sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

É Preciso Dizer

Há muitos tipos de saudade, eu disse ontem. Há muitos tipos de tristeza, também. Algumas nossas, outras alheias. No livro do Kundera, ele fala das origens da palavra compaixão. E diz que, na origem latina, o termo compaixão é o mesmo que piedade, um sentimento quase de segunda linha. Mas, em sua origem germânica, compaixão assume o sentido de co-sentimento. Sentir com, sofrer junto, viver o mesmo sentimento. Poderia ser alegria, angústia, felicidade...hoje é perda. Sinto com você, minha querida, só lamento não poder fazer, das palavras, abraços. 

Hoje, estou outra vez, publicada no cemitério (e esperando vocês, lá, claro). Chama-se Sertão é Quando Menos Se Espera. Zanzando por entre as tumbas, recordei um dos posts que mais gostei de ler e do qual já falei aqui, na minha lista de 20 posts preferidos. Pensei que seria uma troca, senão justa, generosa. Trouxe-o para vocês tomarem gosto e o descobrirem:


Há momentos assim, em que precisamos de dizê-lo. Mesmo que não tenhamos a quem dizê-lo. Ou que não saibamos dizê-lo ou como dizê-lo. E mesmo que aquela ou aquele a quem queremos dizê-lo não mereça ouvi-lo. Como Lisa (Joan Fontaine) o disse ao ingrato Stefan (Louis Jourdan) na mais bela carta de amor que o cinema alguma vez escreveu, pela mão daquela “desconhecida” de Max Ophuls. E precisamos de dizê-lo ainda que tenham já tenham passado cinquenta e três anos, sete meses e onze dias desde o primeiro momento em que precisámos de dizê-lo sem o conseguir, como o fiel Florentino Ariza o disse à eterna Fermina Daza naquele amor em tempos de cólera que Garcia Marquez fez resistir a toda uma vida feita, também, de desamores, de muitos desamores. E ainda que não saibamos se é amor aquilo que queremos que o seja, aquilo de nos deixarmos enamorar, quando já ninguém usa a palavra enamorar, por uma simples imagem reflectida numa janela. ....continua aqui

Sim, precisamos dizer. É preciso dizer eu te amo, eu te amo, eu te amo, sem medo e sem pejo. É preciso dizer reconhecendo que a vida é finita em suas possibilidades. Reconhecendo que só pra isso fomos feitos. Precisamos dizer, muitas e tantas vezes. Aos filhos. Aos pais. Ao ele, que ainda vem. Aos amigos de perto e de longe e àqueles que só supomos em letras. À querida que não vai ler hoje e que tanto tem me ensinado sobre justamente essa simplicidade no querer bem. A quem está por aqui. A quem faz tempo que não falamos mas que habita peito e memória. A quem ainda nem temos certeza que sim, mas queremos que seja. Sim, precisamos dizer. 

Pois se é preciso dizê-lo, desnudo tudo e está dito: 
eu amo você. prontofalei#

8 comentários:

Mila Lopes disse...

Existem varias formas de amar, por isso posso dizer que amo sem medo de errar...

Philos
Eros
Ágape

Amores diferentes, mas com a mesma declaração ao expressa-lo...EU TE AMO!

Bjs linda

Mila

Glória Maria Vieira disse...

#SUSPIRO ... Ai, Luh, que lindo... que lindo! Se eu pudesse, diria sempre eu te amo "ao ele", mas não posso... não devo. :~

Belos e Malvados disse...

Milan Kudera também fala da compaixão como co-sentimento, na Insustentável leveza do ser, beleza de livro.

ALEX disse...

Como disse " a vida é finita" e perdi pessoas que nunca falei o quanto as amava..

Por isto sempre que posso digo o quanto as amo.

E a proposito

E tambem TE....

Gui disse...

Estou vivo novamente, querida. E MORRENDO de saudades :)

Acho demonstração pública de afeto fundamental.

TE ADOROOOOOOOOOOO

Beijos ;)

Turmalina disse...

Ah...minha querida...e é preciso também escutar EU TE AMO. Conheço gente que sente, que sofre, que ama e não diz.

Borboletas nos Olhos disse...

Turmalinda, dizer e ouvir, imprescindíveis.

Gui, também super curto manifestações públicas de afeto. Vou te abraçar por mil horas quando a gente se encontrar.

Alex, a vida corre depressa, é certo..

Bela, adoro o Kundera, mesmo.

Glória e Mila, é preciso amar, qualquer maneira de amor vale a pena, né?

Atitude do pensar disse...

Costumamos nos arrepender de tantas coisas: faladas, cantadas, escritas...coisas relacionadas as palavras que não deixam de ser atitudes. Palavras, segundo a ética é o agir. E agir é a ética.
Bem, prefiro me arrepender das que falo, do que das que surgem, mas não permito que tenham vida.
A insustentável Leveza do ser: Um dos meus livros de cabeçeira. Um dos meus filmes prediletos, mesmo que tenha deixado a desejar, pois a imagem alcançada pelo diretor ainda não foi suficiente, mas bem...assim como na maioria dos casos.
Bjin.

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