segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Na Terra da Garoa - Dia 1

Cheguei e a terra da garoa me recebeu com um sol de fazer inveja ao sertão nordestino. Temperatura senegalesa, diz-me meu amado L. Antes de sair do avião já recebia a atenção e o cuidado do Dr. Paulinho. São dois amigos que têm residência fixa no meu coração. Se houvesse alguma especulação imobiliária nesses assuntos, posso garantir que eles teriam localização privilegiada, com vista para a aorta.

Antes de continuar a narrativa apaulistada, um intervalo. É que eu adoro mitologia grega. E uma coisa que se repete nas narrativas é o alerta: não se gabe das venturas, um deus pode se enciumar. Eu sempre tive o cuidado, né. A história das bruxas que não existem, mas que las hay e tal. Melhor prevenir. Mas ultimamente, meio esquecida e totalmente entusiasmada, comecei a alardear o quanto eu amo viajar, o quanto sempre me sinto confortável e blá, blá, blá. Resultado: meu ouvido quase explode e as lágrimas me fizeram companhia nos dois pousos, Galeão e Congonhas. Juro que serei muito mais humilde, viu, sr. deus grego invejoso, pode deixar. 

Aí que a conversa com o amigo-amado L. não acaba nunca. Vamos passando dos assuntos do coração aos pontos turísticos da cidade, fofocas de antigamente, planos de futuro, teorias culturais e descrições comportamentais sem perder o fôlego. Ônibus na ida, metrô na volta e muito espaço percorrido a pé. Sabe o que é lindo? Ele sempre arruma um jeito de ficar do lado de fora da calçada, cuida nas esquinas, dá a mão nos degraus e desníveis...pode ser mais fofo? 

E o restaurante do almoço? Grego. Acrópoles (pode entrar aqui e curtir). Com mil estrelinhas nos guias, citações repetidas no Guia 4 Rodas e indicações sucessivas na Veja SP. Delícia. Moussaka (e o cheiro/sabor da canela é de tirar um santo das orações), polvo ao vinho (saborosíssimo), risoto (bom pra caramba) de frutos do mar e, o mais legal de tudo, uma lula recheada com camarões. Não vou dizer as alegorias e comparações cabíveis que esse é um blog no limite da indecorosidade...mas que é legal, é. Se você quiser fazer suas próprias comparações, taí a foto. Uma das particularidades do restaurante é que a gente vai até a cozinha escolher o que quer. Difícil, pois tudo parece ótimo (e tudo que comemos realmente estava). A cereja do bolo? O dono, com seu impronunciável nome -Thrassyvolos Georgios Petrakis - estava lá, atencioso e sorridente. Só é meio impossível saber a quantos anos ele está lá, claro. Uns cem, imagino.

E, claro, vem a noite e ma programação insólita. Oremos para ser a mais exótica e inimaginável, mas descritível. Vou lá, colocar minha roupitcha estilo Graúna. 


Segunda Parte - Sobre a Saudade

Para os corajosos que não se atemorizam diante de um post enorme, mas uma releitura:


A saudade. Escrevo e não sei continuar. Saudade e pronto. Ponto. Saudade é o que não dá pra dizer. É um furo sem borda, corte sem cicatriz nem sangue, morte sem esquecimento. É o soluço do pranto, o espanto, o hiato entre a dor e o grito. A saudade é não agüentar, cometer sandices, saber e de nada adiantar. A saudade é o que incrimina, o que insiste em maltratar, o que não termina. Saudade é a sombra do que não existe. A saudade é em mim e eu nada sou. Entregar-me assim é um risco. Um risco não calculado. Um risco que, em seu movimento, repete um grito. Um risco pode ser uma letra. Um risco pode ser uma palavra. Talvez, a palavra amor. Eis o risco que torno a assumir. Sim, eu advinho você. Você é o meu coração batendo rápido, a boca seca, o sal escorrendo dos olhos. Você é o latejar no ventre, o grito interrompido, o sorriso permanente. 
Ser feliz não é simples nem fácil. É preciso tomar decisões, fazer escolhas, abandonar coisas. Coisas preciosas. Permanecer no medo é mais seguro. Confortável. A gente já sabe que as coisas são feitas para findarem. É fácil confirmar isso. Mas eu não quero. Eu quero, como cantava Cazuza e Caetano, eu quero a sorte de um amor tranquilo. Quero fazer inveja aos deuses do Olimpo. Quero a dor e a delícia de ser o que é. Quero amar você de todas as maneiras que puder viver você. Ah, eu quero, quero tanto que você me aceite do jeito que eu sou...Por aí vai, num deslizar de sentidos, quereres e dizeres que dizem isso: fique em meus braços e nós seremos mais. Mais felizes, quem sabe.

10 comentários:

Júlio César Vanelis disse...

Ahh, eu sou doido para conhecer a terra da garoa, só me falta a oportunidade e o dinheiro... kkkkkk
Eu adoro essas coisas que você escreve no final... kkkk, perco maior tempão lendo, relendo... muito bonito!!!

Um beijão madrinha... até o próximo

Rita disse...

Quero saber quando vai ser em Floripa. Poça aqui não falta.

Bj
Rita

Menina no Sotão disse...

E a noite por aqui segue com sombras por dentro e por fora. A cidade silenciosa adormece e sei que muitos rezam seus próprios desatinos. O dia começa bem cedo amanhã pra mim. Agora, responda-me, a que hora canta o galo de quem acaba de chegar? rs bacio

Glória Maria Vieira disse...

E eu quero saber quando será AL, viu LUH?! U.U /rum

Palavras Vagabundas disse...

LU, vai passar no Rio?
Conheço e adoro o Acrópoles, que bom que você gostou.
bjs
Jussara

Atitude do pensar disse...

Ah, Lu, este desencontro me deixou um pouquinho menos feliz, pois nos impossibilitou de dançarmos na chuva juntas.
Teria sido muito bom encontrar-lhe pessoalmente.
Mas divirta-se, espero que tenhas tantas alegrias e boas surpresas quanto eu tive.
Flane por esta linda "babel" (no bom sentido, se for possível)!!!

HG disse...

Acho que vou sumir deste blog uns dias... Lembra disso????
Ai, que inveja!
Dê meus beijos e abraços no Dr e no L.
Amo todos vcs!

Amanda disse...

Gente, vista para a aorta foi a pérola das pérolas!

Danielle Martins disse...

Aproveite!!!

Rafa disse...

Quer dizer que vc tá borboletando por aí? Lindona fica com ciúme não, meu coração é vagabundo, capaz de amar plurais numa entrega e intensidade quase monogâmica.

Aproveita!

Bj

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