segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

É Tempo de Oscar...Ou Também Quero Falar de Cinema!

Está todo mundo falando de cinema e Oscar e Cisne Negro e sei lá mais quê. Também quero, ora. E eu amo filmes, todo mundo aqui já está vermelho de saber, então acho digno participar desta onda. Talvez, apenas, eu não seja muito atual. Eu tento não ser rabugenta e realmente vejo e gosto de filmes contemporâneos. Vi o tal Tio Bonmee (vou já tratar dele, Ju, prometo). E ontem mesmo revi Os Infiltrados e recordei o quanto respeito e gosto dos trabalhos de Scorsese. E, claro, Woody Allen é uma espécie de mago da linguagem cinematográfica, gênio que descobriu e me faz descobrir a beleza e a riqueza estética e cognitiva de uma inteligente repetição. Mas, no frigir dos ovos, se me pedem uma lista do que me inspira e arrebata, é sempre do bom e velho cinemão que chegam minhas referências. É aqui que um bocado de leitor deste blog abandona o post. Sorry, pessoal (especialmente Aline) mas o coração tem as tais razões que a razão blá, blá, blá e hoje eu acordei pensando no Hitchcock e nas incríveis primeiras cenas que ele costumava apresentar. 


Não que não existam outras aberturas especiais e inesquecíveis, como a abertura de Rastros de Ódio (eu até já fiz um filme da minha vida, lembram? começando com esta sequência), a ação inicial de Manhattan (WA do melhor!) e, claro, o começo de A Marca da Maldade, de O. Welles, que - puxa! - é uma aula de cinema. E, pra quem não viu, o início tanto de Era Uma Vez no Oeste como de O Bom, o Mau e o Feio são de forte impacto estético. Mas eu acordei pensando mesmo foi no Hitch. Porque é dele a abertura de Janela Indiscreta. Em poucos minutos já se sabe tudo do personagem sem o termos visto! E em Festim Diabólico não é só o começo, mas todo o filme é feito em planos de 8 minutos e com cortes quase imperceptíveis devido ao uso de recursos relacionados à luz.

E daí eu fiquei pensando na importância de um bom início. É claro que o que não começa tão bem assim ainda pode se arrumar e depois vira matéria de riso até. Mas começando bem é bem melhor, não é? E não só em filmes, penso agora e já me vem uma idéia (daquelas de sempre): uma lista! Uma lista dos começos...

Não que sejam os melhores princípios, nem mesmo garanto que são os que mais gosto. Mas são os que recordo, os que me tocam neste momento. Escolher é, pra mim, sempre assim, um recorte. Um momento. Estou mais ácida? Mais sozinha? Mais feliz? Mais cansada? E tudo isso se faz palavra aqui. Pois que venham os inícios, porque no princípio era o Verbo. Ou o artigo definido. Ou, até, imagino mais ousadamente, no princípio era a interjeição.



Enfim, a Lista...

05 começos de filme (só organizando): Janela Indiscreta, Rastros de Ódio, Manhattan, Crepúsculo dos Deuses e Una Giornata Particolare (que já tratei aqui). Um de cada diretor que admiro...Hitchcock, Ford, W. Allen, Billy Wilder e Scolla (ai, como gosto do cinema italiano!).

05 começos de canção: Há várias canções que começam lindamente. Há várias que me tocam, me prendem, me emocionam. Mas, hoje, estou pensando em negro. Então...

Hello darkness, my old friend, de Simon e Garfunkel, de 1960. Dói um pouco, não acham?

Às vezes eu quero chorar, mas o dia nasce e eu esqueço , eu sei, muito anos 80, não é? Mas daí, tem horas que só uma boa dose de Marina pra gente sangrar à vontade.


Aqui nessa casa ninguém quer a sua boa educação, nos dias que tem comida,comemos comida com a mão. Arnaldo Antunes, sutil como um rinoceronte chafurdando uma cristaleira. Bom, né?


Ensaiei meu samba, o ano inteiro, comprei surdo e tamborim, gastei tudo em fantasia...Ai, já dá pra saber que boa coisa não vem, né? É do Benito di Paula, mas gosto mesmo é nessa versão do Zeca Baleiro.


Aprendi lutar na ribeira, vender e trocar lá na feira, ser fiél e ser companheira, ser sambista por brincadeira, dançar e cantar, ser faceira.... Salve D. Ivone lara, grande desveladora da minh'alma.   


05 começos de livro
Clarice Lispector começa o livro Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres com uma vírgula. E isto me tirou o fôlego, o chão e as referências. Gosto sempre de reler...
“,estando tão ocupada, viera das compras de casa que a empregada fizera às pressas porque cada vez mais matava o serviço, embora só viesse para deixar almoço e jantar prontos(...)”

