sábado, 20 de novembro de 2010

Dia da Consciência Negra

20 De Novembro.
Hoje é o Dia da Consciência Negra.




Meu Bisavô era Filho de Escravos.
Liberto pela Lei do Ventre Livre.
Meu Avô é Negro.
Meu Pai é Negro.
Eu sou Negra.

Mais? Aí tem o Alex Castro, brilhante: Liberal, Libertário, Libertino.

Sobre essa luta e seus motivos: Não é sobre você que devemos falar

E tem o texto da Iara, ótimo, e com um baita depoimento:

Eu leio um blog lindo, delicado, mimoso. Chama-se Fina Flor e é escrito pela Juliana que tem o bom gosto de comentar com uma imagem de Up, Altas Aventuras. Hoje ela foi mais aventureira e corajosa ainda e fez um post comovente e esclarecedor. Só pra dar o gostinho...

Quando eu estava na segunda série, aconteceu algo que nunca esqueci. Um dia, a diretora da escola entrou na minha sala e começou a falar sobre racismo com a turma. Havia entre meus colegas uma menina, Patrícia, que era cruelmente hostilizada e humilhada por alguns dos meninos. Eles a importunavam porque usava óculos, tinha  um penteado diferente  e era negra.  Não lembro exatamente que apelidos a menina recebia, mas tenho na memória a expressão que aparecia no rosto dela todas as vezes que a xingavam- não era um expressão feliz, claro. Todo mundo dava risadas ,menos ela.

Também não consigo me lembrar do que a professora fazia para encarar essa situação, mas  do dia em que a diretora entrou na sala e falou sobre racismo com crianças de 8 anos, eu jamais vou esquecer. Ela disse uma porção de coisas apropriadas, nos lembrou da importância de se respeitar os outros, essas coisas. E terminou assim: “ Xingando a Patrícia, vocês estão  xingando a Tia Débora, a fulaninha, o fulaninho, o sicraninho, a sicraninha e a Juliana.” Consigo ouvir ainda hoje o meu nome sendo pronunciado pela diretora e me lembro com clareza do sentimento que bateu naquele instante: “ Xingando a mim? Por quê? Eu não tenho nada a ver com isso.”

Pois é, eu nunca  fui diretamente  xingada porque a minha pele tem uma determinada quantidade de melanina ou porque  meus ascendentes  vieram de um determinado continente. Passei boa parte da vida  sem    ter pensado  no formato do meu nariz. De batata? Não, meu nariz é feito de carne e pele mesmo  e serve tão somente para que eu continue existindo. Afinal, é por ele que entra oxigênio nos meus pulmões e oxigênio é um troço importante pra caramba. Continua Aqui.


7 comentários:

Júlio César Vanelis disse...

Olha madrinha... Não sei se a questão é diferença de gerações, mas eu não consigo associar o dia da consciencia negra com o Racismo. Minha educação, minha formação social, não me permitem ver o racismo como algo natural, é simplestente um tipo de comportamento que não entra na minha cabeça, não faz o mínimo sentido. Por esse motivo é que eu, naturalmente, não costumo fazer distinção entre as pessoas pela cor da pele. Pra mim, hoje não é um dia de luta, mas de comemoração, por termos uma formação social e cultural tão rica!!! Bendito seja o dia da consciencia negra!!!

Um beijão, minha linda!!! Até o próximo...

Juliana disse...

Muito bons os textos do Alex.

Juliana disse...

Ei, me senti sem jeito ,hein! hehe

Juliana disse...

Sem jeito bom - ótimo, aliás! ;)

Lica disse...

Deixa de ser besta que tu fica vermelha e tem sardas. És branca! E o que me diz do IBGE, hein?

Borboletas nos Olhos disse...

Se o Vinícius podia ser o branco mais preto do Brasil ,d. Lica, porque eu não posso ser negra? E o IBGE, prefiro não comentar...

Juliana, é uma honra citá-la...

Júlio, que bom que voc~e foi lá no blog da Juliana e gostou...Bjs

Rita disse...

Oi, e eu só li hoje. Aff. Atrasilda.

Bj
Rita

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