quarta-feira, 7 de julho de 2010

Madrugada

Não se pode esperar muito deste post. É tarde. Estou cansada. Quero escrever bobagens, não dizer coisa com coisa, tergiversar. Quero escrever poesia alheia: poderia escrever os versos mais tristes esta noite*. Quero fazer confissões, dizer: estou ouvindo Dolores Duran cantar A Noite do Meu Bem e a seguir Bethania cantará Cavalgada e eu ficarei corada. Quero me proteger das coisas que escreveria se não escrevesse este post. Eu quero escrever em negativas: não quero, não espero, não posso. Quero escrever a lápis, a ferro e fogo. Quero dizer: o Cazuza morreu**, faz tempo, mas ainda faz falta. Drummond, eu ainda confundo falta e ausência***. Ainda tenho vontade de perguntar: porque você não veio, mesmo sabendo que a resposta não me dará o que eu queria: a arte do encontro****. Quero recitar de trás pra frente. Quero me saber em você. Nos seus olhos. Quero que o tempo seja esse. E quero receber o que vais mandar.

*Pablo Neruda

**07 de julho de 1990

***Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

****Vinícius de Moraes

7 comentários:

Hertenha Glauce disse...

O seu post, mesmo de madrugada, mesmo cansada... não tem nada de bobo, e você bem sabe!!!
É Cazuza faz falta, sim:"invento desculpas, provoco um briga, digo que não estou..."

Rafa disse...

É uma sabida idiotice mas vou repetí-la pela milésima vez: poetas não deviam morrer.. fodam-se ossantos eu quero os poetas sempre vivos. Bj

Borboletas nos Olhos disse...

HG, eu estou boba mesmo, a madrugada e a ansiedade não são boas conselheiras...o tempo da espera nunca foi meu tempo certo.

Rafa, eu sempre fico vermelha quando digo palavrão, mas tenho que concordar...f****-se.

Belos e Malvados disse...

Cazuza sempre fará falta. (E sobre essa vontade de escrever poemas alheios, um antigo professor meu dizia que quando a gente sente isso, de uma certa forma, também os escreveu. Não sei se ficou claro, mas de qualquer maneira a gente sempre reinventa tudo que lê mesmo).

Hertenha Glauce disse...

Nem sei se foi intencional ou se te apercebeste... mas ontem, dia 07 de julho, fez 20 anos da morte do nosso Cazuza. E ontem, 20 anos após essa terrível morte, Ezequiel Neves, o produtor que lançou Cazuza, morreu!
"mentiras sinceras, me interesam..."

Hertenha Glauce disse...

Corrigindo...
* interessam.

Borboletas nos Olhos disse...

Belos, eu concordo, isso me vem quando estou precisando me rever...

HG, eu sabia a data da morte do Cazuza e depois vi no noticiário a morte do produtor.

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