quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Todo Mundo Bole

As tempestades amainaram. 
Não houve quem ouvisse, por mais alto que fosse o gritar. 
Talvez  se ouça melhor o silêncio. 


Eu adoro cozinhar. Claro que ninguém é obrigado a comer, muito menos gostar. Também acho bom demais meu corpo, meu riso, meu jeito. Ninguém precisa concordar. Nessa lista particular de coisas minhas, que são do meu deleite e ninguém mete a mão, tem meu gosto pra leituras, filme, seriados tipo CSI e, claro, a dança. Eu adoro dançar. Dançar é Top 10. É prazer mesmo. Eu sei que já sou super desengonçada andando, gesticulando ou simplesmente sendo, mas, de verdade, não dou a mínima no que se refere à dança.  Não preciso sequer perguntar ao maestro qual é a música, lá estou eu saracoteando no meio do salão (exceção clara e expressa a qualquer canção que me trate como bicho ou me limite a uma parte da minha anatomia como já falei por aí). 


E o que é que tem, uma pessoa mais agoniada já pode se perguntar. Tem que dia 02 de dezembro foi o Dia Nacional do Samba e eu ainda não tinha comemorado por aqui. É claro que eu não sei sambar. E é mais evidente ainda que eu não perco uma única oportunidade de fazê-lo. Diz o Vinícius que pra fazer um samba com beleza é preciso um bocado de tristeza. Eu acredito. Um dos mais belos sambas que conheço, Espelho, deve ter sido escrito entre lágrimas e é quase assim que deve ser escutado. Mas, se pra fazer o samba é necessária a tristeza, pra dançá-lo, não. Ou, pelo menos, não é assim comigo. Sambar é arrebatamento. E é mais: é um estado de espírito. O samba tem uma cadência que deixa o corpo em outro registro. Sente o prazer? Eu sinto. 

Gosto de todos os tipos de samba: samba de breque, partido alto, samba-choro, samba enredo, samba de roda, samba canção...embora quase nunca saiba dizer qual é qual. Se a batida é o coração do samba, o cavaco é seu sistema circulatório. É no cavaquinho que a música se faz mágica e percorre um caminho único nos nossos quadris. O samba me remete à liberdade, noites na rua, vielas escuras e cheias de promessas, riso, muito riso. E há um cavaquinho como o de Nilze? Penso que sim, mas é o  dela que faz o corpo tremer em antecipação. E Nilze no Sururu na Roda (meudeusinho, como adoro esse nome!) é de me tirar o prumo. De samba em samba, eu vou me sabendo em alegrias, desejos, sentidos.

Pediram tanto pra não deixar o samba morrer e ele não morre. Não morre em vozes inusitadas como a de Cássia Eller, provando que roqueira, oh, yeah, mas maior que rótulos, incrível artista. Não morre em vozes jovens e cheias de intensidade: Roberta Sá, Mariana Aydar, minha paixão: Diogo Nogueira.

E ele não morre em memórias. Essa é a semana do centenário de Noel Rosa. Nascido a fórceps, de saúde frágil, marcado, morreu aos 26 anos. É dizem que os bons morrem jovens (né Júlio?). Noel viveu uma vida de boemia e fez sambas inesquecíveis. Tem a "discussão musical" com Wilson Batista de onde surgiram Rapaz Folgado e Feitiço da Vila. Mais de 200 canções, uma paixão intensa com Ceci, A Dama do Cabaré, poeta do cotidiano, brincando com o inusitado. Escreveu Último Desejo e ninguém precisaria dizer mais nada sobre o fim de um amor. 

È centenário de Noel Rosa e espero ver muitas homenagens a ele por aí. Porque ele merece. Porque a gente merece ler, saber, ouvir, conhecer. Minha alma, sôfrega de samba, tem um tantinho de Noel. Ah, a obra de Noel Rosa já é de domínio público desde janeiro de 2008. O que você está fazendo aqui que ainda não está lá, ouvindo tudo e se acabando na chinela?

Quem quer saber/ver/ouvir mais sobre Noel Rosa, este blog aqui é incrível: Noel Rosa - 100 canções para o centenário. É uma espaço de discussão dos significados da obra de Noel em relação com seu contexto. Bem bom.

