sábado, 5 de março de 2011

Dos Presentes



Eu já contei que sou uma menina feliz? Eu sou. Por muitos e nenhum motivo. Sem pensar e sem escolher, de repente, o riso. Deve ser, eu suspeito, porque a vida, as pessoas, têm sido generosas comigo. É bem bom ser amada, sabe. E eu não me lembro sempre, mas sempre que sim, eu digo obrigada. Porque, além de feliz, sou grata. 

Pra quem não sabe, dia 12/03 é meu aniversário. Eu gosto. Gosto de festejar os anos que passo por aqui, neste caso, já completando os 36. Gosto do que não lembro, mas está guardadinho nas fotos preto&branco e no relato saudoso de mãe e madrinha: uma menina sapeca, curiosa, inquieta. Sabem o que esta menina fazia? Sentava no seu triciclo, pedalava o mais rápido que podia num corredor que devia me parecer imenso, até o batente do final...lá, deixava o triciclo bater e virar. Vezes e vezes, daí devo ter gastado todo o gosto pelo risco físico nos primeiros e desbravadores anos. Gosto do que só vislumbro na memória: brincadeiras na rua, livros em enorme quantidade, fins de semana na casa de primos. Eu ia e vinha de uma ruidosa interação pra um silencioso mundo interior. Gosto da adolescente de óculos muito, muito feios, de cabelo esquisito, de corpo magro, que não sabia que não era linda e acabava sendo. Gosto das horas noturnas, sozinha, em filmes de uma Hollywood de mitos e gosto das conversas na calçada, do amigo ensinando a beijar, das roupas de cintura alta, do dançar como intimidade. Gosto da familiaimensa, enorme, de comer pão com nata na casa da avó materna, de rolar nas areias da duna com a avó paterna, dos cochichos cúmplices com as primas, do riso solto e admirado junto aos tios. Gosto do que já é registro, de fazer amigos nas aulas da faculdade, até quando eram aulas no pátio central, em vinhos e violão. Gosto dos arroubos de apaixonada e de todos os meus amores que eram pra sempre. E são, estão em mim ainda agora, o menino que embaçava meus óculos, o estrangeiro que me mandava Fito Paez e saudades, o homem mais velho que me fez panquecas. Gosto das memórias de grávida, barriga imensa, riso imenso, andando na chuva, plena. Gosto da maternidade primeira, do sem jeito em cuidar já cuidando, gosto do que o corpo lembra do amamentar, do cheirinho de felicidade no cangote do filho, do peso bom, do dormir aninhando no colo tanto futuro. Gosto dele crescendo em mim e na rua, hoje maior em altura e amor do que jamais eu soube. Gosto de minhas adultices, de me despedir do medo do ridículo, de não dormir preocupada com as contas, de ter um trabalho que me dá alegrias e preocupações, de escolher as horas, os afazeres, os temperos. 

Gosto desta vida toda que se vê no cantos dos meus olhos que se franzem quando eu rio. Gosto da pele já não tão viçosa, gosto dos quilos todos em braço, costas, barriga, bunda. Gosto do peso nos seios, dos tímidos cabelos brancos que ainda se escondem, das marcas todas de cada noite sem dormir, de cada gargalhada dada, de cada perda, de cada sonho, de cada intensidade sentida.

Gosto de saber os amigos. Gosto de me admirar que eles, tão bons, tão inteligentes, tão bonitos, tão divertidos, fazem parte desta vida minha que só pode ser boa. Gosto dos presentes todos que a vida me dá. E gosto dos que eu me adianto e peço. Pois é isso mesmo, lá vem meu aniversário e eu já cheinha de idéias de festas, quis um festejo em palavras. E pedi. Fiz cartinha virtual e disse: ei, vocês que são tão admiráveis e queridos, não querem me dar um post de presente de aniversário? E eles quiseram. Quiseram mesmo e me colocaram mais riso no rosto.

Então, a partir de amanhã, gente muito boa vem aqui se fazer presente. E trataremos de Nascer, Envelhecer, Cotidianos, Memória, Amizade, Vida e ainda tem um tema surpresa que a Xará (quem mais?) vai trazer. E eu já vou dizendo o meu sorridente obrigada a eles - que aceitaram meu convite em carinhos tantos - que nem sei se sabem - mas já tratem de saber - que me fazem tão menina e tão feliz com este mimo. 

É meu aniversário. Vou festejar aqui, em palavras amigas. Vou festejar na rua, em abraços amigos. E vou festejar cá dentro, em deslumbres do bom. Que a vida me tem sido generosa. Obrigada.


Março das Mulheres
E tratando de presentes e amizades, meu obrigada a Jussara que nos deixou uma encantadora missiva de Chiquinha Gonzaga ontem. Ainda dá tempo de ler, dá sim. E, hoje, o agradecimento chega até K., do Atitude do Pensar, que se fez sentir e apresentou a Virgínia de todas nós. 

5 comentários:

Menina no Sotão disse...

Estou aqui respirando fundo enquanto me lembro de seu desenho junto a mim na sala de casa, depois na cozinha. Suas palavras, seu sotaque, seu olhar de menina mulher. Nossos ensaios. Sei-te tão pouco e ainda assim é muito e sinto-me feliz pelo pouco que me chega em palavras que me permitem o desafio de um mistério que deve ser diferente para cada um de nós.
O silêncio se impos agora, vou-me porque a paisagem pede minha presença e eu preciso ir. bacio

Ps. Sem dúvida alguma este é um dos melhores posts seus que eu já li.

Long Haired Lady disse...

que lindo garota! é isso mesmo que voce passa para nós pobres mortais, uma alegria, um olhar sincero, um sorriso que deixa a gente bem, um aconchego que faz a gente gostar logo e ser amigo desde a infância.
foi pouco tempo mas quero repetir a dose!

Allan Robert P. J. disse...

Como sou péssimo em datas, deixo já o desejo que o dia 12 seja muito festivo, que festa é sinônimo de alegria.

:)

Júlio César Vanelis disse...

Ai madrinha... Me ensina a escrever assim?? VocÊ é linda, a cada post que leio seu seu eu tenho mais certeza disso... Aqui fica os meus parabéns antecipados, no dia eu dou parabens de novo, por que eu sou desses que vive dando parabéns repetido... XD

Um beijão, minha linda... até o próximo

Shuzy disse...

Eu vim aqui pra te dizer alguma coisa, mas, depois de ler você, já nem lembro mais...

Sorte a minha ter você por perto. Poder ler coisas tão bonitas.

Olha... Senti cheiro de infância por aqui. Eu também tinha um triciclo... Era de ferro, verde, com pneus de borracha, uma raridade... hehe

(*=

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