domingo, 13 de fevereiro de 2011

When a Woman Loves


Quando eu me apaixono é bem vulgar. Comum. Quando me apaixono o coração desanda a bater rápido e fora de ritmo e, por vezes, há a completa certeza que parou. Quando me apaixono as idéias se desordenam e as palavras se esquecem de fazer lógica. Quando me apaixono quedo a mirar o objeto amado de forma insistente e detalhada, como se fosse possível memorizar meneios e detalhes. E o corpo? Turvam-se olhos, arde pele, esquenta tudo, tudo amolece e se umidifica. Quando me apaixono é intenso e definitivo, os verbos se conjugam todos no imperativo e não há advérbios de intensidade suficientes pra completar as frases que se dispersam. Quando me apaixono nunca estou onde poderia ser querida e é na ausência de mim que sei tanto o que é desejado. Quando me apaixono fico sábia e desato a dizer: não há felicidade, não há felicidade, não há felicidade. Mas há vontades, eu sei. Quando eu me apaixono é da forma mais comum, de querer muito sem saber ao certo o quê. Quando eu me apaixono é quando sei: humanidade. Sou mais uma, quando me apaixono.


E a propósito de quê, tantos quandos na paixão? É que ontem me apaixonei. Duas vezes, pra ser mais exata. Logo cedo, foi o esloveno. Ele estava ali, quieto, há tempos por perto sem eu o saber. Ele é discreto. No primeiro momento sequer fiquei atraída, bem me avisaram que não se deve julgar pelas aparências. Permiti-me. Ele entrou bagunçando a casa, os costumes, os supostos de sempre. Tinha uma marreta na mão, por certo. Levou-me ao deserto do real e lá me deixou, suando sangue. Antes de partir, prometeu-me reinos e riquezas e fazer da pedra, pão. Mas prometia e zombava, o danado. Cheguei ao cheiro do amor, seu último dizer. Ainda não lhe entendi todas as palavras, mas já anseio por mais. Quem não leu Slavoj Zizek, penso eu, devia fazer isso e logo. Pra discordar, pra se incomodar, pra se inquietar, pra perguntar. Mas ler. Porque há horas que fazer perguntas é mais, muito mais apaixonante que encontrar as respostas.




Recordar é Viver? Porque eu já não vivo, mas quero...
Roubaste-me o fôlego. O chão. Tiraste-me todas as palavras. Tiraste-me todos os caminhos. É só por hoje, bem sei. Devagar, reúno letras como se fossem memórias e reinvento os dias. Perder-se em um corpo, eis o mapa do impossível. Mas, enquanto não sei dizer, desdigo, querendo o que já foi. De trás pra frente, pode ser? Apego-me às palavras alheias. Verdadeiras? Tão distantes de mim que é como se fossem minha pele. Dispo-me pra você. Outro dia. Uma vez. Outra vez, quem sabe. Posso dizer, como quem soletra o desconhecido: f-e-l-i-z. Ou podia ser só uma mulher feito pergunta.
Mas viver às vezes dói só de não ser morte. 


Atualizações
1. A casa continua em obras. Mas hoje bebi minha primeira cerveja aqui. Na varanda. vendo a lua. Ou onde ela deveria estar, mais precisamente, se estivesse mais cheia.

2. Eu não sou muito de encher a bola (mentira, mentira, mentira) mas o Manuel fez-se de não, esgueirou-se num quarto de hotel, escreveu um texto onde fez vida o que era morte. Daí a Eugènia replicou retirando véus e recolocando, um a um, os espinhos que são inúteis mas tão necessários à rosa. E quando nada mais poderia ser, o Zé recolocou tudo fora do lugar e fez oferta do avesso do avesso do avesso da beleza.

3. Bom, e as mulheres de março? Não tenho voluntários outros? Até agora arranquei a promessa de um post da Amanda e Fred Docinho de Caju ofereceu-nos um poema. Mais alguém? A Clara sugeriu Hilda e a Atitude do Pensar indicou Virgínia...quem sabe, Clara e AP, vocês mesmas não dizem num post porque pensaram nelas? 

