sábado, 17 de julho de 2010

Minha Música ou Trilha Sonora para o Amor

Sem preguiça de ler...

Tem um filme meio bobinho que eu gosto um bocado: Colcha de Retalhos. Eu estava assisitindo e achando aquilo tudo muito insosso até que - em uma inesquecível cena (eu vou contar, viu? quem não quiser não leia) - uma das doces senhoras descobre que a outra não tão doce matrona ficou com seu homem, tempos e tempos atrás, e sai quebrando todos os bibelots colecionados por anos a fio. Normal. Muita dor. Palavras duras. Coisas assim. A beleza vem agora: um painel, feito madrugada adentro, com todos os fragmentos dos objetos quebrados. Quando eu vi aquilo, engasguei. Amar é isso. Viver é isso. Fazer beleza do que rompe minha noite escura. Juntar esses pedacinhos sem sentido e dar-lhes uma beleza outra, um sentido outro, fazer-me dos fragmentos das minhas estórias.

Ok, kátia, mas o post não ia ser sobre música? E é. Ás vezes sinto meu coração como uma bricolage de dizeres alheios que fiz se tornarem meus. Que fiz se tornarem eu. Explico. Estava conversando com uma amiga, ontem, e aí ela disse: essa música parece com Fulano (e a outra com Beltrano e a seguinte com Sicrano que somos mulheres com trajetória, claro). Percebi que com grande parte das minhas amigas acontece assim: uma música, um lugar, um filme que são experenciados em determinado romance tornam-se elemento daquela história. E me deu uma inquietação de pensar que comigo não. Eu tenho minhas músicas, meus lugares, meus filmes e os romances se juntam a estes elementos e, quando partem, os mesmos filmes, lugares e músicas servirão ao novo romance. Não sei se expliquei bem, mas é mais ou menos assim: então tá combinado é quase nada, é tudo somente sexo e amizade, não tem nenhum engano nem mistério é tudo só brincadeira e verdade...esta trilha já me serviu em pelo menos quatro inícios de relacionamento. Continuo gostando e, quando penso nela, não penso nos queridos passados, mas se devo ou não enviá-la pro meu atual ponto de interrogação. Ou ainda: eu sem você não tenho porque, porque sem você não sei nem chorar, sou chama sem luz...eu já fui jardim sem luar um montão de vezes se formos considerar os cartões de aniversário, dia dos namorados, dia do amante, etc. que já enderecei. E quando me apaixono, não importa por quem, é sempre: tá tudo aceso, tá tudo assim tão claro, tá tudo brilhando em mim...E, depois do primeiro beijo, lá vem: de repente fico rindo à toa, sem saber por quê e vem a vontade de sonhar, de novo te encontrar. E pra reclamar com os amigos: ah, esse cara tem me consumido, a mim e a tudo que eu quis...E o meu homem atual é sempre: o meu amor é bonito de se ver, de se tocar e sentir...ou...o meu amor tem um jeito manso que é só seu e que me deixa louca quando me beija a boca. Pra pedir desculpas: eu sei que eu tenho um jeito meio estúpido de ser e de dizer coisas que podem magoar e te ofender...E se já não dou conta do meu desejo me pergunto: o que será que será que dá dentro da gente que não devia, que desacata a gente, à revelia, que é feito estar doente de uma folia...E ao me sentir em dúvida ou solidão, lá vem: tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu...E eu sempre aviso: olha o tempo passando você me perdendo com medo de amar...

Enfim, poderia passar horas escrevendo trechos de canções que me acompanham solenemente de amor em amor, de caso em caso, de relacionamento em relacionamento...mas já deu pra entender. A minha questão é: só eu sou assim? Quer dizer, cada relacionamento deveria ter um roteiro e uma trilha únicos e especiais e eu baldeio tudo nessa minha mesmice sonora? Se eu deixo tudo no canto: grande amor, grandes diálogos, trilha sonora, elementos de cena, figurino e só vou mudando o protagonista, eu os amo menos por isso? Eu deveria amar um de cada jeito? Mas eu não sou uma única, não será único meu jeito de amar? E, principalmente, fica muito feio mandar dizer:

Eu gosto de ser mulher, sonhar arder de amor desde que sou uma menina
De ser feliz e sofrer com quem eu faça calor esse querer me ilumina
E eu não quero amor nada de menos dispense os jogos desses mais ou menos
Prá que pequenos vícios se o amor são fogos que se acendem sem artifícios (...)
Minha vida me alucina é como um filme que faço
Então eu digo amor chegue mais perto e prove ao certo qual é o meu sabor
Ouça meu peito agora venha compor uma trilha sonora pra o amor
Eu gosto de ser mulher que mostra mais o que sente o lado quente do ser e canta mais docemente


Aguardo pitacos, conselhos, cartas (olha aí meus correspondentes), depoimentos e qualquer coisa que lhes passar pelo juízo...


6 comentários:

Hertenha Glauce disse...

Eu também! Eu também! Eu também!
Claro que as trilhas nos acompanham, independente do homem... Elas dizem o que queremos dizer. Não importa se queremos dizer a mesma coisa pra pessoas em momentos diferentes...
"por tanto amor, por tanta emoção, a vida me fez assim..."
Meu beijo presente, nunca ausente!

S. disse...

Ai, amiga, esses nossos corações que nasceram para amar demais...
Amo-te.
E tenha que fé que a cartinha chega. Beijinhos fofos.
P.S: A palavra para ser verificada abaixo é importo. acredita? eu sim e me importo.

Turmalina disse...

Eu gosto das músicas, eu compartilho, mas nunca elegi uma música específica para esse ou aquele momento ou amor.Sei lá, acho que elas são muito minhas...rss...

Borboletas nos Olhos disse...

Turmalina, amo passear no seu blog e ver as músicas que voce partilha...

S., to esperando a cartinha e eu tb me importo...

HG, concordo, concordo...

Gilson Junior disse...

Bem, as músicas sempre são nossas, as compartimentações ou não idem,a lógica de classificação diz muito sobre o como talvez as relações refletem as pessoas.

Tenho por teoria que quem entende a canção como algo seu, que obviamente é flexível no adaptar-se a cada mor, até porque muitas vezes amamos numa "linha de atuação", tende a amar de forma mais inteira a todos, por entregar-se, inclusive pela canção, e procurar entender o outro de forma inteira, de forma até a ver em muitos canções que às vezes se tocam.

Gilson Junior disse...

Bem, as músicas sempre são nossas, as compartimentações ou não idem,a lógica de classificação diz muito sobre o como talvez as relações refletem as pessoas.

Tenho por teoria que quem entende a canção como algo seu, que obviamente é flexível no adaptar-se a cada mor, até porque muitas vezes amamos numa "linha de atuação", tende a amar de forma mais inteira a todos, por entregar-se, inclusive pela canção, e procurar entender o outro de forma inteira, de forma até a ver em muitos canções que às vezes se tocam.

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