabe como estou contente com o primeiro post de minha vida! Se para muitos isso poderia coisa assim, meio trivial, para mim não foi, de jeito nenhum, principalmente porque o conjunto de surpresas me chegou em meio a muita delicadeza – a sua, dando lugar de honra a minhas linhas, a da Rita, falando coisas tão bacanas prá mim – e, não fosse o bastante, tudo aquilo num dia só.

Agradeço por você ter dito tudo o que disse mas, se fui gentil, apenas retribuí à ternura que encontrei no gesto do envio daqueles livrinhos para crianças. Se fui elegante, apenas reconheci seu talento em contar uma história, em respeitar uma vida, em admirar uma trajetória de fé.

Agora, direto ao principal do dia: sobre minha “promoção” a borboleta honorária – hehehe, não resisti, tô sorrindo até agora –, só queria dizer que, ao começar a escrever aquelas linhas, nem tinha noção de como iriam terminar e, de fato, a lembrança de falar sobre as libras só apareceu ali mesmo, no parágrafo final. Mas vou te contar uma coisa, tem gente que quer porque quer que entreguemos nossos destinos! Se aconteceu com mais alguém, não sei. Só que agora mesmo, minimizando sua janela para vir escrever estas linhas, lá estava ele, o grande site centrado pela mão dourada. Como disse antes, declino: se for vírus, que pegue outro; se for um espertinho querendo se aproveitar de meu lado “mulherzinha”, perdeu a viagem – minhas mãos não estão a esta disposição.

Ainda mais agora que, quem sabe, podem até começar a se movimentar para escrever uns posts de vez em quando...

BJUX, mulher de tantas asas, muitíssimo obrigada pelo carinho!

Rita disse...

Ai, meninas, e a minha alegria em aproximar esse povo, onde fica??

Lilian, parabéns pelo primerio post de sua vida, pelos título de borboleta honorária e pela animação em escrever novos posts. Como você pode ver, não faltará espaço para que eles brilhem.

Borboleta, eu vou lá linkar tudo, tá?

E agora vou lá ler o Graúna.

Beijocas
Rita

Allan Robert P. J. disse...

Belo, forte, feminino.
:)

HG disse...

Adorei o texto, Lilian...

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