sábado, 3 de abril de 2010

Gozando Piaf

Como há gente na França, decidi-me a assistir Piaf. Não, eu não tinha visto ainda.
Vale um comentário: desde a primeira vez que ouvi menção à idéia de fazer este filme meu coração acelerou e eu me preparei para a grande emoção que seria vê-lo. Eu sabia, eu sabia, eu sabia que ia ser grande, que ia ser belo. Mas não assisti. Não vi nos cinemas, não vi em dvd quando as locadoras anunciaram escandalosamente e não vi nem mesmo nas três vezes em que o aluguei. Algumas vezes não vejo filmes badalados com medo de não os achar tão interessantes quanto os outros consideram. Não foi esta a situação. Desta vez o motivo era menos evidente e mais capicioso. Não entrarei em detalhes, pois eu mesma não os conheço, mas eles passam por escolhas, projetos, afinidades emocionais e coisas assim.
O certo é que não tinha visto e agora vi e não sei como alguém pode passar incólume por isso. Eu não passei. Tem filmes que exigem que eu me compreenda de uma forma que não sei se sou capaz. Ser humana é ser só. E dói. Mas quanta beleza há em, por um momento, sentir-se junto: cantando, transando, segurando uma mão. Ou, surpresa consigo mesma, falando por sobre o mar com alguém.
Tem alguém que não conhece Piaf? Que não parou, extasiado, ante sua voz penetrante? Que não se espantou com tanta grandeza em tão parco corpo? Que não pensou, meudeus o eterno morre em mim? Se tem, uma breve biografia by borboleta (que só privilegia o que quer, todo mundo já sabe): (1) muitos amigos e reverenciada de forma oscilante pelo mundo, (2) abandonada de forma intencional ou não, com uma constância homicida, (3) quase cega por algum tempo, (4) capaz de passar por dores, homens, perdas e morrer sem uma palavra, sem um grito, mas cantando. Pois é, tem coisas que não se esquece. Eu não consigo esquecer Piaf e sua voz. Ela me redesenha, me ensina sobre mim, me esvai em hemorragia de sangue e sonhos.
Enfim, vim tratar mesmo foi do filme: chorei. Podia aqui falar da intérprete, das cores, do roteiro, mas direi apenas isso: chorei. Um choro bom de saber que era eu, eu mesma, que me emociono com essas coisas, que não tenho vergonha, que vivo e amo, carne e sangue, que assistia àquele filme, choro bom de se reconhecer. Oi. Tudo bem, eu mesma? Tudo.
Então, há gente na França. Bom saber. Bom viver. Prazer em conhecer.

Pronto, nanica, acho que dessa vez foi. Ou quase.


Um comentário:

Paulo disse...

Tá bom, eu confesso... chorei também com Piaf!!

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