quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Homem Me Faz Feliz

E, bem na semana que eu estou no Concurso de Blogueiras que tem como tema "As Origens do meu Feminismo" eu vou enfiar o pé na jaca (assim, antes de continuar a ler o post vai lá, na Lola, vai, lê tudinho e vota em quem você quiser). Pois tá. O tema da semana é: o que faz você feliz e eu vou responder assim: homens me fazem feliz. Daí uma porção de novos visitantes assustados já mudam de blog e os amigos de sempre já cobrem a boca (não sei se horrorizados ou pra esconder a gargalhada). Fazer o quê, povo meu, senão tentar explicar? Lá vamos nós.

Homens me fazem feliz. Tenho um filho: ele é carinhoso, meigo, cuidadoso, inteligente, leitor voraz e companheiro pra tudo. Faz feliz. Eu tenho um irmão: já falei dele por aqui. Ele cuida, ri, abraça, dá idéia, faz birra. Faz feliz. Tenho cunhados e, puxa, eles fazem a minha família melhor, eles estão sempre disponíveis e são generosos. Feliz, de novo. Tenho amigos que seguram a minha mão, a minha barra, o meu copo. Fe-liz. Meu ex-marido é um amigo. Dos bons. F-e-l-i-z. Os homens que eu quis, os homens que me quiseram, ai, ai, ai, não reclamo nem protesto, foi sempre bom e do jeitinho que era pra ser. Fui amada, desejada, traída, querida, sacudida, procurada, envolvida, festejada. Deixei a fatia mais doce da vida na mesa dos homens de vida vazia (...) mas vida, ali, eu sei que fui feliz. O moço bonito, mesmo esse, me faz feliz no seu sem chegar que me atormenta. E tenho meu pai e nele tanto riso e felicidade.

Mas nem é por isso e por esses tantos que digo que homem me faz feliz. É o próprio universo cultural e comportamental masculino que me agrada tantas vezes. É aí que me desgraço de vez com as amigas leitoras: ou por não ser suficientemente feminina pra desprezar tais prazeres ou pra não ser suficientemente feminista e chamá-los de masculinos. Ou seja, tô perdida.

As cinco coisas deste universo - quase sempre masculino - que me fazem feliz: filmes de faroeste/western/western spaghetti, futebol, cerveja no boteco, a clara preferência de sexo ante os demais assuntos, a despreocupação com moda. Estereótipos, claro. Eu conheço um montão de homens que não curte nada disso aí de cima. Mas vamos a eles antes que eu me arrependa da idéia e prefira manter as amigas e os leitores.

Os filmes de faroeste possuem uma série de características que me enlevam: honra e rude bondade. Um certo desconforto e o fato de nunca, nunca ser o bastante. O vasto horizonte e o risco sempre perto, sempre próximo. A aridez da vida e a felicidade temporária e transitória. Heróis vulneráveis e duros. A solidão. A violência sempre presente e sempre perturbadora. As desilusões, os grandes gestos, os inesquecíveis duelos. Era uma vez no Oeste, é sempre a mesma vez nos meus desejos. Gosto. Um inventário abrangente do meu querer bem aos filmes de faroeste encontra-se aqui.

Futebol, o que inclui a barulhenta e emocionante ida ao estádio com direito a churrasquinho no caminho, cachorro-quente frio durante e buzinaço depois. Gosto de ver futebol, de falar de futebol, de discutir futebol. Ressinto-me de não ter aqueles desocupados neurônios que só servem pra decorar a escalação do campeão estadual de 39 e saber quem foi o Cafuringa. Mas compenso no entusiasmo. Gosto dos jogos, dos dribles, das tabelinhas, dos craques, dos raçudos, dos uuuhhhss e aaaiiisss de cada lance "mais agudo". Leio blogs sobre futebol. Assisto mesas redondas. Debato com o comentarista em voz alta, talvez esperando que eu na minha casa em frente à tv e ele no estúdio possamos nos entender. Enfim, boleira.

Boteco em todas as suas variantes: aquele pé sujo bom pra comer panelada no domingo de manhã, aquele azulejado que tem a melhor cerveja de fim de expediente, aquele pós-futebol, aquele pré-praia, aquele com sinuca, aquele do mais famoso arrumadinho da região, aquele do meio da estrada quando a sede apertou. Não me importo com banco em falso, mesa preguenta, copo de lavagem suspeita, banheiro misto. Gosto mesmo é do sentir-me à vontade, a risada muito alta e, claro, do bom papo, geralmente sobre futebol. Gosto de não ter hora nem rumo.

Sexo, claro. Já faz tempo eu descobri, um bom relacionamento é sexo e paciência. Nessa ordem. Claro que andar de táxi de mãos dadas eu também classifico como preliminar. Gosto de poder ser tranquila e clara em relação a isso: eu tenho um corpo e ele deseja.