E eu? Eu sambo mesmo. Porque não sou ruim da cabeça nem doente do pé. E aprendi em casa, que lá todo mundo é bamba

PS. Quando eu estava escrevendo o post chegou o comentário da HG falando de Noel. Sintonia fina é isso aí.

12 comentários:

LAR DOCE LAR disse...

Pode se dizer que é uma pessoa FELIZ, satisfeita com a vida e com tudo o que ela lhe dá, apesar dos percalços.
Um forte abraço

Menina no Sotão disse...

Nossa, eu agora fiquei com um dúvida imensa. Gosto de músicas antigas e nem sei são sambas. Mas sempre me lembro do Tom e seu samba de uma nota só. Mas vou indo mais para tras e lá está "esses moços, pobres moço, ai se soubessem o que eu sei, não amavam"... Acho que é samba.
Commo você também gosto do meu corpo, do meu jeito, da minha solidão, do meu canto, do meu sótão. Das minhas idéias e das minhas palavras (mesmo ficando ranzinza as vezes). rs
Bem, vou indo porque a lista é grande e eu não quero te cansar. Bacio carissima

Danielle Martins disse...

Eu não sei mas... Sambo!

Rafa disse...

Comentário mega-bairrista, ufanista apaixonado: Lendo seu maravilhsoso post só palpitava aqui dentro: "eu moro no Rio, eu moro no Rio". O samba nasceu lá na Bahia? Mas se criou aqui e em Sampa bateu as botas.. rsrs

Bj

HG disse...

Sintonia fina é escolher Último Desejo... Nós escolhemos!
Eu amo dançar... amo sambar!
Bó?!

Juliana disse...

Eu não sei sambar ,mas sambo MUITO! kkkkk

Menina, eu já desfilei na Mangueira Tem noção disso? Eu quase surtei com aquela bateria, com a Sapucaí. putz! Agora, quero desfilar no Salgueiro!

Eu gosto de samba de todo tipo, mas minha paixão é o sr. Paulinho da Viola.


E DIOGO NOGUEIRA, né? Q homem é aquele? kkkk Muito borogodó numa pessoa.

Menina, aqui no RJ, na central do Brasil, tem o Trem do Samba. No sábado, passei por lá e tava o maior batuquezão!

Glória Maria Vieira disse...

Borboleta, meu amor! Olha só... eu "acho" que sei sambar, mas se que dançar eu sei. kkkk =) Amo dançar! Como você, dançar é prazer. E vou procurar ouvir Noel Rosa, viu?! Confesso que nunca parei para escutar...

Palavras Vagabundas disse...

Lu, eu sou péssima de ritmo, quando todo mundo vai para a direita eu vou para a esquerda, nem assim eu deixo de dançar, ou com dizem minhas filhas, se balançar, porque dançar mesmo nada. Esse é um dos meus sonhos de consumo.
bjs
Jussara
Ps: Adoro Noel!

Palavras Vagabundas disse...

Luciana,
se puder me mande seu email, para o meu que está no blog, quero mandar um texto para você.
bjs
Jussara

Atitude do pensar disse...

Aqui em BH o samba vive no auge. As rodas de samba estão em todo lugar.
Apesar de eu não saber dançar, me arrisco no samba...
Noel tem lugar reservado lá em casa, gostamos muito!
Não conheço muito o som do Diogo Nogueira, somente sua estonteante beleza e a referência que seu pai é para a música.
Dos estilos, gosto de todos, até o samba-rock me conquistou, sendo muito bem representado pelo Clube do Balanço e iniciado por Gilberto Gil.
Bjus!!!

S. disse...

Por acaso já te contei que vai ter show de Diogo deliça aqui. Ah, já né? rsrsrssrr. MMMMOOORRRRRRAAAAAAAAA ou venhasimbora!!! Ah, Sore, tem Bethânia em Janeiro tb!!!!! I'm bad!

Turmalina disse...

Eu não sambo...mas gosto de alguns sambas!
E amo o som de um cavaquinho :o)

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