quarta-feira, 21 de julho de 2010

Casa de Bamba e Enterrando Palavras

Na minha casa, todo mundo é bamba
Todo mundo bebe, todo mundo samba..
(...) Se tem alguém aflito, todo mundo chora
Todo mundo sofre..
(...) Mas se tem alguém cantando
Todo mundo canta, todo mundo dança,
Todo mundo samba e ninguém se cansa
Pois minha casa é casa de bamba.


Essa é a minha casa. Essa é a minha vida. Algumas pessoas me perguntam: poxa, borboleta, tu ri o tempo todo? Rio. Rio mesmo. Quem se criou em casa de bamba não pode ser de outro jeito. Eu não tenho recordações de fatos, acontecimentos, coisas assim. Minha infância é uma lembrança sensorial e emocional de conforto, alegria, satisfação, tranquilidade, prazer. Casa de bamba.
Nós falamos muito. E de tudo. E sempre. E ainda tem aquela conversa séria tocada por muito riso, fim de ano, todo mundo na sala e cada um diz seus planos pro ano que vem: ter filho, fazer doutorado, trocar de carro...e todo mundo se mete! Dar pitaco é o nosso esporte.
E fazemos monturo. Assim: dia de festa, churrasco, casa cheia de visitas, cansaço já no fim de tarde, um deita na cama da mamãe, daqui a pouco outro, outro, outro e quando prestamos atenção estamos os quatro juntinhos, convidados abandonados e lá vem minha mãe entre o riso e a bronca: tenham jeito de gente!
Paquerar, então, nunca, nunca. Se saímos juntos, conversamos tanto, divertimo-nos tanto, que lembrar de olhar pra outras mesas nunca me ocorre. A gente se ocupa fazendo tudo e fazendo nada. Falando de qualquer coisa. Estando em qualquer lugar. Casa de bamba.
Eu amo minha família (tá meio evidente, né?). Eu tenho um irmão que, como eu já falei, cuida, brinca, aperreia, protege. Ele tem o pensamento mais rápido do Oeste. E do leste também. Um irmão que sua presença já é um abrigo. Um abraço. E tenho irmãs. Duas. Uma irmã que pula. Pois é, ela é assim: elétrica. Ela manda em mim. Adoro. Ela manda no mundo, na verdade. Ela se preocupa. Ela ama. Ela sabe ver tudo sem véus. Sem frescura. Ela sempre vai ao essencial. E minha outra irmã? Uau, ela é gênia. E minha marida. E a melhor pessoa do mundo. Ela é boa, boa. Ela aceita. Ela se importa. Ela sabe fazer rir. E sabe confortar. Ela é parcial, está ao meu lado. E sabe tudo de tudo da internet. E de várias coisas mais. E pra ela pode-se dizer tudo. Ou nada. Com ela, tudo é divertido e bonito e interessante.
E eu nem vou falar dos ascendentes e descendente. Não hoje. Mas é todo mundo bamba. E eu aprendi a ser feliz e entregue lá. Eu erro um bocado, eu sei. Mas aprendi a aceitar o amor e isso é bom. Eu aceito ser amada. E aceito amar. Todo mundo canta. Todo mundo dança. Todo mundo samba e ninguém se cansa. Casa de bamba.




Toda Paba no Cemitério Querido
Eu sempre ando por aqui. Fui aprendendo a gostar dos textos, depois da companhia e, por fim, desenvolvendo afeto, amizade, pelos mortos e almas penadas que me inspiram, alegram, comovem, provocam. E, vez ou outra, tenho a honra de enterrar algumas palavras lá. Como essas. Gostei muito de escrever isso. Não sou muito de estórias. Minha paisagem é sempre interior. Mas contemplar o personagem e deixar que ele se imponha...é fantástico. Hoje conversei com um amigo, discutimos a necessidade ou não da palavra obrigada entre os que se gostam, entre amigos. Claro que não consensuamos. Um tanto é por isso que gosto dele, por sermos tão outros juntos. Eu ainda me sinto mais feliz quando digo: obrigada, Joana, pela acolhida.

7 comentários:

Rafa disse...

Deu pra sentir o calor do aconchego desta casa de bamba daqui. Coisa abençoada, neste quesito, devo confessar: Eu sou, apesar de... No cemitério não deu pra passear, não agora. Bj

Fred Caju disse...

Essa semana tava lendo um poetinha e lembrei e você:

AS BORBOLETAS

Brancas
Azuis
Amarelas
E pretas
Brincam
Na luz
As belas
Borboletas

Borboletas brancas
São alegres e francas.

Borboletas azuis
Gostam muito de luz.

As amarelinhas
São tão bonitinhas!

E as pretas, então…
Oh, que escuridão!



Vinícius de Moraes

HGlauce disse...

E eu bem conheço essa casa de bamba!!!!
Bjs

S. disse...

Eu tb quero conhecer a casa de bamba. EU QUERRRRROOOO!!!
E mulher, lindo, lindo o texto nos mortos,.
Beijinhos saudosos

Turmalina disse...

Minha família é pequena, mas aprendi à ampliá-la e os "ajuntamentos" aqui em casa são sempre felizes assim, com todo mundo dando pitaco na vida do outro :o)
Adorei seu texto!!!
Bjossss

Lica disse...

vontade de fazer monturo na cama da minha mãe... tá mais perto que longe o próximo...

Adorei o texto, muito muito mesmo. Voltei mesmo.

Ah, e tu sabe que só falta morrer pra merece entrar nesse cemitério.

Beijos orgulhosos

Borboletas nos Olhos disse...

Rafa, quando der passa lá. Você vai gostar, eu sei...

Fred Caju, obrigada. Eu queria ter sido mulher do Vinícius. Uma das.

HG, conhece e é bem vinda sempre. Bjs

S. obrigada pelo elogio. Se você gostou, já me deixa contente. E você vai conhecer de um por um, ora se vai.

Turmalina, a minha é enorme, só de tipos paternos são 13. E zilhões de primo. Cresci assim.

Lica, no aguardo. E, quem sabe, uma dia eu morro e não escrevo mais é nada.

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