E tem Jane Austen, claro, que começa seu Orgulho e Preconceito com uma frase que sua personagem vai desconstruir letra a letra:
"É uma verdade universalmente reconhecida que um homem solteiro na posse de uma bela fortuna necessita de uma esposa”

Gosto do início de Verissimo no seu Jardim do Diabo, é irônica, divertida e supreendente (de quebra homenageio a grande frase inicial de Melvelle)...
"Me chame de Ismael e eu não atenderei. Meu nome é Estevão." 

Claro que a enigmática frase de Machado de Assis (ou de Brás Cubas, se preferirem) está entre os começos de sempre na minha leitura...
"Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte."

E, claro, Guimarães Rosa e seu: Nonada. Um começo preciso.

Uma reverência à maestria de Saramago ao bulir com minha imaginação ao escrever..."no dia seguinte ninguém morreu". (Intermitências da Morte)


05 versos iniciais:

 Manuel Bandeira: Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma

Adélia Prado: Há, dentro de mim, uma paisagem entre meio-dia e duas horas da tarde

 CDA: Chega um tempo em que não se diz mais: Meu Deus 



Paulo Leminski: Tudo que eu faço, alguém em mim que eu desprezo, acha o máximo

Mário Quintana: Minha vida não foi um romance... nunca tive até hoje, um segredo




Se você gosta de começos inesquecíveis, tem este link fantástico para a coluna de Sérgio Rodrigues. Vale a pena.





12 comentários:

Cáh disse...

Ah querida borboleta! Como gosto de vir aqui....e eu dou risada pq vc sempre fala que o post é grande, que alguem desiste, que bla bla bla e eu só faço isso: dou risada.

Aqui é cultura gentee!!! rs Metade destes filmes e livros e etc etc eu nem conhecia, que coisa feia!


Adoro tudo o que escreve, e ri ainda mais com isso tão simples:

"sutil como um rinoceronte chafurdando uma cristaleira"


vou dizer isso qualquer dia, prometo!


Um Beijo colorido pra vc!

Bruno Stern disse...

A brincadeira de listas sempre me remete ao Alta Fidelidade. O próprio começa com uma lista de pés na bunda do protagonista.

Rafa disse...

Ah! "Todas as familias felizes se parecem, as infelizes o são cada uma à sua maneira..." Mais ou menos assim no Ana Karenina...adoro!

Bj

Rosa Lopes disse...

Ah, eu tenho ido atrás dos seus links e tenho me dado tãooo bem.
Sobre cinema, sabe que tudo que menos me anima é oscar? Pra mim é um tédio, eu que fujo descaradamente de uma fila nessa época nem me abalo de casa.
Sei o quanto é importante pro ator, nessa parte eu apoio, mas por outro lado tenho consciência tranqüila em não ter colaborado para que tal filme seja show de bilheteria na 1o semana.
E vamos ao novo link, oba!!
Bj

Rita disse...

Ah, Luciana, adoro bons inícios de livros. Saramago em Cegueira, Allende em Paula e, muitíssimo bem lembrada, Clarice em Aprendizado. Delícia, impossível não comer os livros.

Bj!
Rita

Wonderwoman disse...

ADOREI seu post, quando li "Hello darkness, my old friend", seguido de Drummond e Clarice em o Livro dos Prazeres, quase chorei de tão perfeito!
beijos


Ah, claro, uma das minhas personagens preferidas... Lizzie
"É uma verdade universalmente reconhecida que um homem solteiro na posse de uma bela fortuna necessita de uma esposa”

Menina no Sotão disse...

Eu fiquei aqui um bom tempo viajando através de suas palavras e das minhas próprias. Lembrei dos livros que já li e dos trechos que gostei. Os inicios dificilmente me conquistas, mas enfim... rs
bacio

Atitude do pensar disse...

Nossa, Lu. Não sei se começo falando que nesse fim de semana revi "Janela indiscreta", que tive que ler e reler este post para saborear melhor e digerir tudo direitinho (ainda não digeri, viu).
Enfim, assim como a Lu do sotão; também fiz uma boa viagem.
Cheiros

Insana disse...

Nossa me perdir aqui em suas letras, lembrei de antigos momentos e imaginei novos momentos.

bjs
Insana

ALUISIO CAVALCANTE JR disse...

Querida amiga

São tantas as possibilidades
de começos,
cada uma com a sua
peculiar beleza,
que só nos
resta escolher
o caminho
e continuar a história.

Que sempre haja em tua vida,
sonhos por sonhar...

Nanica disse...

Hehehe tá perdoadíssima, ainda mais porque A-M-E-I os começos de livros e de versos! Ainda mais pq ando preguiçosa, vc selecionou o melhor! kkkk

S. disse...

adorei a do Leminsky
rsrsrrsr
beijinhos

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...