terça-feira, 10 de agosto de 2010

Sobrou Pra Mim

Eu ainda estava decidindo sobre o tema deste post: viajar? livros ao pé da cama? a ansiedade por conhecer o Rafa? as virtudes de um fim de semana em Canoa? Fui atropelada. Pra quem não sabia - inclusive eu mesma - este semestre lecionarei Psicologia Jurídica. Oui, c'est vrai! Psicologia Jurídica. Claro que fiquei sabendo no conveniente prazo de uma semana antes do primeiro dia de aula. E, claro, que nunca, nunquinha, estudei nem lecionei nada parecido com isso, mas quem se importa? Se eu sou Bacharel em Psicologia e professora em estágio probatório, que resta fazer? Pedi uma alternativa em Metodologia (que eu poderia me sair mais do que bem). Nem pensar, choque de horário. Assim, todas as alternativas/idéias foram se esconder no cantinho e eu fiquei pensando na vida (ou seja, me perguntando como cargas d'água eu vou fazer pra dar conta e realmente contribuir com estes alunos, tadinhos).

A primeira solução aventada: fazer uma lista de filmes de "O Médico e o Monstro" até "Psicopata Americano", passando por "O Iluminado". Assim, apresentava um por noite e estava (quase) tudo resolvido. Mas não creio que satisfaça o programa (embora como metodologia de ensino fosse muito satisfatória).

A segunda solução foi vender tudo e partir pra Cordilheira dos Andes, mas meu filho recusou a viagem porque está se preparando pros jogos interclasses na escola dele.

A terceira - e mais cara - é passar mais tarde na Siciliano e fazer a aquisição de todos os livros que encontrar sobre o assunto e devorá-los. E, depois, divertir-me nos periódicos da CAPES buscando artigos que me auxiliem a desvendar esse obscuro mundo.

Eu gosto, realmente gosto, da Universidade. Gosto de fazer pesquisa, gosto de publicar, apresentar textos nos eventos. Gosto de fazer extensão, de facilitar que o fazer do aluno seja uma aprendizagem e uma ação resultante de reflexão e senso crítico e que a comunidade ensine e aprenda conosco. E gosto, sim, muito, tanto, do Ensino. Gosto de preparar aula. Gosto de interagir com os alunos. Gosto muito desse processo. Mas, pô, Psicologia Jurídica?


Mas, como nada se perde, pra ficar no tema resolvi reler Diário de Um Ladrão. Eu gosto de Genet. Claro que é estranho. Algumas vezes, doloroso. Mas quanta poesia. Ele diz assim:

A roupa dos forçados tem listras rosas e brancas. Se, comandado pelo meu coração, universo que é o meu deleite, eu a elegi, tenho pelo menos o poder de descobrir nela os numerosos sentidos que desejo: existe, pois, uma estreita relação entre as flores e os forçados. A fragilidade, a delicadeza das primeiras são da mesma natureza que a brutal insensibilidade dos outros. Se eu tiver de representar um forçado – ou um criminoso -, irei enfeitá-lo com tantas flores que ele mesmo, desaparecendo debaixo delas, há de parecer uma outra, gigantesca, nova. Na direção do que se chama o mal, eu vivi por amor uma aventura que me levou à prisão. Embora nem sempre sejam belos, os homens votados ao mal possuem as virtudes da virilidade. Por si mesmos, ou pela escolha feita para eles de um acidente, eles se afundam com lucidez e sem queixas num elemento reprovador, ignominioso, igual àquele, se for profundo, em que o amor precipita os homens. Os jogos eróticos desvendam um mundo inominável que a linguagem noturna dos amantes revela. Essa linguagem não se escreve. Cochicha-se de noite, ao ouvido, com voz rouca. De madrugada está esquecida.



E, no âmbito musical e recordando as palavras noturnas e madrugadeiras, vou ficar escutando Bad Things...

Eu quero fazer coisas más com você
Quando você entrou o ar foi embora
E toda sombra se encheu de dúvida
Eu não sei quem você pensa que é
Mas antes que a noite acabe,
Eu quero fazer coisas ruins com você.

Eu sou do tipo que fica acordado a noite inteira em seu quarto
Coração doente e olhos cheios de tristeza
Eu não sei o que você fez comigo,
Mas eu sei que isso é verdade:
Eu quero fazer coisas ruins com você.

Quando você entrou o ar foi embora
E todas aquelas sombras ali se encheram com dúvidas
Eu não sei quem você pensa que é
Mas antes que a noite acabe
Eu quero fazer coisas ruins com você.
Eu quero fazer coisas realmente más com você

Eu não sei o que você fez comigo,
Mas eu sei que isso é verdade:
Eu quero fazer coisas ruins com você.
Eu quero fazer coisas realmente más com você.


E, por fim, sem nenhuma relação com nada a não ser com minha inquietação...onde está você? Onde estão seus beijos, seu riso, suas quase promessas? Onde estão suas histórias, seus filmes, suas imagens? Onde está você, além de aqui, na minha invenção de mim e de você em mim?



7 comentários:

Gabriella M. disse...

Ainda bem que só começo no próximo ano. Até lá espero que já esteja preparada! kkkkkkkkk
Adorei o rumo que o post tomou. Beijos!

Rita disse...

Você vai tirar de letra. Boto fé.

Alunos de sorte.

Bj
Rita

Rafa disse...

Confesso que a simples menção da palavra "jurídico" me amedronta. Mas agora é hora de buscar aquela energia (que vc tem) e ir à luta. Te espero sexta! Quanto à carta.. o que dizer??? Bj

HGlauce disse...

Bicha linda... Olha o drama!!! Vc adora desafios... é pra ler toda a bibliohgrafia?! Tudo bem, vc lê! Ah... doida pra ir pro RJ tb!!! ôoooooo inveja branca! rsrsrsrsrs
Onde está vc?
Saudade!

Dançarina disse...

Coisas que só a Universidade proporciona: "ai de quem sabe, há de pagar a pena de ter sabido pouco!"...
Para mim foi Psicologia e Odontologia! E só tem um livro no mercado... ou seja, vai ser ótimo! Bjssss

S. disse...

Fofolete, gosto da idéia da cordilheira dos andes. mas dá para ser depois do dia 23? sabes pq né?
divirta-se horrores no rio. absio por novidades.
beijinhos e mais beijinhos

Borboletas nos Olhos disse...

Gabi, voce nem imagina o que lhe esperaria se nos encontrássemos lá...

Rita, eu e você, Pollyanas sempre...

Rafa, ja cheguei daí, então minha resposta aqui é: saudade!!!

HG, vou escrever tudinho lá no outro blog. Também sinto sua falta.

Dançarina, ensinei Psicologia e Odontologia. O Gustavo tinha dois livros bem úteis.

S, desisti das Cordilheiras. Vou pedir acompanhamento de cônjuge pro Rio. Só falta achar o cônjuge, claro.

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