16 comentários:

Juliana disse...

ó, que tal a jane austen? pode ser mulher de séculos passados? não sou fã nem nada, não sei nadica de nada sobre ela,mas sempre me encanto com o fato de que a danada seja best seller não sei quantos séculos depois de morrer.

S. disse...

posso falar das mulheres da minha casa? minha vó teve cinco filhas, amiga. CINCO!!! rsrsrsrsrs.

Sentindo e pensando disse...

Tô meio por fora, trata-se de blogagem coletiva?

Rita disse...

Luciana,

como faz pra gente sentar e conversar sobre essa paixão, aí, amiga? COMOFAZ?

Ainda sigo pensando na mulherada, mas sou tão clichê que não me aguento - e você merece mais, então sigo pensando.

E li seu e-mail e estou com você na ida, na estada e na volta. Receba meu abraço. Que sua família seja toda luz pra você agora, linda.

Beijo grande,
Rita

Gui disse...

Só penso em te mostrar vários bares no Rio quando você vier. Pra se apaixonar e desapaixonar todos os dias.

Mila Lopes disse...

Olá!

Lindo seu post, cada texto com uma sensibiladade maravilhosa...essa frase veio a calhar...

"Mas viver às vezes dói só de não ser morte"

Bjs linda!

Mila

Danielle Martins disse...

De tudo dito uma novidade... você, cerveja gelada e a lua na sua nova casa! oba!!! espera que chego já ai...

Danielle Martins disse...

Tem meme pra você no coração!

Allan Robert P. J. disse...

Alguém que goste de Mia Martini não pode ser tão vulgar assim. :)

Menina no Sotão disse...

Quando eu me apaixono, há tempos que é assim, eu vou a exaustão e pronto. Me viro pelo avesso e vou ao fundo. Até que não sobre nada e as palavras enfim se expressem tal e qual devem ser.

Bem, mudando de cenário, me aproximando da mesa. Levantando o dedo para chamar alguém e "posso falar de Emily Dickinson ou Jane Austen"? Você decide se posso e sobre quem. Adoro as duas. ai ai ai e será um prazer...
No aguardo pelo menu. rs
bacio e uma linda semana

Atitude do pensar disse...

Paixão sempre me lembra gripe; as sensações são tão similares...
No buteco me apaixonei pelo barbudo; sim, o conheci em meio a mesas, copos e ares (fica bem na pç 7, na rua mesmo, lugar que os ares se encontram e a ventania é constante).
Recordar pode ser viver, mas se não o é, o que fazer?
Aceito o convite. Como não poderia aceitá-lo!? Não me sinto digna, não sou literada e meus erros ortograficos são bizarros...ainda bem que o sentir é algo que trancende!
Vou sentindo e letrando, então quanto este puder ser chamado de "ser" te encaminho, ok?!
Muitos cheiros,
K.

Cáh disse...

e tão belo! Apaixonar-se é curto, mas é tão lindo!


Um Beijoo!!

O Divã Dellas disse...

Seus posts são umas delícias...
Adoro!
Ah! tenho um amigo que disse que quando era solteiro, chegou a se apaixonar até 11 vezes no mesmo dia (por mulheres diferentes).
Rsrsrs
Beijo,
Cinthya
http://odivaadellas.blogspot.com

HG disse...

A paixão "açambarca" tudo... Saudades.

Long Haired Lady disse...

quando eu me apaixono, transcendo...
é um delicia!

eu amo a hilda, voto nela!

beijos linda!

BsVoxx disse...

Borboleta,

Fantástico você se apaixonar no meio de uma obra, ainda que seja por um libro/escritor esloveno ... a obra aqui só me enlouquece ... e eu penso ... Sinto saudades do apertamento ...

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