sexta-feira, 10 de setembro de 2010

A Menina que Roubava Posts II

Eu já falei da inveja. Já mencionei que até a deusa da sabedoria, Atena, sentiu inveja, imagine eu, pobre e humilde borboleta. Hoje senti inveja. Todo mundo que me lê já a um dia ou dois sabe que realmente gosto e admiro o blog que congrega meus mortos queridos. Hoje, em visita ao cemitério, li um post que me deu comichões. Foi o Zé, querido, querido Zé, quem teve a idéia. Sabe, uma confissão: eu sempre tenho dificuldades de comentar os posts do Zé. Puxa, são tão redondos, tão completos em si mesmos, autoreferentes e sábios que só me resta um: puxa, que lindo! ou Uau, adorei! que soam totalmente em desacordo com a profundidade e abrangência dos textos. Na dúvida, calo e sigo em muda admiração. Mas hoje não deu. Simples e ofuscante. Podia ser assim é o nome do post e o Zé faz uma apresentação genial de se minha vida fosse um filme. Com direito a participações especiais de Carole Lombard, Cary Grant e Anna Magnani. Daí ao roubo de idéia foi um passo anunciado. Não garanto a execução, mas o desejo é evidente.

Pois bem, sem me pedirem mesmo, eu pensei em um filme pra minha vida. Para abrir, uma dúvida, claro. Este ou este? Ou, ainda, este? A Marca da Maldade inicia com um primoroso plano sequência de cerca de três minutos que aprisionam o olhar e deixam o espectador cativo e ávido pelo que virá. Quer começo melhor pro viver? Pois tem. Em Janela Indiscreta, logo no princípio, coloca-se a síntese completa e clara do personagem central. Tipo assim, um cartão de visitas. Tem jeito melhor de chegar? Escolhi outro, ainda. Não sei se melhor, mas mais eu. The Searchers. Eu bem acho que se começa a vida assim, chegando em algum lugar em que parece que a festa já começou sem esperar por nós. Adoro o contraste escuro/claro que mostra bem a inadequação. É assim, ponto, que começa o meu filme:



Para o recheio, o meinho da vida, não tenho nenhuma dúvida. Eu, Tu, Eles. Verissimo definiu de maneira brilhante: é uma simpática comédia de costumes e não é. É mais uma situação que um enredo. É sobre uma mulher que vive com três homens, mas não apenas. É um filme sobre gentileza, diz LFV. E diz mais: "A personagem da Regina Casé é tudo menos uma ingênua. É uma sobrevivente com todas as cicatrizes da resistência, mas tem a compaixão dos seus homens e dos seus filhos que a vida e a sua terra não tiveram dela — além de malícia e tesão". No questions, não é? Assim deve ser meu recheio: pelo menos três homens (ok, pode ser pai, amante e filho, né?) e muita, muita delicadeza.

E o fim? Diferentemente do Zé, eu pensei em encerrar não com uma pergunta, mas com uma constatação. Tal como Don Corleone, poder olhar pro céu e dizer assim: a vida é tão bonita. Mas não seria muito justo, porque apesar de ser uma morte, não é a sequência final. Matutei, matutei e logo descobri que não poderia haver outra. Só e só essa. Sobre esse filme eu escrevi aqui. E, puxa, relendo, até que não estava mal. Há tudo nesse the end: nostalgia, encanto, magia, surpresa, conforto, ingenuidade, desejo, ternura, amor. Quero um fim assim: cortes e retalhos feito beleza. Não sei, Zé, não sei. No seu caso não ficaria nada por dizer. Mas, de minha parte, prefiro que não fique nada por viver.



Pra constar, A Menina que Roubava Posts I é esse link aqui.

Depois de tudo posto, escolhido e linkado, lembrei-me de O Matador. Pois é, Almodóvar. Não pode faltar Almodóvar, ele é tão, tão, tão vermelho! Escrevi sobre O Matador aqui. E gosto sobretudo deste texto:

5 comentários:

Caso me esqueçam disse...

adorei! agora fiquei curiosa e vou tentar baixar os filmes citados que eu nao conhecia :D

Caso me esqueçam disse...

ah, e quanto adicionar teu blog ao meu, nao sei porque o espanto, era uma coisa que eu queria ter feito ha tempos, mas nunca lembrava :)

beijos!

S. disse...

hum. então tá.

Borboletas nos Olhos disse...

Caso.me.esqueçam, são filmes da minha mais alta estima. Espero que goste. Eu amei ser linkada na sua página. Mesmo.

S., rsrrsrsr

António Eça de Queiroz disse...

Belo roubo, sem dúvida, o Zé Navarro rouba-se muito bem, tem sempre coisas boas.
Gostei muito da sua selecção cinéfila. Sabe qual é um dos meus preferidos? A Flauta Mágica do Ingmar Bergman, uma coisa linda de morrer e muito bem filmado - tendo em conta de que na realidade é apenas uma peça de teatro, só que3 filmada por dentro e por fora.

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