segunda-feira, 5 de julho de 2010

Âmbar

O amor não deixa sobreviventes..
(NR).

Penso que cada um escreve o que pode, como pode. O estilo é senhor do escritor. Eu sou assim. Quando queima a alma não há jeito de sair diferente: sou labaredas de inquietação. Quando eu era menina, escrevi que o que o humano tem de mais belo é a capacidade de ser tanto. Tanto, em quantidade e diversidade. O homem, categoria abstrata, só é quando é cada um de nós, material, real, vivo. Ser humano é difícil. É sofrido. É processo. Mas é lindo. Tão lindo que às vezes dá vontade de chorar e eu me surpreendo chamando felicidade. Ser humana tem sido assim para mim: uma festa onde às vezes falta vinho, falta convidado, falta música, falta o chão. Quando isso acontece se fica tão leve...mas, lembrando Kundera,a leveza é insuportável quando duradoura. Eu quero o chão, o peso da vida, o peso de alguém que me pressione contra a terra e me tire o fôlego. Eu já era histérica como bem se vê.

A histérica arde. E pergunta. E duvida. Shakspeare bem as sabia: “ai! Que de dia o corpo e de noite a alma, por tua e minha culpa, não tem calma”. Eu achava que. Pensava. Supunha. Queria, até. Confusa? Sim, estou. Já não entendo e queria só voltar pra antes do tempo da inquietação. Queria não vigiar janelas. Queria não ter que perguntar. Nem pra mim. Queria abolir o ponto de interrogação. Porque eu não esperava e agora espero. E me repito, porque escrevi isso ontem ou antes de ontem, eu que estou descobrindo como se conta as horas. Eu achei que, pensei, supus, quis. A incompletude. O desejo. Mas acontece que eu posso estar errada. Isso é estranho, não saber. Já não sei onde colocar mãos, pés, palavras. Sou demais ou desapareço? O certo é que esta noite escutarei apenas e muitas vezes a inquietude feito voz...

Tá tudo aceso,
Tá tudo assim tão claro,
Tá tudo brilhando em mim
Tudo ligado
Como se eu fosse um morro iluminado
Um âmbar elétrico (...)
Tudo plugado
Tá tudo assim queimando em mim
Como salva de fogos
Desde que sim, eu vim
Morar nos seus olhos...



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