domingo, 22 de agosto de 2010

Se a Canoa não Virar...Enquanto Visito Mortos

O espírito é bem de musiquinha infantil, ou seja, perverso e feliz: se a canoa não virar, olê, olê, olá, eu chego lá...

Primeiro Movimento
Tem alguns lugares onde eu devo ter enterrado meu umbigo. O Rio de Janeiro é um deles. Matera é outro. E, este fim de semana, confirmei o que já suspeitava: Canoa Quebrada definitivamente é parte de mim. Eu já disse muitas vezes que concordo com a afirmação: perto de muita água, tudo é feliz*. E como tem mar em Canoa! Quando chego lá parece que fico mais bonita, tenho mais dentes no riso, tenho mais riso nos dias, o olho brilha, dá vontade de saltitar, valsar, rodopiar. Poxa, uma vilinha que se dá o desfrute de ter uma rua chamada Broadway só pode ganhar minha imaginação. Eu não sei explicar bem, mas parece que meu ar conservador se sente compensado por estar, simplesmente estar, no meio da muvuca. Gosto de tudo em Canoa: de ver gentes de muitas idades, muitos estilos, muitas etnias, muitas vontades. Gosto da miscelânea de gostos e gosto do incrível amor à noite e à farra que assalta qualquer um que chegue por lá. Pois foi Canoa com duas amigas e o coração em festa. Muitas mudanças. Não tem mais o Bar do Meio, reduto das minhas alegrias e do corpo - desengonçado - em movimento livre que alguém mais generoso poderia chamar dança. A Broadway não é mais de barro. Mas, quando sopra o vento, tudo fica no seu devido lugar e eu só quero ver a noite virar dia e o dia voltar a ser noite. Tem um nascer do sol que dá a maior vontade de partilhar e a coceirinha de mandar mensagem dizendo: acorda, vai pra rua ver o que eu estou vendo, nem sempre é dominável. Tem personagem de livro Bianca falando em espanhol no meu pé do ouvido porque me julgava espanhola ou árabe. Devem ser os olhos tristes e morenos. Tem luau com reggae que a preguiça não me deixa ir ver. Tem conversas animadas sobre serelepe, remanchar, espilicute, gaiato. Tem vinho em copo americano. Tem sinuca e jogo de dardos. Tem vagar por ladeiras, madrugada adentro, sem medo, sem pejo, sem sono. Tem pensar em quem não está, pensando: e se estivesse? Tem música em todo lugar, especialmente dentro da gente. Minha alma canta, como diria Jobim.



Enterrando Palavras
Estou, contente, de visitar outra vez meus queridos mortos, no ainda mais querido cemitério. Na verdade, visitar não, hospedar-me. Ou, pelo menos, hospedar palavras. Deixá-las lá, onde foram tão bem acolhidas. Uma story, short em suas intenções. Humilde. Um pouco tola. Surgida da vontade de dar voz às unhas que, tal qual as minhas por esses dias, andam vermelhas. A estorinha veio dessa imagem aqui:


A audácia de enviar as palavrinhas encadeadas veio da extrema gentileza peculiar aos mortos. Eu, se fosse você, dava uma de alma penada por lá, onde encontram-se enterrados ilustres e onde de Ford a incríveis Joanas, tudo se dá a conhecer.


Últimas Palavras
Eu peco pelo excesso, aviso logo. Chego em palavras demais, vezes demais. Há uma urgência em mim que eu supunha da certeza de morrer jovem, como Carmem. Não morri, mas a ânsia ficou. Reclame, proteste. Diga: pare. Se quiser. Sou obediente. A não ser, claro, quando não sou. Mas, se quiser saber um pouco mais, ouvir um pouco mais, escute aqui.


7 comentários:

Danielle Martins disse...

Hoje, só posso dizer que você é linda! como queria estar em Canoa...

Nanica disse...

Eu tambeeeeeeém! Ai que saudadeeeeees!!!

HGlauce disse...

Me leva....

S. disse...

ai...ai...
rsrsr

Insana disse...

Bom hem rss

bjs
Insana

Borboletas nos Olhos disse...

Dani, dia 24 está aí pra isso mesmo...

Nanica, não mente que é feio, tu tá é toda satisfeita amancebada no Cariri...

HG, pega o avião, é pertinho sua buchuda...

S., só posso repetir: ai, ai...

Insana, bom? não, ótimo, rsrrs

Turmalina disse...

Ah...mas é sempre melhor pecar pelo excesso do que pela falta :o)

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