quarta-feira, 12 de maio de 2010

Tempo, tempo, tempo...

Eu já disse em algum lugar por aqui que gosto da rotina. Não sei se fui exata. Eu gosto mesmo é do tempo. Gosto da versatilidade dele. Algumas vezes ele para, quando você se depara com uma pessoa especial que aprisiona seu olhar. Pronto. Nada se mexe, nada se bole, não há relógio, ponteiro, futuro. Tem só aquele instante em que tudo tem sentido e que muito é sentido. Tem vezes que o tempo corre. Rápido a sumir de vista, quando se nota já se perdeu a hora, o bonde, o rumo.
Mas o tempo que mais gosto mesmo é este tempo do dia a dia a dia a dia. O tempo da rotina. O tempo do mesmo. De amar as mesmas pessoas. De falar as mesmas coisas e ser sempre tão divertido. De lembrar as mesmas memórias. Tempo de ser a gente. Tempo de eu ser eu. Gosto deste tempo que passa sem ser notado. O tempo que bota rugas do lado dos olhos e riscos ao redor da boca.
Eu sempre digo que não tenho medo de envelhecer. E tenho uma hipótese: é que, na verdade, já sou antiga em espírito e estou mesmo só esperando o corpo alcançar o resto que já chegou lá. Sinto-me como aquelas velhinhas simpáticas e agradáveis, mas um pouco condescendentes com tudo que tem menos de 30 anos e que, não tão lá no fundo, acolhem o que é modernoso mas acham, nostalgicamente, que o que é bom dura pouco e já passou. Às vezes sinto um pouco de culpa em relação a isso, fico pensando que devia ser mais aberta com o que surge de novidade...mas é que acho tão lindo filme p&b! Gosto tanto da voz da Maria Callas! Acho tão bonita aquelas lamparinas do velho mundo e as ruas estreitas e sinuosas! Acho tão fino dizer bom dia, por favor e com licença! Ou seja, sou velhinha mesmo.
Gosto de coisas que estão fora de moda e que falam de um mundo adulto. Não me sinto confortável neste mundo em que o tempo não passa nunca, em que todos ficam eternamente jovens e a linguagem universal é o adolescentês. Não fico bem em um mundo em que não há muito respeito pelo saber, não há muito interesse no passado, na História, na linguagem. Não me sinto a vontade em um desfile de rostos e corpos cada vez mais iguais e entediantemente perfeitos. Gosto do tempo. Do Tempo que faz a História. Do meu tempo que faz minha história. Gosto de ter sido criança. Gosto de ter sido adolescente. Gosto de ter sido jovem. E gosto muito que tudo isso tenha passado e que hoje eu tente ser adulta. Gosto de ter tido meu primeiro amor, minha primeira espinha, minha primeira aventura, minha primeira preocupação. Mas quero ter outras experiências. Quero ter mais, sentir a vida passando.
Porque isso, borboleta? Porque você está tão resmungona? Não sei ao certo. Talvez seja Alice - que nem vi ainda mas tanta badalação não me deixa tirar o Chapeleiro Maluco da cabeça. Talvez seja rebordosa dos embates em que ando usando as roupas e as armas de Jorge. Talvez seja porque mesmo as mais simpáticas velhinhas são algo ranzinzas. O certo é que amo cada vez mais essa tirinha do Garfield:

6 comentários:

Insana disse...

A rotina não me permiti sair da trilha.

Bjs
Insana

Belos e Malvados disse...

Tenho neuras com o passar do tempo (não no sentido de envelhecer, só de não poder fazer tudo que quero), mas gosto da minha rotina. Prá mim vida boa é assim, chego em casa e pergunto:
- Alguma novidade?
- Não, nenhuma.
- Ai, Graças a Deus.

Um abraço prá vc.

Lica disse...

Você reclama que eu uso o seu Luís, mas você usa meu gato... humpf!

Borboletas nos Olhos disse...

Lica, todo mundo sabe como os gatos são voláteis...rsrs

Belos e Malvados, sempre que você comenta aqui eu fico paba, volte sempre...

Insana, gosto da trilha, não de trilhos, então a rotina é bem vinda...

Belos e Malvados disse...

Borboletas, também adoro vir aqui (e nos seus outros blogs. Pode ter certeza que vou sim). E adoro "ver" você lá no Belos. Realmente espero que seja uma amizade duradoura. Abços.

Marcantonio disse...

Isso. Mais bonito ainda.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...