quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Seguindo Ordens ou Apreciando O Retrato de Dorian Gray - Guest Post de Amanda Lourenço

Não sou uma pessoa inventiva. Não me considero criativa. Mas tenho um talento: aprimorar boas idéias. Alguém tem uma boa idéia e eu logo transformo numa ótima idéia (modéstia? não trabalhamos). Assim, a Juliana, do lindo e abandonado Fina Flor (uma semana sem post, ah, férias, que delícia) teve a sensacional idéia do sorteio de um livro entre os leitores do blog. O que eu fiz? Transformei a idéia em uma ainda melhor(pra mim e pra os leitores daqui, né), sorteei os livros (um deles já chegou, o outro está no sistema de entrega da Americanas e a Drixx nunca disse qual queria nem deu o endereço) e, brilhante!, sorteei também uma pessoa pra nos dar de presente um post. Fiz isto com alegria e certeza de um texto inteligente porque meus leitores/comentadores são delícia. E ganhamos um post da Amanda. Eu já disse em vários lugares o quanto a admiro (por exemplo, aqui, aqui e aqui). Amanda mantém um blog: Petit Journal de la Porte Dorée. Ela não tem todos os acentos no teclado, mas, lendo aquilo tudo, sinceramente, quem se importa? O Borboletas fica mais profundo, chic e com um ar afrancesado porque recebe esse guest post. O título e a ilustração é culpa minha...o mérito do belo texto é todo dela.

Seguindo Ordens ou Apreciando O Retrato de Dorian Gray - by Amanda Lourenço

Fui reclamar pra Borboleta que minha vida estava vazia de literatura, que fazia tempo que não lia um livro legal e tal e acabei pedindo encarecidamente que me sugerisse um bom livro pra eu retomar meu caminho das letras. Dai que ela, eficiente como so, fez um post inteirinho so com otimas recomendações. Fiquei na duvida sobre qual escolher, mas o ultimo paragrafo me deu a ordem, era alguma coisa assim: "Mas se você ainda não leu O Retrato de Dorian Gray, não tenho duvidas, é esse". 
Então aqui funciona assim, a Borboleta manda ler o Retrato de Dorian Gray, a gente lê. A Borboleta manda escrever um post pro blog dela, a gente escreve. Por que não juntar os dois?
Devo começar dizendo que adorei o livro! E se não fosse indicação dessa Borboleta, eu nunca teria lido. Isso porque eu gosto mais de livros contemporâneos, da nossa época, com uma linguagem mais fluida, informal e cumplice. So que mergulhar no fim do século 19 através da "pena" de Oscar Wilde foi uma grata surpresa! Sim, a linguagem é velha e as situações são surreais pra nossa época, mas a forma como a historia é contada faz toda a diferença. A gente entra no passado de tal forma que tudo aquilo parece fazer sentido: as cartas escritas à mão e entregues por mensageiros, os taxis levados por cavalos, o cha servido pontualmente às cinco, as conversas filosoficas durante os jantares. Mas confesso que demorei um pouquinho pra me enturmar. Por exemplo, não conseguia de jeito nenhum entender a importância do noivado de Dorian. Todos ficaram chocadissimos, procurando cadeiras para se sentar e eu fiquei me perguntando ué. Mas dai lembrei de uma coisinha à toa: ah sim, naquela época os casamentos eram pra sempre!
Parece, alias, que as palavras naquele tempo tinham mais peso do que elas têm hoje. Era isso, dizer que estava noivo queria dizer que a pessoa tinha um compromisso de honra em casar com o outro e ficar para sempre com ele. Não dava pra mudar de ideia assim de repente. Chamar alguém de amigo era fazer uma declaração de companheirismo tremenda, digna de lagrimas nos olhos e abraços emocionados. Dizer pra alguém "não quero te ver nunca mais" signicava o fim de verdade. Por isso tudo ficava muito dramatico, as reações eram muito exageradas. O pintor, por exemplo, era a DramaQueen em pessoa. Me diverti muito com esse drama todo.
As palavras tinham um significado claro, sem entrelinhas nem ironias. Li varias vezes um personagem tratando outro de "delicioso" ou "deus da beleza". Aham, aham, a gente da logo uma cutucadinha e pisca o olho. Passei boa parte do livro desconfiando da homosexualidade dos personagens, mas acho que não, eles não são gays. Se eles fossem gays, Wilde ia dizer: eles são gays.
Enfim, o livro é sobre a beleza e a arte. E a gente percebe como a beleza e a arte são conceitos que mudam bastante com o tempo. Poucos exemplares desses dois itens conseguem resistir ao tempo. Talvez a beleza de Dorian Gray não seria apreciada na nossa época, nem a pintura de Basil. Mas o livro de Wilde com certeza ainda é. Palavra de quem não é chegada em classicos antigos.



Outras Novidades
Estou em João Pessoa com minha querida amiga S. Pra quem não sabe, é por causa deste Borboletas que ela está na minha vida. Ontem, já caí e já fiquei pelada na praia. Bom pra um primeiro dia, né? Mais informações, aqui: Nuas. 


