segunda-feira, 12 de abril de 2010

Sorte na vida

Já disse e disse e disse que tenho vocação pra felicidade. É verdade. Além disso, tenho uma sorte surpreendente. A vida, as pessoas, meus homens, todos têm me tratado muito bem, com uma ou outra exceção pra fazer valer a regra. Vamos ver: trabalho. Sempre fiz o que gostei e se às vezes estive na pindaíba, outras vezes me pagavam bem paca pra coisas que eu provavelmente faria de graça, por exemplo, viajar meu Ceará todo, com amigos, fazendo reuniões com artistas. Sério, não estou inventando. E, hoje, faço o que gosto, onde gosto, com quem gosto. Bom demais. Ah, família, então: sou louca por eles, eles cuidam de mim, têm paciência com minha leseira crônica e até os agregados - cunhadinha! - vão mantendo o bom humor e o chamego. Ok, ainda não acreditam, pois vamos às amizades: quem tem um Paulo precisa do quê mais? Talvez de outro Paulo que surgiu assim, de repente, e já foi se alojando e, daqui uns dias, pelo andar da carruagem, será amigo de infância. E não estou nem mencionado os outros estrangeiros, as gurias da minha nova terra, as que vertem água e generosidade, as amigas do tempo do colégio que ainda me frequentam, as da faculdade que amo com loucura, os amigos de dançar e os de conversar, os amigos, os amigos, os amigos...Ah, borboleta, mas e os homens? Os famosos cafas, os canalhas, os sem jeito, os sempre malháveis homens? Então, sempre fui feliz. Desde o primeiro que sonhava ser caminhoneiro e me levar pelo Brasil adentro na boléia até os que recorrentemente decidiam que queriam se ajeitar e ser feliz pra sempre quando o que eu pretendia mesmo era ser um pouco usada, todos, todos, todos, até o que foi exceção pra confirmar a regra, me agradaram (eu sei, devia ser uma ênclise, mas assim fica melhor), me mimaram (idem). Sabe a música Teresinha? Pois quase sempre eles chegam mesmo do florista. E eu gosto assim.
Mas eu não estou escrevendo isso tudo só pra me gabar (embora faça parte do plano maior). Escrevo porque, apesar de toda a felicidade, de toda a sorte, às vezes se acorda de lundu, não é? Uma insatisfação que palavra nenhuma pode dar jeito, uma tristeza de se chorar sangue, um mau gosto em todas as alegrias, uma fome, uma ânsia, uma vontade...E, ademais, ainda tem o sofrimento do outro que a gente sente como nosso, aquele que a gente cala duplamente, aquele que nos amarra as mãos e amordaça os sonhos e como lateja a vontade de ir lá e tudo resolver. Sofro assim hoje, na vontade de ser a outra só pra ela não sofrer tanto assim, com vontade de ser colo, lenço, travesseiro, prato de canja, qualquer coisa que esquente e acalante. Sofro assim hoje, mas realmente tenho sorte, pois tenho aqui pra dizer e posso dizer e, mais importante, sei dizer: dói. E você me lê e amortece a dor na palavra que seu olho leva de mim.

5 comentários:

Paulo disse...

Ah, mas me sinto lisonjeado sendo citado no texto, hahaha!! E não tenha dúvidas, seu futuro amigo de infância amará as cervejas com a senhorita em terras paulistanas! :D

Pipoca disse...

Criatura,
vai "durmir" que passa.....rs

Como diria a Dri eu condeno muito quem desdenha da dor do outro....

Nanica disse...

Eu li! E to contigo e nao abro!

Danielle disse...

minha linda borboleta a dor é diluida pelos voos que a vida dá. Você é linda e floresce os jardins por onde passa.Quem tem borboletas e nanicas tem garantia de dias felizes.

Nanica disse...

Aaaaaai derreti!!

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