quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Meu Corpo. Meu Prazer. Eu Decido.

Eu estava lendo o texto da Iara, do Foi Feito Pra Isso e surgiu uma discussão interessante sobre o corpo, o sexo e moralidade. Isso ficou azucrinando meu juízo. Eu sempre gostei de namorar. Sempre tive relacionamentos longos. E, como já disse por aqui, sempre fui feliz nos relacionamentos. Como já escrevi: Homem Me Faz Feliz. Tive comigo homens que compreenderam meus limites e desejos e, de uma forma ou outra, também eram compreendidos em seus desejos e limites (se algum não concordar, pode gritar...). 

Eu nunca tive que pensar muito em assuntos como assédio, vulgaridade ou, mesmo, violência. Sortuda, pois é. Mas pensei, mesmo assim. Eu penso que se quiser segurar na mão de alguém e a pessoa quiser segurar a minha, poxa, seguremos. E daí você pode generalizar pra mão naquilo, aquilo na mão, aquilo naquilo e tudo mais que se puder concordar. Se eu quiser passar uma década sem fazer sexo, bom, é meu desejo e não considero muito elegante (nem verdadeiro) que as pessoas passem a julgar-me por esta opção. Da mesma forma, se eu quiser viajar 500Km pra transar com alguém uma única vez, também é escolha minha e também não acredito que deva ser avaliada por ela. O que faço com meu corpo, respeitando o limite e o desejo do outro, é de âmbito privado e diz respeito a mim. 

Mas o mundo não é a minha bolha. Não são apenas os gentis homens que me amaram. Não são apenas os relacionamentos confortáveis que tive. E aí o texto da Ultra. Lindo texto. Linda mulher. Tudo bem, ela me deve uma cerveja e muitos risos, mas não vamos condená-la por isso, não é?

Guest Post, by Ultra

Como são as coisas, não é? Meu querido virtual Chicuta no comentário de um post meio tronxo meu, perguntou se eu não fazia sexo pra não acabar com o clima.. eu te respondo, amore.. eu não faço porque tô de greve. Não é nenhuma bandeira, não. É que é dificil mesmo, você pega uma carona com uma pessoa que te conheçe desde sempre e o cara acha que o passe é livre, aliás, que o passe é pago; tem que pagar com o corpo. Como é que faz? Mata?

O problema é essa idéia ridícula de que se você (mulher) diz não é porque tá querendo dizer sim. Ai é duro, viu. Como é que faz?

Como é que faz se os homens acham que tem direito de pegar na sua perna? Se acham que podem te puxar pelo braço com força, pra mostrar virilidade? Alguém me avisa quando eu tiver direito sobre meu próprio corpo, por favor. Quando eu puder manter uma certa distância civilizada e não tiver que ser obrigada a ter contato físico se não me agrada, porque, sério, só falar não tá adiantando. Falar, eu falo, mas por causa daquele sorriso no começo da noite, eu sou taxada de, como é mesmo S.? Sonsa.. é isso.

Tenho milhares de histórias sobre abuso de contato em relação a mim e uma delas é o seguinte: Eu morava em Pipa e trabalhava numa creperia, depois que o verão acabou ficaram só alguns poucos gatos pingados na cidade e entre eles, eu, que não conhecia tanta gente assim.. um dia um amigo de um amigo ia passando na frente do meu trabalho e, como eu tava saindo, a gente se fez companhia, começou a chover e tava perto da casa dele e ai entramos pra fumar um cigarro enquanto passava a chuva. Conversamos as amenidades de praxe e quando a chuva parou eu falei que ia embora, tal.. levantei e fui me despedir, só que ai ele, que era bem maior que eu, me agarrou e me levou pra cama, mesmo que eu não quisesse, estivesse extremamente assustada e pedisse que ele parasse peloamordedeus. Ele desabotou as calças, subiu minha saia e afastou minha calcinha, mas eu tava tão horrorizada que eu acho que num momento que talvez ele tenha olhado pra mim e visto, oi? que eu era uma pessoa, ele parou, graças a deus, ele parou. Eu pude ir embora (muito obrigada) mas depois eu soube que ele saiu naquela mesma noite e encontrou nosso amigo em comum e disse exatamente isso, que eu era sonsa. Agora me diga, o que é que eu fiz?

A umas três semanas, eu e S. estavamos numa parada de ônibus, passou um carro com dois caras e um deles gritou - Quero chupar sua buceta!
Quer dizer.. Como é que faz? Você finge que não você existe? Que não foi com você? Chora?

