"Nestas impressões sem nexo, nem desejo de nexo,
narro indiferentemente a minha autobiografia sem fatos,
a minha história sem vida.
São as minhas confissões, e,
se nelas nada digo,
é que nada tenho que dizer".
Acontece. A linguagem é um território estranho mesmo. A semântica se assemelha a um castelo de espelhos em que formas desproporcionais assombram minha noite. Eu entendi que. Mas não. E eu, que estava quieta e nada sofria, agora sangro. É rubro, eu já nem lembrava, é rubra a dor. Não me pergunte qual dor...embaraço? constrangimento? frustração? insatisfação? Não sei. Ir com muita sede ao pote, dizia minha vó. Agora fez um sentido imenso. A sede parece não ter fim e demasiado ímpeto consegue, no máximo, partir o pote em pedaços como se uma coração fosse. E era, talvez. Eu já não vou saber. Mas eu sou assim, a intensidade me acompanha. Não sei querer a não ser com voracidade. Com sangue nos olhos. Eu só sei querer assim: com suave verdade. Transparente. Sem jogos. Sem paciência, talvez. A linguagem, digo e paro, o sentir incerto. Sempre meu refúgio, a linguagem agora me traiu. Iludiu. Velou os olhos e abriu o portal dos desejos. Mas é, ainda, pra linguagem que retorno, com Clarice - aqui, nesta seara, Adélia já não pode me valer - e com Clarice digo: "não tenho medo nem de chuvas tempestivas, nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite"
E, se nada disso bastar, digo como Almodóvar lhe diria: Fale com Ela. Ou, ainda, digo como eu mesma diria: Ata-me. Nunca se sabe o que vai deixar a Carne Trêmula.
Um adendo ao fim da tarde...
6 comentários:
miga, miga. Amú, tú, tatú.
Ah... Clarice! Minha mãe... eu mesmo.
P.S. Bora agitar este encontro aqui? Anota aí meus tels: (21) 3734-3917 e (21) 9694-1364. Vc vem hj? Vou pra Lapa à noite se não chover. Bj
Neste teu belo texto existe a fragilidade duma borboleta, mas também a leveza e graciosidade do seu voo...
BeijOOO
AL
Tenho muitos motivos para gostar de Florbela. Levei-a comigo, hoje, ok?
Bjos
Botando as respostas em dia:
S, também te amo,
Rafa, tudo anotado;
Poeta, obrigada pela visita e pelo elogio, corei...
Turmalina, leve o que quiser, a casa é sua...
Que venha a vida, mesmo que tarde, mas que venha certa, pois o que descobre e fere, não basta. Que venha tudo que importa, para melhor, que seja, a menos que importe menos a vida que a tristeza da maldade.
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