quinta-feira, 1 de abril de 2010

Carta - quase - aberta à Nanica...

Sem propósito e antes de tudo: você entende o nanica? Espero que sim, pois o adotei e acho difícil desentranhar. Agora, a propósito e respondendo à sua questão, já venho fazendo isso, aí em baixo, por exemplo. E quando digo - E vem aí, e ainda, tempos outros. Desse tempo só sei que chega e que eu o espero. Com um sorriso nos lábios. E sem relógio. - lá pelo nosso pote, você acha que estou falando de quê? Você pode argumentar - e não sem razão ou perspicácia - que tenho escrito sobre e não para. Mas antevendo sua natural sagacidade, já afirmo que há certas oferendas que demandam a reserva e a intimidade. As que se colocam em público, menos que ofertas são provocações, não menos válidas ou verdadeiras e de conseqüências imprevistas. De outra forma: o que exponho (apesar da aparente contradição) me protege - porque implica uma cumplicidade de tantos. Já o velado, o discreto, pressupõe uma solidão de mártir, um desnudamento da alma. Mesmo da alma em festa. Que pensas, amiga? Encontro desculpas por não saber encontrar as palavras certas? Aquelas que prendem e arrebatam? Por só saber dizer do jogo e nunca da entrega?

Ainda a propósito, mas numa digressão que você reconhecerá como típica, pensei assim: eu nunca assisti Lisbela. Tenho uma vaga idéia da história do filme, mas não vi inicialmente por não simpatizar muito com a doce Débora e, depois, com medo da desilusão, pois tantos e sábios amigos disseram assiste, assiste é ótimo é a tua cara que fiquei com medo de não concordar com eles (e todo mundo sabe que detesto discordar e nunca, nunca mesmo, discuto, rsrsrs). Mas a trilha sonora, ah, essa não me deixa, do delicioso e quase sexy Oh, Carol!, com Caetano e Mautner, ao meu hit obviamente preferido desde o nome O amor é filme, com passagem obrigatória pela música tema. É dela que quero falar. Se você teve paciência com a digressão logo entenderá. O que eu quero sempre: é a cena de um artista de cinema (...) eu quero um beijo, um beijo imenso onde eu possa me afogar (...) pra me danar por esta estrada mundo afora ir-me embora sem sair do meu lugar...Ou sem o meu lugar sair de mim, o que acho mais provável. E quero que queiram o amor de Lisbela, o mar e o sertão.Por estes quereres é que me ganham. Ou que eu me dou, nunca sei ao certo – ou sei, mas não digo. Ou digo, mas insisto em mudar sempre o dito. De qualquer forma, são estes quereres que dizem de mim, mas talvez me impeçam de dizer – ou escrever – as coisas que meu coração, corpo e fantasia pedem. E fica entre nós. Ou quase.

Assiste, aí:

Um comentário:

Nanica disse...

Entendi! O Nanica e a resposta.
Você me pergunta se isso é desculpa por não encontrar as palavras certas. Se for isso, tão melhor. Veja: se eu não encontro palavras, é preguiça, somada a incompetência.
Se você, minha amiga, logo você, fica perdida nas palavras, só pode estar fazendo uma pausa, no mínimo chique, pra logo elaborar um jogo delicioso com elas.
Mas vamos à verdade: Você sem palavras... há! Que mentira! Que mentira chique.
Sinto-me alimentada por suas palavras. Mas ganhar uma carta quase aberta me deixou cheia, toda cheia! Cheia porque meu nome apareceu aqui no blog mais farfaloso do mundo. Cheia por compartilhar risadas e histórias comigo. Por me permitir ler em sua escrita uma coisa a mais, um adicional em relação a um leitor mais desinformado que eu.

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