Ontem, quando falamos isso prum cara numa roda, ele disse, mas e se vocês estivessem com uma roupa mais discreta, será que o cara do carro diria isso?

...

Será? Vem comigo..

Freiras são estupradas?
Mulheres de burca são estupradas?
Alguém já ouviu alguma história de uma senhora de mais de 80 anos que foi estuprada?
Será que roupa delas é discreta o suficiente?
Ai o outro me disse: É-do-instinto-do-homem!
E ai, como é que faz?



Eu não sei como é que faz, querida. Só sei que dói. E incomoda. Eu falo. E escrevo. E aplaudo textos como o seu. 


Feliz Aniversário, Lula! Hoje, 27/10, é aniversário de quem representa uma mudança de prioridades na gestão governamental nunca antes vista nesse país: a opção pelo crescimento aliado ao desenvolvimento social. Parabéns, Presidente! Hoje é também o dia lilás, dia das mulheres mostrarem seu apoio à candidatura de Dilma e ao projeto de um Brasil com inclusão social, respeito aos direitos individuais e distribuição de renda. Eu vou pra rua! Quem está nessa?






Sem Medo de Ser Feliz
Finalmente! O Jingle que comove, alegra, inspira:




8 comentários:

Sardenta disse...

Excelente texto! Adorei seu blog! Depois das eleições, vou ler tudo! hehe

Esse tema sobre o corpo da mulher, sempre acaba em um debate moral, não é mesmo? Eu ainda acredito que um dia esse debate será sobre a mulher e seus desejos e não de desejos dos homens. É para isso que estamos lutando!

Um beijo!

Palavras Vagabundas disse...

Gostei... ontem entrei numa polêmica sobre exatamente esse assunto, mulher é imoral porque usa saia curta, homem é HOMEM! Desde quando nossa roupa, nossa postura independente, nosso querer é imoral? Ou somos sonsa? Ou estamos querendo dar pra eles?
Me poupem...
bjs
Jussara

HG disse...

Parabéns ao nosso LULA!!!
E de presente, poderíamos dar a eleição da Dilma?! Né legal!???
Saudade!

Rita disse...

Olha, é difícil engolir essa inversão da culpa. Vocês me fizeram lembrar daqueles dias horrendos pós assassinato da Eliza Samúdio, todo mundo e meio dizendo "também, né...".

Como disse alguém no twitter hoje, eye, eye, view.

Beijos!
Rita

Glória Maria Vieira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Glória Maria Vieira disse...

Ai, Borboleta! É complicado, viu?! Quer dizer, se eu tô usando uma mini-saia a minha intenção é única e exclusivamente transar com o primeiro, segundo e terceiro que me aparecer, já que né, eu tô usando uma saia curtíssima e que não deixa claro outro raciocínio, senão, esse. E que, óbvio, se eu não tivesse com essa intenção, usasse uma bata por ex. PELO AMOR DA GENTE (MULHERES)!

Acordem homens desse tipinho... Instinto o CARALHO! Minha saia, a ex, não é letreiro de "oi! eu quero dar!".

Muito bom o texto, viu Luh?! Fez até eu soltar um "mini-desabafo!".

Borboletas nos Olhos disse...

Glória, que bom que concordamos. Meu corpo, minha roupa, meu prazer...eu escolho, eu decido!

Rita, você nem imagina o quanto sofri e me indignei (e me indigno até hoje) com essa postura...você lembra de um filme com a Jodie Foster bem novinha que tratava justamente disso?

HG, sim, vamos dar esse presente pra nós...

Jussara, e-xa-ta-men-te!!!

Sardenta...bem vinda! Leia sim e, please, comente. Bjs pra você também...

Anônimo disse...

Sou homem e amo as mulheres.Por acaso descobbri que àquela de que feita a minha melhor parte é lesbica. Tento faze ela falar e se abrir comigo , ela mão consegue embora saiba que eu já descobri.Estou tentado não a perder e achar um "modus vivendi" para nós.
Nada é mais impactante para um homem do que perder sua amada(para uma mulher, suprema humilhação!). No entanto, o respeito pelo seu corpo e sua sexualidade são sagrados para mim.
Ou eu não seria um homem por inteiro. Ou eu não poderia sentar olhando o horizonte sem uma vaga saudade de que fui um dia apaixonado e num gesto soltei a borboleta e estarei , então, com a consciência tramquila.

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