sexta-feira, 11 de junho de 2010

Outra vez com os mortos...

Eu escrevo pra ser lida. Gosto de ser lida. É bom. Ser elogiada, então, é uma delícia. Textos que vêm assim são bons e fáceis. Quem me dera escrever só por isso. Mas há outras escritas. Há aqueles textos que se sabem na minha cabeça até virar letra. Minhas palavras são sempre tentativas. De dizer. De me dizer. O que falo nunca é o que falo e sim outra coisa (1). São pontes, minhas palavras, mas as pontes só apontam o abismo. Estes textos têm gozo: dor e prazer. Sangram estas palavras. São estertores de mim.

Mas, às vezes, não. Nem mel nem cabaça, mas de um jeito bom. Algumas vezes a escrita é o que ela é. Apenas e sem dor. Nem procurada nem autoimposta. Nem lâmina nem seda. Outra. Como as shorts que escrevo (escrevi) no cemitério tão querido. Então, este mês foi assim: uma imagem que eu logo pensei - Laura (2). Não sei bem, havia algo de insinuado, dissimulado. Havia o possível. Tão bom, o possível. Ele me atrai tanto. O possível tem tudo, até pensamentos que não vão ser nunca. E foi assim que nasceu Na trilha de Raskin, lindamente rebatizada (ou assassinada, melhor dizendo, para ficar entre os mortos) de O negro céu de Lucy. Por causa desse quadro (3):


(1) Clarice Lispector
(2) Filme de 1944, dirigido por Otto Preminger, com música de David Raskin. Eu ouço. Você devia ouvir também.
(3) Office at Night, 1940 - E. Hopper


Um comentário:

ALEX disse...

Poxa Você estar um tanto "Alvares de Azevedo"

Vou embarcar com você

"Se eu morresse amanhã!
Mas essa dor da vida que devora
A ânsia de glória, o dolorido afã...
A dor no peito emudecera ao menos
Se eu morresse amanhã!""

Um Cheiro

Alex Ramos

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