quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Proibido Para Menores II ou Sim, Isso é Com Você

Sim, culpada. Sou. Pronto. Conversando com a amiga amada e querida e salvadora e querida e anfitriã e querida (já disse isso?), Aninha, ela me deu o toque: Borboleta, não tá com nada esse lance de só achar o mundo legal quando está apaixonada. Corta essa! (claro que ela disse isso numa linguagem humana normal e não como em um péssimo filme hippie). Ah, quem dera. Não consigo. Quer dizer, consigo viver bem sozinha (traduzindo: sem namorado, amante, namorido, marido e afins). Gosto dos meus livros em cima da cama, de começar a ver tv a partir do Jornal da Globo, de marcar o que e quando quero com os amigos, de aumentar em zilhões por cento minhas viagens e visitas, de escolher o que vou fazer, que filme vou ver, que horas vou acordar, assim, no mais completo improviso. Já comprei meu abridor de vinho que dispensa ajuda masculina. Mas, na verdade, culpada, confesso. Eu gosto de ter minhas paixonites. Gosto de ter um lugar pras minhas palavras. Um endereço pro meu desejo. Eu não acho que toda a felicidade está no Sr. X. Toda a felicidade não está em lugar nenhum. Mas mesmo aquela porçãozinha de felicidade não está nele. E nem em mim, senhores autores da auto-ajuda. Este sorriso bobo e o frio na barriga estão na relação. No encontro. No anseio. E, sabem, eu sei isso de mim: gosto de ser par. Sério, tenho prazer de ver minha mão aninhada em outra mão. Brega, né? Gosto de ligar à noite e ouvir um resumão do dia (ou, melhor ainda, ouvir sentada na beirada da cama enquanto corto minhas unhas dos pés). Gosto de chamar de repente pra dizer uma bobagem qualquer que passou pela minha cabeça. Gosto de dizer: prova aqui esse molho, quando eu sei exatamente se precisa ou não de mais sal ou manjericão. Gosto de mandar mensagens carinhosas. De planejar viagens, passeios, encontros. De deixar recadinhos dentro do sapato. Gosto de beijar. Muito. Gosto de sentir o a textura, o cheiro, o gosto alheio. E tem o sexo, poxa. Eu quero sexo! Me dá sexo! Como é que eu vivo sem sexo! Nesta perspectiva, Ultraje a Rigor talvez seja a banda mais brilhante que conheci. Gosto do sexo que vai sendo melhor quanto mais do outro a gente vai sabendo, testando, provando. Gosto de intimidade. Cumplicidade. De transar no escuro e já conhecer os caminhos. De transar de manhã cedo quando a luz brinca de ser sombra. De transar.

Assim, isso posto, isso é com você, sim. Você me lê? Me sabe? Você existe de corpo de pegar e boca de beijar? Está aí, trabalhando, estudando, dormindo? Está aí, fazendo uma lista de música que vai batizar com meu nome? Está lendo? Beijando outra boca? Viajando? Cozinhando, talvez? Inventando sabores e dizeres? Não deve haver erro no que agora digo: me saiba. Me desvende. Me desvele (e ignore as próclises equivocadas). Como canta Vanessa: Não me deixe só. Adiante-se ao destino. Chegue antes. Roube um pouquinho e ajeite o seu caminho pra encostar no meu. Eu sei o bom da espera e gosto dos percursos longos. Mas há dias de muito querer. Não se atrase. Fale com Ela, brada o cineasta. Fale comigo, eu sussurro ou grito. Mas fale. Eu sou da seara das palavras. Ocupe meus espaços. Ponha abaixo a porteira. Não me deixe opções nem saída. Eu quero ler você. Saber você. Ouvir você. Tocar você. Beijar você. Mas quero logo. O que faço no por enquanto? Perco meu tempo criando vídeos bobocas. Faz parte do jogo. Quer? Aperte o play e me conte.

video

5 comentários:

Lunna Guedes disse...

Engraçado porque eu gosto de sentar aqui no meio da noite e ficar observando o silêncio e suas sombras e quando estou apaixonada faço a mesma coisa, mas com uma xícara de chá em mãos. Eu gosto de sentir o vento, ver a lua, nuvens e anda com meu cão pelos cantos da rua.
E quando estou apaixonada faço tudo em dobro. rs
Bacio

Rita disse...

Ai, Borboleta, posso dizer que morri de rir com o vídeo? Fica brava não, adorei o texto também. Mas o cachorro segurando o telefone foi muito bonitinho...

Beijocas!
Rita

Anônimo disse...

BOBO RISO

eu rio um riso fácil
de tantas horas
quanto imprecisas rimas

eu rio um riso fácil
por vezes, saliente
esparramado, indevidamente

eu rio um riso fácil
acompanhado de olhinhos
entre cartas e passarinhos

eu rio um riso fácil
facinho e dado
sem o cuidado de guardá-lo

eu te dou meu riso fácil
de manhã e por uma noitada
mas sem perder de vista
a tarde aveludada.

HG disse...

Li...

Dona Mila disse...

Adorei tudo, principalmente a idéia do bilhetinho no sapato. :)

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...