quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Sou Dessas



Tenho, em mim, muitas histórias de outras mulheres, tantas marias e teresas, joanas francesas ou brasileiras. Tenho, em mim, algumas mulheres de muitas palavras e outras beatrizes silenciosas e luísas fugidias. Tenho em mim tantos espelhos, rodeios, entremeios. Tenho e sou mulheres demais. Demasiado mulher. Vivi romances, dramas e tragédias. Vivi comédias. Fui julieta e ofélia num morro carioca. Fui Marquesa - de santos, de merteuil, de deusdará - em plena Sapucaí. Viajei de metrô, de avião, de balão - mágico ou não - sem sair da minha rede preguiçosa na varanda. Fui e vim e, por vezes, venci.

Tenho em mim várias mulheres, senhoras de longos vestidos e abnegados segredos. Meninas levadas com dores de ouvido. Moçoilas inseguras ansiando por namorados. Garotas estudiosas de óculos na ponta do nariz. Bêbadas. Solteironas. Devassas. Resignadas. Ardentes. Tenho em mim um mundo de mulheres e suas impossíveis narrativas. Vivem em ruidosa festividade e se revelam nos imprevisíveis rompantes de mulher caprichosa. Ah, lucíolas e divas e até uma iracema brincam, entusiasmadas, de amarelinha, enquanto a pequena sereia se fantasia de dama das camélias. Olha ali, no canto: helena, cassandra, medéia, lucrécia. Sim, por vezes vislumbra-se uma apaixonada clitemnestra e, outras, uma sofrida fedra. 

São tantas, são muitas, sou mulheres. Sou mulher: um impossível de dizer cercado de carne desejante por todos os lados. Sou tua mulher. Vim de histórias, livros, mitos, cantos. Vim dum ventre escuro de mulher. Vim da tua mente, lá onde ela é escura e fértil. Vim de caminhos tortos, caminhos outros. Vim do som de uma voz, assim, vitoriosa. 

Vim de mim mesma, como barro em minha própria mão moldo um destino e renego costelas alheias. Vim em um percurso obscuro, próprio, único, escolhido, determinado, campo minado. Vim. Cheguei. Por aí, acertei, errei, zanzei. Não parei. 


Eu sou dessas. Dessas que reescrevem tudo. Dessas que gostam de ficar na rua vendo a lua virar sol. Dessas que abraçam. Dessas que riem alto. Dessas que borram o batom. Dessas que gesticulam. Dessas que falam demais. Dessas que se perdem nos olhos do outro. Dessas que soluçam. Dessas que se exaltam. Dessas que esquecem. Dessas que se empolgam. Dessas que bebem. Dessas que se perdem. Dessas que se dizem. Dessas. Essa.




No fim das contas, como diria o Zeca Baleiro, saiba que eu tenho approach, 
borogodó, ziriguidum, balaco baco.



Imagem:  Salvador Dali. Eu copiei do Blog Leituras Favre



10 comentários:

Glória Maria Vieira disse...

Olha só que... liiiindo! *-*

Amei, Borboleta! E depois não é uma poetisa, né?! Rum! u.u

Rita disse...

Eu sou dessas que sempre leem, mas nem sempre comentam. Aff...

Adoro aqui.

bj
rita

Gui disse...

Broboleta, chegueu agora e fi logo ver seu blog. Nem sei como no meu estado consegui ler tudo. Es tá fantástico, memso. De verdade, viu?

Obrigado por existir não só como nblog mas como pessoa tamb´me.

Beijos

HG disse...

Assim como Rita, também sou dessas que leem sempre...
Sou dessas que reverenciam uma ESSA tão linda, doce, meiga, sorridente e pq não, destabanada!?
Te amo e morro de saudades!
Beijo enorme NESSA que é única e plena!

S. disse...

hunf! vc é minha, viu? esse povo tá muito bajulador para meu gosto. rsrsrrsrsrsr (ciume modo on). beijinhos

HG disse...

Sei!!! Mal chegou e já quer armar a rede... rsrsrsrs

Palavras Vagabundas disse...

Também sou dessas...rs
Fico feliz que você me visite sempre mesmo que não comente, basta deixar um beijo de vez enquando.
bjs carinhosos
Jussara

Caminhante disse...

Me obriguei a comentar, porque a vontade é de ficar em silêncio. Fiquei ontem e voltei pra dizer: an-to-ló-gi-co!

Danielle Martins disse...

Sou dessas que... te ama!

Borboletas nos Olhos disse...

Bom, eu sou dessas que agrade..obrigada a todos e cada um. Ser lida por gente assim, fantástica, me deixa toda eufórica. Obrigada especial pro Gui pelo estado (etílico?) e disposição. Bjs

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