sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Que Nem Jiló

Pensando em você, menina-mulher, que esperou.

Há muitos tipos de saudade, já cantava o Luiz Gonzaga. Eu sinto todas. Sinto saudades de mim, tantas vezes. E sinto além, saudades de quem eu nem sou ainda ou de quem não virei a ser pelas escolhas que já fiz ou que fizeram por mim. 

Sinto saudade de ler Clarice, saudade dos livros que tive e que dei, saudades dos que só li em Bibliotecas e casas de amigos, saudades dos que estão ali na prateleira mas o tempo a correr e a urgência do novo não me deixam voltar. E tenho, mais intensamente hoje, saudade de todas as letras que ela não escreveu. Saudade do que não foi, do não-dito, do que poderia ter sido: mais um livro, mais um conto, mais uma frase, dessas que a gente queria ter escrito. Não, não, dessas que a gente tem certeza que escreveu de tão certa que ela é. 

Sinto saudade de ler Clarice com os olhos do desbravamento e não com os de reconhecimento, como me ocorre hoje. Ah, um inédito qualquer de Clarice. Um livrinho para crianças, não importa. Alguém argumentará que Clarice é sempre nova, sempre outra quando a lemos e, ainda, há os que me dirão que o mundo todo é outro quando o revemos porque nossos olhos já são outros. Eu jamais discordaria, estou sempre redescobrindo Clarice e me descobrindo nisso. Mas um gosto de fruta de vez, meio travento, o gosto do desconhecido, esse me escapa. 

Sinto saudade de ler Clarice como quando eu não a sabia e fui sabendo em deslumbramentos e hemorragias. Sinto saudade de rebatizar o que vivi com novos nomes que a escrita de Clarice oferece. Sinto saudades de ficar cada vez mais sôfrega, sinto saudade das horas nas livrarias em busca dela, de mim, em busca da própria busca, talvez.

Morreu Clarice, morremos todos qualquer dia. E, agora, eu sei a resposta, meus queridos Allan e So Sad, queria ser recebida pelas personagens de Clarice, pode ser?

E, para você, menina-mulher que esperou estas tortas letrinhas, fica a dica: aqui Clarice apareceu Pintando o Sete comigo e aqui ela me fez: A Menina Que Roubava Posts. Adoraria que você me lesse clariceando. 

10 comentários:

Rafa disse...

Borboleta: Apesar da minha falta de cartas, eu te amo, amo tua sensiblidade que é força, não se engane. Se além disto, tu exalasses um cheiro de macho e barba e hormônios de gênero masculino, ia me casar contigo, te buscar em qualquer canto (rs)

Bj

Rafa disse...

Amada Lú,

Caminhões de merda realmente acontecem. Você, me desculpe, não é esposa do Gui, a quem eu conheço, de carne e osso. Falta a ele,um tanto de tempo, que é osso, do mais duro, você sabe.

Mila Lopes disse...

Linda homenagem a Clarice!

Bjs

Mila

Dona Mila disse...

Posso ser errada e bem egoísta e me achar menina-mulher, e ficar toda-toda feliz porque, sim, eu (também) estava ansiosa esperando estas tortas letrinhas?

Ah, vai, diz que sim? (Não que faça muita diferença, ja roubei pra mim.)

:)

so sad disse...

menina o titulo do meu post hoje era clariceando, depois mudei..rs

quem me "apresentou" a clarice foi o meu amor e de certa forma eu só a entenderia mesmo, a sentiria, só depois de conhecer o amor e a vida que ele tambem me trouxe...

beijo!

ps. eu sou viciado no meu amor, e não em amar...rsrsrs

Amanda disse...

Arruinando toda a poesia do seu post, sera que posso dizer que me sinto assim em relação à Friends? Queria tanto, mas tanto, ver um episodio inédito!!

O mesmo acontece com os bons filmes e livros que acabo: me da uma tristezinha de ter acabado com o inedismo. Acho que é por isso que muita gente vive economizando livro bom.


Pelo menos Clarice ainda tenho muita coisa nova pra ler. :)

HG disse...

Linda...

Atitude do pensar disse...

Clarice é espelho.
É remédio.
É magia.
É um ser sem precisar ter.
É pra todas as horas.
E eu descobri que além de tudo é historiadora.
Em "Outros escritos" relata a prática caritativa de Darcy Vargas que me ajudou em um artigo.
Está vendo, ela é perfeita sem ser perfeita...rsrs
Contraditório, né!?
Assim como ela sempre foi!
Paradoxal...
bjins

Júlio César Vanelis disse...

É muito bonita a forma como você fala dela. Me faz lembrar de mim falando da Legião. Claro, não faço tão bem quanto você, mas eu to sempre tentando te copiar, sabia?? rsrsrs

Um beijão madrinha... Disculpe, acho que eu estive meio sumido, quem mandou me dar conselho para tomar vergonha na cara e estudar?? kkkkk


Até daqui a pouco, no próximo post...

Menina no Sotão disse...

Eu lembro que conheci seu blog justamente com o post "a menina que roubava post". E adorei seu jeito de escrever e engraçado que eu estava justamente finalizando um escrito meu em que a personagem da trama queria ser Clarice e terminava dizendo.

"eu não sei o seu nome
Eu nada sei sobre você
Mas sei que consomes Clarice
Quando tens fome"

E fechava a cena com ela largada numa velha cadeira pensando num espelho e com uma pedra em mãos.

Bacio carissima

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...