quinta-feira, 22 de julho de 2010

Dependência...

Parte I - Sou uma mulher dependente. Não emocionalmente nem financeiramente. Quando quero comprar ou realizar algo, eu mesma me endivido, não preciso de homem pra isso. E, quando estou num relacionamento, me entrego, me mostro, me dou (eu sei que deveria ter feito ênclise, mas é que fica feio e perde o ritmo). Acabou o relacionamento? Então tá, bola pro mato que o jogo é de campeonato. E anda a fila. E isso não significa nem por um momento que ele não é o homem da minha vida naquele momento...significa apenas que ouvi muito A Estrada e o Violeiro quando era mais moça.
Bom, de que dependência eu estou falando, então? Eu sou dependente geograficamente. É isso aí. Eu confundo direita e esquerda. Quando tenho namorados, eles sempre parecem saber direitinho pra onde querem ir. Ou, pelo menos, pra onde querem me levar. Okay, eu sei, você sabe, é pra cama. Mas, poxa, pelo menos eles parecem saber onde ela está. Eu não sei onde está nada, principalmente lugares que parecem mudar de canto só pra me confundir. Aprender nome de rua, ponto de referência..oh, Lord. Claro, quem me conhece pessoalmente sabe que sou um desastre andante, então se ele puder trocar pneu, consertar torneiras e cuidar do jardim é um plus válido, mas não indispensável, afinal eu tenho mastercard e visa. Mas, na minha cidade, taxista não aceita cartão e, ainda mais, eu tenho um fiat. Assim, estou na dúvida se me assumo uma mulher totalmente independente ou escolho outra dependência mais bobinha e charmosa e troco por esta.

O certo é que uma das coisas boas que eu acho de ser eu é puder rir dessas minhas bocozices. Outra coisa boa é perceber minhas segundas intenções (quanto às terceiras ou quartas já não me responsabilizo).

Mas essa coisa de dependente, independente, Pedro I e afins derivam da gravidez da minha amiga. Oui, ela está espernado um sobrinhozinho ou sobrinhazinha que eu vou esquecer o aniversário, não vou saber segurar direito e vou marcar várias visitas pra conhecer, perder-me e encontrar, encontrar mesmo só na formatura...

Pois é, linda e alegremente grávida. Só que ela mora em um país de língua estranha - que ela desconhece inteiramente. E ela está fazendo mestrado, logo não pode trabalhar. Mas ela não depende. Não depende dele e do seu conhecimento da língua. Não depende da língua dele na dela. Não depende do dinheiro dele. Não depende das palavras dele. Não depende. Ela ama. Ela aceita o que lhe é dado e aceita com graça e beleza. Sua barriga crescerá. Seus sonhos crescerão. O amor se espalha. E ela permance tanto mais ela mesma quanto mais se dá a ele. Ela mostra: não depender não significa não estar. Não significa não precisar.


Parte II - Agora temos Rádio Bethania no Borboletas. Aqui, do lado. De vez em quando vou mudar o vídeo e ali ao lado você encontra letra, compositores, disco original e porque eu gosto da canção.

8 comentários:

Danielle Martins disse...

Sou dependente, vão me prender?!!!
Sou dependente do amor, das amigas, de ler seus blogs todos os dias!
Beijinhos!

Gabriella M. disse...

AEUHAUEAUEHAUEHAE, eu sou dependente também! Sou demais!
E é quem eu to pensando que tá grávida? A que tava "semi-grávida" naquele dia? aiii que legal!

HGlauce disse...

Feliz, Feliz, Feliz, Feliz, Feliz...

Rita disse...

Oi, querida. Eu NUNCA sei para onde ir. Eu SEMPRE me perco e preciso ir várias vezes ao mesmo lugar para aprender o caminho. Eu sou tonta.

Mas nem por isso a gente fica parada, né?

Bjs..
Rita

Rafa disse...

Nossa.. este é um assunto que eu não posso comentar, achei que pudesse, mas não...
Eu me perco muito, mas descubro coisas encantadoras e depois, me achar á ainda mais fantástico.
Vou ter que ouvir depois a rádio.. por ora, Sarah Vaughan. Bj!

Angélica disse...

Ow menina linda!

Borboletas nos Olhos disse...

Dani, "o amor não é um vício, o amor não é um ócio, (...) o amor é sacerdócio"

Não Gabi, a semi-grávida estava totalmente errada...era outra a felizarda!

HG, e eu num sei?

Rita, nunca paradas...que graça teria?

Rafa, Sarah tá ótimo pra mim...e se perder e se achar e tudo aquilo que é viver é muito, muito bom, né não?

Angélica, pense numa recíproca verdadeira!

Lou Albergaria disse...

Seu texto é muito gostoso de ler! Você dosa como poucos a ironia com a sinceridade, razão e sensibilidade...muito bom!

Parabéns! Admiro muito quem sabe escrever com essa desenvoltura e charme...

Tenha um maravilhoso final de semana!

Adoraria ler todos os seus textos, mas agora estou sem tempo, mas voltarei com toda certeza. Você escreve com uma leveza e ao mesmo tempo chama a atenção para a reflexão, mas de forma muito leve, sem dramas, isso é uma grande arte!

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...