quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Pé de Valsa

Começou, começou, começou! O Concurso da Lola, ora, o 4o Concurso De Blogueiras - 2010: As origens do meu feminismo. Aquele que a Rita - por mim - já ganhou, já ganhou, já ganhou! Mas, como ela é muito gente fina, até me incentivou a participar. Então, inscrevi este post aqui. Vejamos o que dá. Por enquanto, fica a dica: muitos textos legais, interessantes, doloridos, verdadeiros. Blogs que valem a pena conhecer e acompanhar. Ler.

E os Musicais?

Eu gosto de dançar. Não sei, é claro, mas gosto muito. Tenho prazer em conduzir meu corpo pra lá e pra cá e, mais ainda, em deixá-lo me levar pra onde ele quer. Amanhã, inclusive, vou arrastar o corpitcho pra uma casa de forró e ver o que rola. Força na peruca, né? Aí, fico pensando no Fred Astaire (ah, não! pensa o habitué, era só desculpa pra falar de musicais de novo...você está coberto de razão). O que era aquele homem dançando? Arte. Poesia feito movimento.

Eu gosto de musicais. E rio um tantinho quando alguém reclama que é chato e que não é cinema, recordando que o primeiro filme com trilha sonora era um musical. Gosto especialmente dos que foram realizados até o começo da década de 60. Mas, na ausência dos enormes, ainda acho grandes e divertidos Todos Dizem Eu te Amo e Moulin Rouge.

Um musical aprisiona meu olhar e minha imaginação. E o que mais eu posso querer do cinema? Reflexões? Pois bem, como não pensar em temas relevantes, tanto ética como esteticamente, assistindo Amor Sublime Amor, A Noviça Rebelde e Sete Noivas para Sete Irmãos (racismo, nazismo e violência contra a mulher, respectivamente)? Dizem por aí que os musicais são ingênuos. Eu os acho ternos. Benevolentes. Delicados com nossa humanidade. Eles são um afago. São uma linguagem diferenciada. E que técnica se precisa ter para filmar adequadamente um bom musical! Das câmeras voadoras que, elas mesmas, pareciam bailarinas, à imóvel câmera apaixonada por um determinado Astaire: "ou dança ela (a câmera) ou danço eu". Uma coisa que sempre me impressiona é a naturalidade com que Astaires, Judys Garlands, Cyds Charisses faziam tudo: cantavam, dançavam, representavam. Como se fosse fácil. Como se fosse exatamente isso e nada menos. Cinema, pra mim, é (além de luz, como queria Fellinni) fantasia. E o que pode haver de mais arrebatador do que dançar no teto ou com um cabide e fazer isso parecer mágico, sensual, alegre e, ainda assim, usual? Encantamento, essa é a palavra que me assalta quando penso nos musicais. Quem não lembra da última cena de A Rosa Púrpura do Cairo? Encantamento é o que se vê na expressão de Mia Farrow vendo Ginger e Fred.

Como gosto tanto de musicais, não gosto de fazer listas dos preferidos, pois ora caio no óbvio, ora passeio na solitária auto-referência. (já a AFI não se acanhou e fez esta lista aqui). Mas adoro falar dos protagonistas. É engraçado ver Clark Gable, James Stewart, Robert Montegomery, Liz Taylor, todos dando uma palhinha. Na época, musical era quase obrigatório. Nem todos se saiam bem, claro. Mas quando era bom, ah, era ótimo. Como Gene Kelly. Gene Kelly era ousado, inventivo, corajoso e vigoroso. Um estilo de dança radicalmente diferente do meu querido Fred, mas também deslumbrante (depois de aposentado, Gene Kelly ainda coreografou para Madonna em 1993). E, puxa, as mulheres. Deslumbrantes. Sexys. Meigas. Hipnóticas. Todas e de tantos tipos. Judy Garland, que foi de menina a mulher sem perder a magia. A sereia Esther Williams. A solista Ann Miller. A graça de Rita Haywoorth. As vigorosas pernas de Eleanor Powell. A parceira perfeita de Fred: Ginger. E ela, as mais belas pernas do cinema: Cyd Charisse. Sobre ela, musicais e filosofia, escreveu Verissimo (Sartre, Camus e a Cyd Charisse). E vejam que nem mencionei o Elvis, que ele sozinho é um blog ou, pelo menos, um post à parte. E, também, não falei do Chico, Nara e Bethania fazendo filme. Tem musical brasileiro também.

Sim, eu queria, no meio de uma situação, abrir a boca e sair cantando. E dançar. Levar a vida na valsa será isso? Se for, sou candidata. Queria ter minha trilha sonora me acompanhando bem alta. Queria sapatear e tirar os pés do chão. Não queria fazer isso como fuga ou alienação, mas como leveza e entrega. Queria ser parceira da vida e deixá-la me conduzir sem perder nem equilíbrio nem graciosidade. Queria ter meu próprio Astaire que me desse classe enquanto eu lhe dava sexy-appeal (ou o contrário, tanto faz desde que fosse).

Esse palavreado todo sobre musicais e dança, juro que não é culpa minha. É da Caminhante Diurno. Ela é quem escreve de forma intensa e sutil e pôs este vídeo lá. Que eu gostei tanto e deu asas ao meu pensamento.


Vamos dançar?

7 comentários:

Caminhante disse...

Adorei o post e me senti lisongeada de ter contribuido para que ele exista. E esse video é mágico, não é? Já entrei na fase de agora procurar as cenas individualmente, de tanta saudades que esse video dá.

Lunna Guedes disse...

Olha, eu adorei o convite e já imaginei passos, os movimentos, o cenário. Não sei porque, mas me lembrei do Richard Gere naquele filme "vem dançar comigo" em que ele sobe a escada rolante com uma rosa em mãos. rs
Bacio

Rita disse...

OOoooooooooooobbbaaaaaaa!! Você entrou, entrou, entrou! Quer dizer, inscreveu o post, tomara que entre no próximo bloco! O melhor de tudo é que você vai receber um monte de visitas do pessoal que vai querer ler seu post e aí vai conhecer seu blog bom!

bjs!
Rita

S. disse...

ai, amiga, saudade saudadona.

HG disse...

Adorei o vídeo e entendo perfeitamente o motivo do post... Eu também fiquei acesa pra escrever... rsrsrsr
Vc bem sabe o quanto amo musicais. Não à toa, dirigi, modestamente, três... Mas trazer à tona Baryshnikov, foi covardia! A.M.O!!!!
Obrigada!

Borboletas nos Olhos disse...

Caminhante, já inspirou-me outro. E sim, dá uma saudade danada...

Lunna, acho o Richard um fofo nesse filme. E que bom que aceitou o convite. Eu estava um tanto solitária, bailando por aí sozinha..

Rita, mil pernas de você dizer que o blog é bom. Tomara que a Lola aceite a inscrição. Bjs

S, idem ibidem.

HG, quem não ama? Dancemos, pois...

Turmalina disse...

Que delícia de video..assim como Astaire e Patrick Swayze marcaram algumas gerações, Travolta marcou a minha. Que bom revê-lo dançando...e também O Sol da Meia Noite, filme que eu gosto muito.Me deu vontade de revê-lo!!!
Bjos

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