quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Quero Ser Navegada

Isto é uma obra de ficção.
Isso o quê? Minha vida.

E há dias em que há uma janela imaginária
E nela me debruço
esperando, esperando apenas.
Sou autora e personagem - e em nenhum lugar estou.
Nesses dias, reescrevo.
Porque só onde já fui é que não posso voltar.




As palavras que se seguem  são reflexos daqui*.
Lerá melhor - creio - quem, antes, isso escutar.


Eu quero. Quero a lua e suas fases em mim. Quero poder isso: ser várias.  Princesa do seu castelo de sons. Gari do lixo da memória. Cantar um ponto de interrogação feito passarinho. Trabalhar no riso e no encantamento. Criar uma realidade louca. Ser prisioneira em teus abraços imaginários. Quero não ter que explicar. Quero uma canção bonita falando da vida em ré maior. Mas quero também uma canção de morte, pois se todos os quereres precisam não ser mais algum dia. 

Quero que você volte, que o tempo volte. Quero suas letras reinventando a nossa história. Quero memórias alheias. Quero um círculo perfeito em torno de nós mesmos. Feito um abraço. Quero que tudo ande, passe, vire estória e foto na prateleira. Quero todas as suas palavras como se fossem literatura e os dias tivessem títulos. Quero teus capítulos. Quero relógios portando coelhos e correndo de costas pra desfazer os rumos. Quero que você diga, apenas. Quero que você diga: apenas.  

Quero saber-me mar. O mar tem tempestades. Eu também. O mar tem calmarias. Eu também. Ele se contém. Maré cheia ou vazante, o mar é em si mesmo: o mesmo. Mesma água, mesmo tempo, mesma espera. Eu permaneço.

Estou cansada do drama. Quero um amor feinho - como diria Adélia. Quero não contar histórias. Quero viver uma só, e que me faça muitas. Quero não ter o coração em alerta. Cansa, tanta ventania. Cansa, tantas tempestades. Quero ser navegada. Quero banhar. Quero chegar, mansa, em espuma branca e beijar suave a areia.

Quero já não sentir. Não querer. Quero já ser outra. Princesa na minha torre. Gari dos restos do desejo. Cantar o adeus do corpo. Trabalhar pra fazer do fim, poesia. Criar um bem querer feito amizade. Ser prisioneira da tua inventividade. Quero já não ter que explicar. Como vai ser, eu sei, depois do depois. Depois dos dias, do tempo, das palavras. Depois da lua.

* Canto Lunar (Denise Emmer)

10 comentários:

Sardenta disse...

Quero que dezembro passe e eu consiga ler a borboleta todo dia, de novo. Obrigada pelo texto, agora vou trabalhar bem mais animada.

:*

HG disse...

Hoje, não sou mais tempestade... sou calmaria.
Hoje, "minha lua navega serena..."
Adoro Denise. Adoro Canto Lunar. Adoro vc!
Beijo na alma.

Atitude do pensar disse...

Ai Lu, tanto querer...
Que eu só quero poder lembrar e não doer.
Para em seguida ser "a doninha de alguém".
Lágrimas rolando...
Um misto de tristeza, esperança e quereres.
Abraços bem apertados.
K.

Danielle Martins disse...

"Ai eu quero, quero tanto..."

Mari Biddle disse...

Quero ter tempo de ler coisas lindas, doces, tristes ...como esse post.

bjs

Shuzy disse...

É de querer em querer que se constrói a vida, linda, linda e linda!

Anônimo disse...

eu tenho medo do que eu quero.. de conseguir, de não conseguir.. :) lindo post!!!

Menina no Sotão disse...

E eu só quero essa sensação que tenho hoje em mim todos os dias. Amanhecer com chuva, entardecer com o vento e quando mudar a lua, errar o passo e cavalgar em meio ao orvalho. Sonhos liláses. Bacio

Júlio César Vanelis disse...

Que música linda... Adorei madinha!
Eu adoro vir aqui porque sempre tem uma coisa bonita para se ler...
Obrigado por isso, madrinha!!!
Um amigo meu visitou seu blog ontem por indicação minha, e ele também adorou seus textos!!!
rsrs

Um beijão... Até o próximo!!!

S. disse...

essa foto me fez ter idéias... rsrsrsrr

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