domingo, 9 de janeiro de 2011

Um Presente, Um Ausente e Miudezas Várias

O Presente 
Eu tinha uma história pra contar sobre atravessar a rua, parar pra alguém, gentilezas e o bem que isso (me) faz. Mas como não consegui narrar de forma lógica fica só a conclusão: meu anseio mais verdadeiro é por uma mundo de delicadezas. Que se puxem cadeiras, segurem portas abertas, dêem a mão pra saltar um buraco, sorria-se pra desconhecidos, pare-se pra pessoas atravessarem a rua, presenteie-se por carinho, elogie-se sem medo de ser mal interpretado, troque-se informações sem receio de ser superado, ah, tantas coisas miúdas. Mas não reclamo muito, meu 2010 trouxe pra minha vida pessoas gentis e generosas. Como ele que me deu a gravura ao lado. Ok, ok, ele ofereceu a todos os leitores...mas lógica não me falta: ele ofereceu aos leitores, eu sou leitora, logo, ele me ofereceu. Recebi com alegria e lá agradeci, mas não podia deixar de partilhar com vocês a beleza e o calorzinho de me sentir tocada. 

Ausente
Ontem foi aniversário (morto faz aniversário?) do Elvis. Estava pensando em como escrever sobre ele quando visitei o blog de minha querida Long Haired Lady e descobri uma linda homenagem que desobrigou-me da minha. Eu gosto de ver o Elvis. Gosto de ouvir. Gosto. E quando ele remexe, aimeusais. A voz do Elvis me toca em lugares a que poucos tem acesso. Lugares físicos, mesmo. Parece ressoar em meu peito de forma quente. Parece passear em braços e pernas deixando tudo molinho, relaxado, à vontade. A voz de Elvis me faz fechar os olhos e arregalar os demais sentidos.

Miudezas
Estou escrevendo um post sobre um livro que li, ou melhor, sobre um livro que me atropelou. Está a caminho. Chama-se A Menina Morta (o livro, não o post). Devíamos fazer uma campanha pra ele ser publicado novamente no Brasil, meu exemplar teve que atravessar o oceano pra chegar aos meus olhos. 

Eu adoro quarto de hotel. Curto mesmo: ar condicionado, AXN como canal principal, frigobar com cervejas geladinhas, serviço de quarto...dá uma moleza. Vontade de nada fazer, só sentir meu corpo pesado contra o colchão, sons da tv chegando indistintos, um leve cochilo...

Já fiz meu planejamento para 2011: vou aceitar o convite do Baleiro e vou pra Babylon. É que finalmente percebi que nunca serei a bailarina (eu sei, demorei), não tenho fígado para as opções intermediárias, resta-me chutar o balde, assumir o destino que me escolheu: vou botar minha alma à venda.

Eu já escrevi neste blog (mas estou com preguiça de procurar o link/ droga, neurótica é um saco, já fui buscar: Minha Música ou Trilha Sonora Para o Amor) que eu geralmente não tenho trilhas sonoras específicas pra cada relacionamento, mas músicas que funcionam em cada momento de - geralmente - todas as relações. Umas pra início, paixão avassaladora, ficar sem ar, etc.; outras para o momento cumplicidade, outras pra o desejo constante, e por aí vai, até aquelas de despedida. Mas hoje descobri
uma música do Oswaldo Montenegro que eu tinha obrigação de já ter no repertório desde que eu tinha bem menos anos. Trilha sonora específica, quase perfeita em seus versos que me vão desnudando.


Deixa o coração falar o que eu calei um dia
Deixa a casa sem barulho achando que ainda é cedo
Deixa o nosso amor morrer sem graça e sem poesia
Deixa tudo como está e se puder, sem medo
Deixa tudo que lembrar eu finjo que esqueço (...)

Deixa eu chorar como nunca fui capaz contigo
Deixa eu enfrentar a insônia como gente grande
Deixa ao menos uma vez eu fingir que consigo
Se o adeus demora a dor no coração se expande
Deixa o disco na vitrola pr'eu pensar que é festa (...)

Deixa de sofisma e vamos ao que interessa
Deixa a dor que eu lhe causei agora é toda minha
Deixa tudo que eu não disse mas você sabia
Deixa o que você calou e eu tanto precisava
Deixa o que era inexistente e eu pensei que havia
Deixa tudo o que eu pedia mas pensei que dava





9 comentários:

Júlio César Vanelis disse...

Eu já disse antes que você merece todos os selos do mundo... kkkk. Mais do que merecido!
É curioso, eu sempre gostei dos catores mais da antiga, mas eu não gosto muito do Elvis. Acho a voz dele meio... artificial, não sei. Mas eu acredito no principio de que o tempo e o espaço interferem no fato de gostarmos ou não de certa coisa.
Esperando o post sobre o livro, adoro as sugestões... xD

Um beijão minha madrinha, até o próximo

S. disse...

baby, babylon é nosso destino, creia-me. te espero. beijinhos

Long Haired Lady disse...

minha querida tão bom estar sintonizada com você! rs
mais uma coisa em comum, o elvis.
passei 3 dias em graceland em 2004.

com relação a trilhas sonoras nao sou como vc, tenho para cada um deles, rs.
mesmo pq algumas anitgas nem consigo ouvir mais, já foram tocadas muitas vezes...rs.

beijo!

ps. quero noticias suas.

Shuzy disse...

Dessa vez foi golpe baixo!
Essa do Montenegro combinada com a tua reedição me fez mergulhar em sentimentos tão adormecidos...! Sabe aqueles, que vc prefere deixar quietinhos? Aqueles... Bagunceiros...


Deixa ao menos uma vez eu fingir que consigo

Menina no Sotão disse...

Hoje estou me sentindo um urso, desses que hibernam e ficam lá em silêncio. Deve ser culpa daquele poeta que desapareceu. Enfim, estou mais em mim e quase não alcanço os horizontes. Tenho dias assim, minha segundas-feiras são cheias de ausências e meus olhos ficam lentos. Se demoram. Hoje precisei ler duas vezes os mesmos versos e eles pareciam dizer "deixa para amanhã". Mas eu sou teimosa que só.
E quando olho para as montanhas de fundo que tenho aqui, sei que estou lá e não cá.
Me empresta tuas asas???

Ps. boa pergunta quanto ao morto fazer aniversário. Os que ficam vivem comemorando o nascimento e a morte. kkkkkkkkkkkkkkkkk

baio

BsVoxx disse...

Borboleta,

Sonho com um mundo como o que você postou no primeiro trecho! Acho q muito dessas coisas se faz com educação. Aqui em Brasilia, paramos na faixa de pedestres, eu acho uma coisa tão legal ... Claro que a maioria para para no levar multa, mas eu paro com alegria ... Muitas pessoas sorriem e agradecem ou acenam é muito legal.

Outra coisa, vc tá no Twitter?
Queria te acompanar por lá.

bjs

HG disse...

Ai o Elvis...

Oswaldo... Se puder, sem medo! Ui!

Belos e Malvados disse...

Sempre digo que se não tivesse familia, cachorro, gato, papagaio, viveria num hotel. Tem gente que acha o estilo impessoal demais (e talvez até me cansasse logo), mas adoro.

Palavras Vagabundas disse...

Lu,
tantos assuntos... adoro Elvis, gosto mais ou menos do Oswaldo Montenegro... e como você moraria num hotel numa boa, se for 5 estrela melhor ainda. Já imaginou, quando enjoar de um passar para outro...rs
bjs
Jussara

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