sexta-feira, 25 de junho de 2010

Das Tragédias e a Impossibilidade de Dizer

Aqui há um ausente. Um discurso que não está. Quando a dor me assalta assim, eu calo. Não há palavras pra se dizer de perdas tão absolutas. E nem falo das mortes e dos ainda desaparecidos. Falo de perder aquilo que nem sabemos que conta. Todos os registros, todas as materiais lembranças, todas as coisinhas guardadas por tempos e tempos. Eu não sei como eu viveria se perdesse tanto. Perderia um tanto de mim, eu sei. Eu me perco nas imagens da enchente. E nas lágrimas que não podem ser evitadas. Não devem ser evitadas. As minhas também chegam. Águas que apagam uma cidade inteira, como é possível? Onde estava nosso contemporâneo e necessário Noé?
Até essas palavras me saem quase no tranco. Arrancadas. Machucadas. Nas enormes e extremas tragédias, eu vejo o pequeno. O um a um. A solitária coragem. A perda individual. Um gesto. Um olhar. Uma pessoa. Essas, cada uma dessas pessoas, me dói.

Há, claro, o futebol. Que continua. Não foi bom. Mas foi preciso. Há o trabalho. Há amigos e isso nunca deixa de ser acarinhador. Há uma mala a ser feita e lá uma pessoa que já amo como se sempre. Há, melhor e mais consolador, ouvir o que me dão. Lembrar-me de ser. Ser eu. Boca e pescoço.





2 comentários:

S. disse...

tenho evitado a Tv, nem é por causa da enchente. é sei lá, medo de me enxergar em tanta perda sim. Tb. mas não apenas. Isto.
tas chegando e eu feliz, feliz. sabe quem eu pensei em tentar convencer a vir tb? Fred Caju, dos sabados de caju (link la no blog). que achas? hem? hem?
Beijinhos fofos.

Borboletas nos Olhos disse...

Seria muito, muito, muito especial se ele fosse também. Leio sempre. Eu mais feliz ainda de estar a caminho. Bjs doces

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