Quanto ao último item aí, a tal relação com a moda, antes das merecidas contestações que incluem argumentos sobre homens no salão de beleza, metrossexuais e assuntos afins, quero dizer que desde que me mudei eu NÃO tenho espelho. É isso aí, nem no quarto, nem no banheiro, nem em canto nenhum, a não ser o retrovisor do carro. Eu me visto, passo o pente e pronto. Pronta. Eu tenho limites emocionais que me impedem de comprar blusas de mais de 40 reais e vestidos de mais de 70. Mesmo. Eu só tenho uma bolsa. Sério. Tenho duas sandálias: uma preta, uma bege. Nada mais.

Bom, como boa histérica, só posso dizer uma coisa: a culpa deve ser do meu pai. Ele já andou em vários posts por aqui. Já recebeu essa homenagem. Já foi mencionado aqui e aqui. Já contei causo do casamento dele e mamys aqui. Meu pai é uma pessoa incrível. Mesmo. O sorriso dele é a coisa mais reconfortante e inspiradora que já vi. Ele é simples. Bondoso. Meu pai é presente, disposto, inteligente. Turrão, claro, com quem vocês acham que aprendi a ser teimosa? Meu pai é um apaixonado, 36 anos de casado e ele ainda se desmancha quando minha mãe fala com ele. Meu pai é amigável, simpático. Meu pai leva à sério tantas coisas, mas sabe se divertir e fazer o mundo ser divertido. Meu pai é em paz. Ele sabe chorar. Ele sabe acolher. Ele conta a mesma história várias vezes. Ele cutuca a unha do dedão do pé e leva minha mãe à loucura. Meu pai é assim, um amor. Ele é um homem. É, os homens me fazem feliz. Hoje ouvi um zilhão de vezes essa música e, além de voltar a me apaixonar pelo Diogo Nogueira (eu tinha esquecido como ele é justinho perfeito certinho pra mim), essa canção me fez chorar e pensar e rir e querer ser um tantinho igual a ele, meu espelho, meu pai:




PS. Putz, depois de tudo feito, pronto e acabado, sabem o que achei? Chico e Diogo, ai meus sais. Pode chamar de tiete. Pode chamar de deslumbrada. Eu chamo de felicidade. Vou lá me perder em olhos e bocas e peitos e mãos que me fazem ansiar pela felicidade. Quem quiser ver, venha.

12 comentários:

Lica disse...

Você se repete, sempre. Mas não podia mesmo terminar o post sem dizer o quanto o Chico te faz feliz.

HG disse...

Lica, este post inteiro foi só pra fazer declarações de amor do papai!!!

Danielle Martins disse...

Concordo com a Hertênia....

Caso me esqueçam disse...

ai, que post apaixonado! sobretudo a parte que tu fala do teu pai.

que legal ver que tu pensa assim! porque a luciana do lado de ca pensa parecido tambem - tirando a parte do futebol... hihi

tenho muitas amigas que eu adoro demais, mas nao sei porque, prefiro os homens. mais tranquilos, mais faceis, mais transparentes, eu acho. :)

Shuzy disse...

Tua sinceridade é linda...
E teu jeito de encarar a vida é tão leve, passa uma alegria, uma graça... que ao sair daqui depois de, lendo, conhecer mais um pouquinho de ti, me sinto tão feliz!

HG disse...

Borboleta... mas juntar Chico e Diogo foi covardia!!!

so sad disse...

eu acho que feminismo hoje não deve passar por não gostar de homens, mas sim, de se impor e conquistar mais epaços e igualar os direitos.
beijo!

Borboletas nos Olhos disse...

Lica, faz, faz mesmo...

HG e Dani, amo esse cara mesmo...

Caso me esqueçam, a luciana do lada daí é tão sábia (rsrsr)

Shuzy, você já sabe da minha admiração e suas palavras me deixam vermelhinha de felicidade...

HG, oui, covardia pura pro meu coraçãozinho apaixonado...

So sad, eu também acho isso,, mas não posso deixar de me sentir machista escrevedn oque faroeste é coisa de homem, mas me sentiria mentirosa se não escrevesse...afinal não conheço quase nenhuma mulher que aprecie! Entende a dificuldade? Bjs e te conto sim do telefonema, rsrsr

Silvia Varela disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Peterson Quadros disse...

O li e amei está ficando batido, mas que posso eu fazer se é verdade!!! Adorei ser homem depois de ler... Acho que nunca vi tamanho entendimento e aceitacao das coisas. desse mundo. Voce transcendeu esse negócio de machismo ou feminismo, ficou uma coisa real, bonita em essencia...
O boteco, ah o boteco com banheiro misto...Que descricao! Obrigado pelo presente de quinta a noite, abracos e CONTINUE feliz!

Insana disse...

Perfeita postagem.

bjs
Insana

Borboletas nos Olhos disse...

Peterson, o li e amei é sempre bem vindo, principalmente quando qualificado depois como você sempre faz. Adoro suas visitas e já me sinto em uma mesa de botequim conversando com você. Um beijo

Insana, sua generosidade é que é imensa. Bjs

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