sexta-feira, 2 de julho de 2010

Quem for louco ou for poeta...

Esta semana fui visitar minha casa. Ainda longe o dia que levarei meus trapinhos pra lá e serei feliz para sempre plantando meus amigos, meus discos e livros. Este é um ano de aprender a esperar. Sinto-me como Pedro Pedreiro, esperando a festa, a sorte, esperando a morte e, principalmente, a casa encantada. Não tem sido fácil, eu quero o mundo - e um pouquinho mais - na fração de segundo que vivo. Pronto: agora!

Eu gosto de fazer planos, como gosto de fazer listas. Organizam um pouco o meu caótico pensar. Já imaginei vezes sem fim ( e até escrevi aqui) como será a alegria de não ser mais uma exilada. Uma sem-teto. Sei que pareço exagerada, dramática (o importante é ter saúde...) mas eu sinto uma falta danada dos meus livros, de ter minha cozinha e meus temperos, de receber os amigos.

Mas, por agora, um alento: o cafofo. Como disse ontem, um pouco mais espaçoso, muito mais acolhedor, dá até pra receber visita sem precisar sair um dos moradores. O que mais gosto na mudança? Mudar. E achar aquela coisa que faz tempo que você não vê, não sabia onde estava e, às vezes, já tinha até esquecido que gostava tanto. Detesto: encaixotar. Nada cabe em canto nenhum ou sobra espaço nas laterais e fica sacolejando. Mas tudo bem, passa o tempo tic-tac, tic-tac passa hora... um dia chego lá na minha banheira cheinha de espuma, na minha espreguiçadeira de frente pra lua, nas minhas panelas de bronze, nos pratos de barro, nas almofadas na sala, nas pessoas na cozinha, no quintal, no quarto, em meu coração...

Minha casa já é assim no meu coração (procurei no youtube, mas estou desolada, não encontrei):

A casa escancarada a lua ali
Meu cachorro nunca morde
Meu quintal tem sapotí
tem um roseiral crescendo lindo
Quem for louco ou for poeta
Pode entrar seja bem vindo

Aqui passa o bonde da Lapinha
Passa a filha da rainha
Passa um disco voador
As vezes ele gira para e pisca
Como quem quase se arrisca
A parar pra conversar

Mas não me sinto só tenho um vizinho
Que é um bebado velhinho que acredita no destino
Ele mora em cima do arvoredo
Ele tem muitos brinquedos
Ele sempre foi menino

Agora se voces me dão licença
Eu vou ver um passarinho
Que me chama no quintal
Depois vou me deitar para sonhar
E dançar com a cigana
Que eu perdi no carnaval

5 comentários:

Hertenha Glauce disse...

Que linda escolha!!!
Adoro PODE ENTRAR!
Que música linda.... até deu vontade de voltar pra casa!!!
snif, snif, snif

Borboletas nos Olhos disse...

Também a-m-o esta música...

Borboletas nos Olhos disse...

Também a-m-o esta música...

Contra a Maré disse...

Como eu disse no mês de março:
-Só sai em agosto!
Apostei em agosto, será que acerto?

P.S. A gosto do pedreiro!

Borboletas nos Olhos disse...

Exato, amigo, a gosto do pedreiro...mas de sofrimento em sofrimento, de privação em privação, eu chego lá...

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