
Roubaste-me o fôlego. O chão. Tiraste-me todas as palavras. Tiraste-me todos os caminhos. É só por hoje, bem sei. Devagar, reúno letras como se fossem memórias e reinvento os dias. Perder-se em um corpo, eis o mapa do impossível. Mas, enquanto não sei dizer, desdigo, querendo o que já foi. De trás pra frente, pode ser?
Mas viver às vezes dói só porque é tão intenso. Então:
Tem o Calvin...
E tem a Florbela Espanca...
Se tu viesses ver-me…
Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços…
Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca… o eco dos teus passos…
O teu riso de fonte… os teus abraços…
Os teus beijos… a tua mão na minha…
Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri
E é como um cravo ao sol a minha boca…
Quando os olhos se me cerram de desejo…
E os meus braços se estendem para ti…
E a Vânia Abreu...
Seja minha guia
Nossa travessia
Nunca chega ao fim
Guarde seu veneno
Baixe suas armas
Dê o seu sorriso só pra mim
Vem fazer a festa
No pátio lá de casa
Diga que eu não presto
Mas diga mesmo assim
Me jogue na parede
Me leve na garupa
Que eu não tenho culpa de ser assim
Diga que me ama
Seja minha guia
Nossa travessia
Nunca chega ao fim
Guarde seu veneno
Baixe suas armas
Dê o seu sorriso só pra mim
Abra suas asas
Deixe que eu te atenda
A sua vontade
É uma ordem para mim
Vou fazer a cama
Vou te dar amores
Sem pisar nas flores do seu jardim
E a Alice Ruiz...
teu corpo seja brasa
e o meu a casa
que se consome no fogo
um incêndio basta
pra consumar esse jogo
uma fogueira chega
pra eu brincar de novo
E tem, sempre e mais que sempre, Adélia Prado:
O Amor no Éter
Há dentro de mim uma paisagem
entre meio-dia e duas horas da tarde.
Aves pernaltas, os bicos mergulhados na água,
entram e não neste lugar de memória,
uma lagoa rasa com caniço na margem.
Habito nele, quando os desejos do corpo,
a metafísica, exclamam:
como és bonito!
Quero escrever-te até encontrar
onde segregas tanto sentimento.
Pensas em mim, teu meio-riso secreto
atravessa mar e montanha,
me sobressalta em arrepios,
o amor sobre o natural.
O corpo é leve como a alma,
os minerais voam como borboletas.
Tudo deste lugar
entre meio-dia e duas horas da tarde.
* Se você não conhece, Nature Boy, escute aqui com Ney ou aqui com Nat King Cole

10 comentários:
Miga, o que acontecer jesuimariajosei? conte djá, baby.
amor e saudades
http://www.youtube.com/watch?v=KexJb5Vu4i0&feature=related
e para aproveitar o mote (do filme) um tango para tí:
http://www.youtube.com/watch?v=-dXBF2GsZ2w&feature=fvw
Que lindo post!
Ou seria uma declaração de amor?!
Mas afinal... a Vânia é Bastos ou Abreu?
Muito bonito, posso embarcar com você neste sentimento?
O amor e a agonia cerraram fogo no espaço
Brigando horas a fio, o cio vence o cansaço
E o coração de quem ama fica faltando um pedaço
Que nem a lua minguando, que nem o meu nos seus braços
Um cheiro
Alex Ramos
HG, passando rapidinho só pra consertar o equívoco...é Abreu, claro, claro, sei lá de onde tirei este Bastos, rsrrsrs
Quando a mente é invadida de amor a troca de nomes é aceitável! Beijos!
Não pelo partner, Dani.
kkkkkkkkkkkkkkkkk
E as peças se espalham em um post complexo e lírico... Queria, mas não consigo decrifá-lo, melhor assim...
Adorei o texto inicial, ...essa proximidade que não faz a poesia apenas uma coisa a ser jogada em um Blog mas se explica em profundidade e por isso encanta mais ainda os incautos visitantes cono eu...
Obrigado e abracos
S., obrigada pelos links. Amo tango, você sabe. Bjs
HG, é lindo querer bem;
Alex, que bom gosto musical. Obrigada
Dani, não é bem a mente que é invadida, rsrsr...
HG, oui, yes, siiimmm...
Peterson, volte, volte, volte, suas palavras me animam e comovem...
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