
Quero minha cidade onde eu sei tudo que eu quero saber: onde cobrir um botão, onde comprar papel laminado, onde consertar um sapato. Quero todos os cinemas perto. Quero minha cidade de sinucas e conversa jogada fora no pé do balcão. Quero os bares de sempre. Quero os restaurantes de nunca. Quero a praia com jeito de meu quintal. Quero me lambuzar de caranguejo. Quero ir ao Mucuripe e comprar cinco quilos de camarão. Quero ser aquela eu. Só que de cabelo curto. Quero ir ao Teatro Celina Queiroz. Ao José de Alencar. Quero farrear na Casa Alheia. Quero fazer compras no Mercado Central. Quero ser bairrista. Quero meu mar azul e verde e azul numa variação de belezas que estão nos meus olhos.
Eu sei que eu sou a própria mão. Eu sei que eu sou minha própria casa. Eu sei que o cheiro conhecido é o meu. Eu sei que só eu sou meu fim da estrada. Eu sei que sou meus pontos de referência, minhas placas, minhas esquinas íntimas. Eu sei. Mas e daí? Não se faz uma canja com um saber. Não se gela uma cerveja com um saber. Não se sente um abraço com um saber. Um saber não é uma língua outra na minha boca. Um saber não é o barulho de carros lá em baixo e nem o riso de gente conhecida cá na sala. Um saber não é.
De qualquer forma, de alguma forma, sempre há alentos. Como um cumprimento gentil (tema de um post em gestação: as mais fofas cantadas e os elogios mais comoventes já recebidos por esta Borboleta gabola). Ou os homens. Sabe, eles surpreendem. No desejo inesperado do camarada fofo, nas lembranças doces de uma voz estrangeira, nas quase indecências de um anseio além-mar, na possibilidade suave do moço bonito. Eu nunca disse porque ele é bonito, disse? Ele é tão sério. Tão diferente do meu muito riso. E ele é repentinamente doce. Mas também seco. Ele parte. Ele sabe ficar. Ele ainda não é. Nem, talvez, venha a ser. Mas me faz bem, tão bem.
E, claro, perguntinha básica: já votou? Já vai começar a quarta fase. Vai lá, vai.
11 comentários:
Oi, Luciana
Huumm... homesick. É engraçado esse negócio de um lugar da gente. Porque nem sempre é óbvio. Às vezes queremos porque queremos, não porque o lugar seja melhor em nada... bom, divaguei. Estou aqui pensando se um dia ainda vou mudar de novo. Ou se virei planta. Viajei.
Beijo
Rita
Ai amiga... me identifico tanto com teu banzo! Sei que ainda tenho muito a conhecer e desvendar desta Holanda, mas queria tanto meu Cearazim de volta!!! Sei e sinto, extamente, o que descreveste...
P.S.: Mas, não dava pra não mangar, né, amiga! Desengonçada como tu és, fazer um banheiro de vidro... Era engraçado! kkkkkkkkkkk
Mas até que tu nem o pususte a baixo!
beijos
* puseste.
ai, que bom ler esse post. quer dizer, sinto muito pela sua situacao, mas eh que o post traz conforto a quem partilha dela. "Quero minha cidade onde eu sei tudo que eu quero saber: onde cobrir um botão, onde comprar papel laminado, onde consertar um sapato". pois eh! hoje me vi querendo tirar uma simples xerox e nao sabia onde. em JP, conheço, sei la, mil lugares onde eu possa fazer isso. me vi muito nesse post: depois que a novidade passa, sobra a saudade...
Tenho uma má notícia para você: uma vez expatriado, estrangeiro para sempre. As pessoas mudam, as cidades também. O clima jamais será o mesmo e quando você estiver em um lugar, vai sentir falta do outro. Desista agora ou torne-se cidadã do mundo. Sem arrependimentos.
Quando as borboletas chegam aos meus olhos, normalmente acabo pensando em coisas adormecidas... Minha Pomerode, que saudade de casa!!!
Que descricao a sua hein??? Me levou a um lugar maravilhoso, depois veio a saga e um final apaixonado porém com os pés no chao...Obrigado pelo texto ...
E eu? tenho saudades de você!!!!
Eu hoje quero um canto pra chamar de meu sem ninguém pra chamar por mim. Gostei do nome disso "banzo". rs
Bacio carissima
Ai Lu, banzo não combina com você. Sinta-se abraçada mil vezes.
Sobre o banzo
Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
— Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras
Debaixo dos laranjais!
Sobre a ultima parte do Post
Ele vinha sem muita conversa, sem muito explicar
Eu só sei que falava e cheirava e gostava de mar
Sei que tinha tatuagem no braço e dourado no dente
E minha mãe se entregou a esse homem perdidamente
Um cheiro
Alex Ramos
Rita, não viro planta nem pedra que rola. Não crio lodo, mas esverdeio. Fazer o que? E divague aqui, é tão bom...
Hg, como disse a Rita aí em cima, nem melhor nem pior, mas é o que a gente quer...e pois é, fui resistente e mantive-o intacto.
Casomeesqueçam...você sempre me faz tão bem! Fico feliz de ter dado algum conforto. Bjs
Allan, acho que sou cidadã de outro mundo. Estrangeira na terra.
Peterson, sempre celebro sua visita, pois seus comentários são tão lisonjeiros e perspicazes. Um beijo
Dani, a recíproca...
Lunna, sentimento feito frase na mais perfeita compreensão. Bjs e bjs
Belos, estava com saudades! Senti seus abraços e já fiquei um tantinho melhor...
Alex, perdoe-me ter pulado você nos comentários de ontem. Agradeço duplamente hoje sua presença carinhosa e seus comentários sempre inspirados. Bjs
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