terça-feira, 22 de junho de 2010

Um jeito de abraçar

Eu gosto muito de ganhar presentes. Quase tanto quanto de presentear. Eu presenteio. Dar é um verbo que conjugo com regularidade. Não, esclareço logo, não sou generosa. Um pouco gentil, talvez, mas não generosa. Presenteio, entre tantos motivos escusos, principalmente pelo meu atroz e obsedante egoísmo. Gosto de ser feliz. E fico realmente feliz quando os que gosto estão bem. Estão contentes. Felizes até. Faço o que posso pra isso: conversas, abraços, atenção...e presentes, claro. Presentear é uma forma material de abraçar à distância. Claro que abraços são bem mais gostosos, mas, por vezes, a distância inibe ou impede. Além disso, há a cultura, óbvio, e nem todo mundo é assim tão cheio de chamego como os nordestinos. Então, um presente é uma forma de dizer: gosto de você. É também um jeito de ficar por perto. Aquele brinco, disco, blusa, ou sei lá o quê que vai no pacotinho, é um pouquinho de mim que fica lá, próximo de quem quero bem.

Gosto de termo lembrancinha. Não acho que desmereça a prenda, acho a designação perfeita e pertinente, é assim mesmo que acontece, vou andando na rua, na livraria, calçadão, praia, sei lá onde, e os objetos começam a se "enxerir" e começam a se parecer com alguém querido. Aí vem o pensamento (lembrança, lembrancinha): preciso dar isso pra Fulano ou Sicrana, ou ainda, ai ai, é a cara de Beltrana. Gosto de encontrar coisas que se parecem com alguém. Daí a a comprar, um passo. Chegar ao correio, outro. E pronto. Pera! Como assim, correio? Pois é, além de gostar de presentear, adoro usar o correio. Gosto de enviar cartas, cartões, pacotes, telegramas. Nisto sou old school, não há nada como a letrinha pessoal e intransferível passeando no papel.

Também dou coisas minhas. Especialmente livros. Meus livros da Clarice Lispector, por exemplo, habitam prateleiras de vários amigos. Não são apenas eles, são apenas o exemplo mais clássico. Há coisas que leio e, não têm jeito, parecem gritar que precisam ser lidas, conhecidas, por alguém a quem quero bem. É isso aí. Eu sou um horror, presenteio os amigos com meus próprios livros pelo sorrateiro desejo de que eles leiam o que eu li e que me causou tanto impacto. O livro Fogos, por exemplo, já comprei quatro vezes. Dei três deles, o último está resistindo numa prateleira na minha sala na Universidade. Não sei por quanto tempo, tem uma pessoa linda que anda mudando os sentimentos que me parece feitinha justamente pra ser dona deste exemplar. Acho que ele vai viajar logo, logo.

Uma coisa interessante: quanto maior a convivência mais eu quero presentear e mais difícil isso se torna. Primeiro porque os abraços são mais freqüentes, demorados e fáceis. Segundo: porque eu passo a ver tudo que a pessoa tem e fica mais difícil escolher justamente o que ela não tem e quer. Porque pode ser que ela não tenha porque não queira, não goste. Dureza.

O certo é que tem uma correntinha pronta pra conhecer os Países Baixos. Vai com um pingente de letra H, mas não é de Holanda. Tomara que ela goste, essa amiga que faz tanta falta no meu dia a dia. Mais uma lembrancinha. Mais uma visita aos Correios. Mais um abraço à distância.

5 comentários:

S. disse...

Mulher de Deus estou toda trabalhada em sorrisos e quase lágrimas. Afe!!!!! Eu quero Fogos!!!! Beijinho, beijinho, beijão.

Borboletas nos Olhos disse...

Saiba que Fogos provoca exatamente isso, só que na ordem inversa: lágrimas e quase sorrisos. É lindo, como você.

S. disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Hertenha Glauce disse...

Oba!!!!
É pra mim a correntinha....
Por isso que, sorrateiramente, me pediste, novamente o meu endereço aqui nos países baixos....
Eu quero!!!!
Obrigada!
beijos

Borboletas nos Olhos disse...

Claro que é pra você, na próxima semana o pacotinho segue cheio de carinho...

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