A minha própria versão está no Eu Sou a Graúna, Meu Dia de Eva: Nua e No Paraíso.

15 comentários:

Glória Maria Vieira disse...

Não sei quem é mais fofa! Se a Manda, ou você, Luh!
Já era pra eu ter lido esse livro, porque no colégio se trabalha muito e tal, mas nunca o li. MAS com esse incentivo a mais, quando der de conta de outros dois que estão na minha lista, começo a ler um dos muitos que você já indicou, Borboleta.

Dois beijos enormes pras duas! (LL)

S. disse...

eu adorei o diário de dorian gray. mas sempre desconfiei da gayzisse dos dois. enfim...
n mando beijos pq se quiser dou pessoalmente. rsrsrrs

Menina no Sotão disse...

Adorei o dialogo. Aliás, já estou indo até lá desbravar o blog da moça. Bacio

Menina no Sotão disse...

Nossa, só agora que eu notei que estou economica com as palavras. Mas é coisa de momento. kkkkkkkkkkkkkkk

Rita disse...

Duas coisas:

Amanda, faz tanto tempo que li Dorian que agora fiquei com vontade de ler de novo... mas ando numa overdose de século XIX, já notou? Flaubert, Stendhal, o livro da Allende também se passa entre os séculos XVIII e XIX, agora esse que estou lendo... menina, daqui a pouco vou começar a falar vossa mercê, repare não. Bj!

Dona Borboleta: como assim, em João Pessoa, que desencontro é esse? Então eu saio, você chega. Deixe estar... Bj...

Rita

Júlio César Vanelis disse...

Amanda, adorei o Guest Post... Nem pensave em ler o livro, apesar de gostar de clássicos. Mas o povo tem falado tão bem do Oscar Wild e depois desse seu post, me deu vontdade de experimentar, vamos ver se o ânimo se transforma em ação... xD

Madrinha: To aki morrendo de inveja (inveja boa). Queria eu ter essa coragem de cair no mar peladão... kkkkkk, deve ter sido ótimo pra você!!!

Um abraço, na Amanda e na Madrinha, Até o próximo!!!

Shuzy disse...

Queria eu ter essa coragem [2]
hsauhsuahsuhausha
Vou correndo ler a sua versão!
hehehe

Saudades de tu*

Palavras Vagabundas disse...

Luciana, ainda bem que foi a Amanda que falou de livro, rs
Gostei da leitura dela de Dorian Gray.
Adoro João Pessoa, já te contei que sou paraibana de Campina Grande?
bjs
Jussara

Juliana disse...

Adorei o guest post. Tb sou fã do blog da amanda.

ainda não li nada do Oscar wilde. Já houve um tempo em que eu amava textos do século XIX,mas ultimamente enjoeiL

Borboleta, vc melhorou mesmo a ideia e foi mais eficiente que eu. Consegui a proesa de mandar o livro que deveria ser presente pra minha casa em vez de enviar pra casa da leitora. E pior: receberam o livro aqui em casa e não me avisaram nada! Eu já tava começando a querer processar o submarino. kkkk

Olha, fico toda besta quando vc enche o fina Flor de elogios. Meu modesto bloguinho não merece tanto... =)

Beijos pra vc e pra amanda

Joana Faria disse...

Adoro Doryan Gray. Concordo que o livro é sobre a beleza e a arte, mas também acho que é sobretudo sobre a crueldade e como agiríamos nesse impulso se a verdade nunca viesse à tona. É fácil ser cruel quando se é eternamente jovem e de beleza angelical como Doryan.
Existe alguns filmes feitos a partir do livro. Eu vi um deles e apesar de ser bem produzido, não gostei muito. Ficou meio thriller demais.
Ótimo post! Beijos.

Long Haired Lady disse...

Voce esta em Joao Pessoa!?!?!?!
eu tambem...

tem selinhos pra vc no meu blog http://2edoissao5selos.blogspot.com/

beijo!

Long Haired Lady disse...

...se quiser me encontrar passa teu contato pro jotaa94@gmail.com, beijos!!!

Caso me esqueçam disse...

nossa, eu nao lembro de nada desse livro. mas lembro bem de sentir uma estranheza em relacao as relacoes sociais. se a gente nao releva certos aspectos da "evolucao" do comportamento humano, a gente corre o risco de parecer ignorante. amanda falando que achava que os personagens eram gays e eu lembrei de um seminario que apresentei na ufpb. era de hist medieval e falava dos cavaleiros. entre outras coisas, falei da fidelidade que eles mantinham entre si, quase dando a vida pelo amigo. aih um cara la da sala perguntou se eles nao eram gays. hehehe nao necessariamente, neh? mas bastou ver que dois homens eram amigos pra pensar que eles nao sao heteros.

bom, seja como for, realmente: otimo livro!

Contra a Maré disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Contra a Maré disse...

Bem... eu nunca desconfiei da sexualidade homoafetiva de Doriam, nem por um momento eu tive dúvida, ele é gay, 100% gay.

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