sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Intervalos


Vejo em meus olhos antiguidades. Desenganos de outros que se confundem com meus vazios. Eu não cansei de tentar, porque eu nem comecei. Eu só segui. E segui só, se é permitido ser clichê para si mesma. Não tenho mais noites. O escuro me abandonou. As sombras me abandonaram. A solidão é clara e ofusca. Não abro as portas, não quero janelas. Mas há luz, tanta luz. E belezas, tantas. Por isso a escolha é sempre difícil, ninguém nos contou a verdade. Ou bem as dores de estar viva e sentindo. Ou bem as belezas de não sentir mais nada: morre-se. 
E isso, claro, porque seus olhos não esbarraram nos meus, suas palavras não perguntaram pelas minhas, seus anseios não queimaram no meu corpo. Enfado. Não é bonito, nem dá boas fotos. E o que devia ser dor é só um bocejo. E isso me assusta.


A Arte e a Vida

Ontem morreu Maria Schneider. Eu não sei o que ela fez da vida dela nem como se sentia, então - mesmo que tenha morrido abaixo da média de idade usual - não posso dizer se viveu muito ou pouco. Não sei o que ela fez da vida dela, eu disse, mas sei bem o que ela fez na minha vida. Ela e Brando. E, depois, ela e Jack Nicholson. Em Profissão: Repórter há a liberdade, a angústia de ser, a paixão. É um grande filme de Antonioni sobre as dúvidas que temos sobre nós mesmos e a forma naturalizada com que lidamos com o mundo. É um filme que me inquieta e sou grata a Schneider por participar disso. E O Último Tango...? Nem sei se consigo separar minha impressão pessoal sobre este filme do ícone que ele se tornou. Aliás, nem sei se quero ou preciso. Sabe, eu também fiquei impressionada com o lance da manteiga (e, puxa, não deixe de cortar as unhas da mão direita), mas o filme é mais, muito mais que isso e é por isso que ele (filme) e eles (Brando e Schneider) são inesquecíveis. É um filme sobre solidão. É uma pergunta se há algum sentido no viver. É lindo não saber de nada...é assim que começa. É terrível não saber-se, é assim que nunca termina. É um filme de grande texto, de impressionantes diálogos e com uma seqüência final que eu nunca, nunca consigo ver sem angústia e completa entrega. É isso que Schneider me deu: o contato com o desejo, morte, angústia...que, afinal, é o que há de mais humano.


A Vida e a Arte - mas sem tanto glamour

E eu já disse que eu sou eu por causa dos filmes que vi e dos livros que li? Já. Pois é. Sou mesmo. Os meus temas são os de sempre: amor, morte, solidão, liberdade. As minhas formas de viver são estilos: suspense (será, será, será que ele é ele? será que tudo vai dar certo? será que não fiz caca?), uma grande necessidade de dramas, um anseio por momentos épicos e, normalmente, um tombo enorme na comédia porque sou mesmo desastrada e exagerada. Essa é a verdade essencial sobre mim (trilha sonora de revelação, por favor): eu exagero. Então, embora admire a elegância de Bergman, minha alma barraqueira é uma cruza de Fellini com Almodóvar. Embora ache chic ser meio blasé como Bertolucci, no fundo eu me desmancho nos filme de Capra, embora reconheça a contribuição estética da sangria desatada de Peckinpah eu gosto mesmo é dos horizontes a desbravar de John Ford. E assim caminha a humanidade (um dos meus favoritos de sempre) ou, pelo menos, assim caminha a minha humanidade, talvez de trás pra frente.

Sugestões do Dia ou Eu Ainda Me Impressiono
E vocês já leram coisas geniais? (claro que já e todo mundo sacou que essa é uma pergunta retórica e introdutória pra meu usual deslumbre)...pois bem, tem este menino, ele tem 17 anos, eu disse 17 anos, e eu nunca tinha visto nada nem nada dele, mas daí hoje eu esbarrei num texto sobre O Último Tango em Paris que Uau! como assim 17 anos? E o blog todo é bem legal. Eu nem comentei nem nada, vou ficar na espreita só pensando: meudeus, que bom tanto talento assim por aí! Ah, o endereço, né? Cinema e Eu. E, claro, tem o Caracteres com Espaço que eu já devo ter falado aqui mas não custa repetir...eu gosto! Tanto. E daí que tem um post que é a maior perfeição. Fiquei verdinha de inveja de não ter escrito. Mas antes fiquei roxinha sufocada de tanto rir. Eu concordo em Pular a Introdução.

Jabá?
Mas se vocês são do tipo que lêem as entrelinhas e suspeitam que eu falando tanto assim de mim estou me desviando de mim mesma...bom, saibam que atualizei quase todos os meus blogs. Só falta o Estrangeiros na Terra, mas sai hoje a tarde. Divirtam-se:

Olhos da Borboleta - Coelhinha
Eu Sou a Graúna - Pimenta e Refresco
Outras Borboletas - Na Tela
Só Miolo de Pote - Ritmo

7 comentários:

Clara Gurgel disse...

Lú, adorei a dica. Já vou postar lá no face esse "PULAR A INTRODUÇÂO". Muito bom!!

Juliana disse...

lu, eu não li esse seu post ainda . vim aqui só pra dizer que vc tem comentar a experiência de assistir o Tio Boonmee. O relato dos meus amigos é de chorar de rir.
Agora quero saber o que uma apaixonada por cinema achou. Depois volto aqui e leio o post.
beijoooo

Long Haired Lady disse...

eu vou lá ver todos!

ps. tu "pode" e "deve" rir a vontade, rsrsrsrs

estou esperando os detalhes...viu!

Menina no Sotão disse...

Pronto. Estou em coma. Eu só conheço dois blogs e tem outros tantos. Não, preciso dar um choque nesse meu ser e invadir todos os demais.
Engraçado, sabe que durante anos eu vi e revi milhares de filmes e hoje pouco vejo? Acho que cansei das telas e voltei as páginas. Será que isso passa? Não sei...
bacio

Rita disse...

HAHAHA Fui lá e adorei o skip intro. Bj!

Rita

Turmalina disse...

Ando sumida por total falta de tempo ou talvez um cansaço infinito. Passo rapidinho no blogue, no FB e no cemitério. Amanhã voltarei aqui para me atualizar.Estou com saudades das suas palavras!
Obrigada pela força.
Bjosss

Atitude do pensar disse...

"eu sou eu por causa dos filmes que vi e dos livros que li?"
Não sabia e gostei de saber que és...
E eu, vou tentar assistir menos dramas!!!
Bjin (assim, bem miudinho, que é como estou me sentindo).

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