quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Humana, Demasiadamente Humana - Postagem Coletiva/ Caso UNESP

Hoje me senti muito, muito humana. Frágil. Exposta. Vulnerável. Irritada. Zangada. Chocada. Machucada. Revoltada. Alegre. Emocionada. Nostálgica. Empolgada. Feliz. 

Senti  extrema tristeza e uma empolgante alegria. Primeiro o desagrado. Não sei se há alguém que ainda desconheça a notícia de que alunos universitários agrediram colegas com uma (expressão inominável que você quiser) competição intitulada "rodeio de gordas".  Se você não leu a notícia ainda , leia aqui.

Quando li, fiquei um momento paralisada. Nada em mim reagia. Eu não conseguia aceitar que isto não era ficção, que realmente um homem "montava" nas costas de uma mulher enquanto outros homens gritavam: pula, gorda bandida. E não uma vez, veementemente repreendida e repudiada. Não. Muitas vezes. E piora! Os "organizadores" tinham uma comunidade no orkut (já retirada do ar) pra planejar as ações futuras. 

Eu fiquei enojada. E preocupada. Faz tempo que me inquieto com os rumos dessa nossa sociedade e as novas subjetividades nela forjadas. São muitos os elementos que me pertubam: além do antigo e presente machismo, além do comportamento misógino, pertubo-me com a ênfase dada à perfeição física, com a extrema violência, com o narcisismo das pequenas diferenças que leva à intolerância. Preocupo-me com a naturalidade com que se reifica o Outro, negando-lhe a condição de sujeito. Este quadro perverso (no sentido da negação da Lei e da ausência de culpa) possibilita a emergência de comportamentos discriminatórios e violentos não atravessados por nenhuma censura. Os agressores do caso em questão sequer negam o ocorrido mas o tratam como algo irrelevante ou menor. Enquanto isso uma das vítimas sequer aparece na Universidade com medo de ser reconhecida e apontada. Como se ela tivesse alguma culpa. E as instituições reagem de maneira discreta e pouco significativa. É preciso repudiar com veemência. Mas é preciso ir além. Punir os agressores. 

Não vou nem tratar do ridículo e preconceituoso mobilizador das agressões. Eu já escrevi aqui sobre os absurdos referentes ao peso de cada um e os condenáveis padrões externos que nos são impingidos. É tempo de repudiar as diversas formas de violência e opressão implicadas nos discursos referentes à beleza feminina. Cada pessoa, seu próprio modelo. Cada pessoa, seu peso, sua altura, sua cor, seu cabelo, seu cheiro. Cada. Seu. Cada. Único.

A violência impetrada contra as universitárias paulistas equivale, na minha opinião, à violência descrita no post abaixo, assinado pela Ultra. A violência vem do domínio que os homens supõem possuir sobre o corpo feminino. É deles, pra eles usufruírem ou pra humilharem, pra gozarem ou machucarem.

Há outras mulheres, também indignadas, escrevendo sobre isso. A Mari, do Corpo Indisciplinado,  intitulou seu post de Caso UNESP - Blogagem Coletiva. No blog Garrafa ao  Mar o texto também se chama Caso UNESP - Blogagem Coletiva.  A Rita, do Estrada Anil, escreveu: Bullying - de mãos dadas com o preconceito. No Solidaliberdade, o texto é: Blogagem Coletiva contra o "Rodeio de Gordas". E a Lola escreveu: Rodeio de Gordas: O Preconceito dá um passinho a frente. Se você quiser acompanhar a discussão sobre esse tema na rede social feminista Mulherada, é só dar uma chegadinha aqui. 


Mas, eu disse, demasiadamente humana, quero partilhar que também tive grandes alegrias. Aniversário do Lula. Dia Lilás. E, principalmente, uma caminhada pelas ruas da cidade. Grande mobilização popular. Uma aluna minha ao micorfone, representando a Juventude Petista e me emocionando. Muitas recordações. Lembranças das campanhas passadas em que minhas caminhadas eram em outras ruas, mas a beleza e emoção eram as mesmas. Chorei. Cantei. Aplaudi. Gritei palavras de ordem. Isso registrado em fotos que uni nesse vídeo...


video


8 comentários:

Caminhante disse...

Eu não sabia. Também estou aqui sem palavras. Raiva do mundo, das pessoas, dos homens, raiva. Vontade de matar todos aqueles que falam os adjetivos "gorda" e "magra", porque é tudo fruto do mesmo tipo de raciocínio.

Shuzy disse...

Eu tbm não tinha visto isso. Não tenho como expressar aqui o que senti ao ler a matéria. No mínimo, triste.

Borboleta querida... Esse é o nosso mundo?

Dária disse...

Acho que toda pessoa normal fica chocada.

Alguem sabe dizer que providencias a universidade tomou? ou se as meninas ao menos prestaram alguma queixa? fizeram um BO (é sério, caberia)??

Estou me sentindo lá na hora vendo a cena, sou sensível a estas coisas. Fico imaginando se alguem que estava assistindo fez algo ao invés de rir, se alguem se preocupou em chamar um segurança, se alguem ao menos criticou os alunos que agiam assim. Acho que eu pulava em cima dos caras! heheh

Palavras Vagabundas disse...

Também fiquei chocada e por incrível que pareça, profundamente envergonhada, por elas, por eles (como se sentirão no futuro sendo pais?), pelos pais de ambos e pela universidade. Me pergunto que tipo de profissionais serão no futuro?
Acho que essas meninas deveriam ser orientadas a processar esses boçais.
bjs
Jussara

Rafa disse...

É chocante até onde se pode chegar no preconceito e no desrespeito ao outro! Que homens, heterossexuais, brancos, de classe média se sintam os centros do universos e ridicularizem de todos os modos que está à margem desta "condição provilegiada". Boca no trombone!

Bj

Rita disse...

Luciana, horror, horror.

***

Eu <--------- pessoa que canta o jingle da Dilma em casa com os filhos. Aff.

Bj
Rita

Bruna Tavares disse...

Também fico muito triste com este tipo de notícia. É uma pena que o mundo tenha chegado a esse ponto!

Gui disse...

Acho que a melhor maneira de punição é colocar esse tipo de pessoa em público e apontar todos os seus defeitos. Acharia cômico, se não fosse tão cruel.

Mas eles se importaram com isso?

To tão speechless que quero, sei lá...Dar umas porradas nesses fds? :/

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