terça-feira, 7 de setembro de 2010

A Menina que Roubava Posts

Escrevi no Miolo de Pote. Mas hoje não deu tempo escrever nada aqui. Roubei de mim mesma. Mas tenho uma lista de temas azucrinando meu juízo. Chegado em casa...


Há muitas biografias de Clarice. Há dissertações e teses. Há coletâneas de frases. Há Clarices por todos os lados. E há Clarice em mim. Em você? A palavra de Clarice é Clarice pra mim. Não há separação possível. Leio as palavras de Clarice como se a comesse, como se a tocasse, como se a cheirasse, lambesse, visse. Clarice é mistério. Mas mistério feito luz, daqueles que não vejo porque cubro o rosto e não porque ela o esconde. E Clarice é, também, o óbvio. O meu óbvio. Passeio nas letras de Clarice como se me visitasse. Lori na Aprendizagem sou eu, claro que sou eu, eu me lembro do banho de mar. A hora da estrela? É a minha hora. Macabeia dos sentimentos, euzinha. Água Viva é o que lava a alma e queima a pele. Eu e a barata. Eu no ônibus, Ana sou eu, eu, eu. Eu sou bela, sou fera, tenho felicidades clandestinas e trato meus livros como amantes e mais, trato meus amantes como livros. Eu não roubei fruta, não? claro que sim. Quando leio Clarice recordo coisas que fiz sem ter feito, que fiz no momento exato em que a leio. Matei animais, matei homens, senti-me queimar. Melhor casar do que arder. Meu coração selvagem bate no ritmo das vírgulas e pontos de Clarice. Fui idosa perdida no espelho. Fui idosa perdida no desejo. Fui, antes de saber, Ângela. Estava no trem, estava, era eu e aquela velhinha com quem eu conversava também era eu. Eu era o trem, também. E era a viagem. Estrangeira na terra, estrangeira em mim, eu sou uma legião inteira de meias palavras e verdades inteiras. No escuro, maçãs e medos sopram vida, lentamente, pela minha boca. Pelos meus olhos? C de Clarice, de caminho, de carinho, de crime, de caridade, de conversas, de comida. C de certeza. Clarice não é minha escritora preferida. Porque eu não sei ler Clarice. Eu só sei deixar Clarice claricear em mim. Meu corpo em Via Crucis. Há Clarice em mim. E em você?

3 comentários:

Caso me esqueçam disse...

ai, entendo perfeitamente! clarice eh tao profunda que a gente fica envergonhada em ver que alguem que nunca viu a gente conhece o nosso eu mais profundo. eh lindo demais, ela acerta, vai em cheio!

Rita disse...

Querida, Luciana. Lamento desapontá-la, mas a Lori de Aprendizado sou eu. E não só pelo Ulisses, que é meu. ;-)

Luci, eu ia dizer, mas você disse primeiro. Foi sempre assim: lendo e perguntando "como ela sabe disso??? como ela pode saber?? ela tá falando de mim!!!! Clarice é bruxa. Perigosa, absurdamente deliciosa. Minha paixão, veneração, adoração.

Beijos
Rita

Borboletas nos Olhos disse...

Caso me esqueçam, é assim, justinho assim...

Rita, contra fatos tenho um bocado de argumentos, rsrsrs...mas deixo o Ulisses com você e o banho de mar comigo, ok?

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