domingo, 28 de março de 2010

Sobre vícios, mortos e blogs...

Meu vício é você, meu dadinho, meu jogo de cartas marcadas...
(na voz rouca de Alcione, please)

Ví-cio. sm (lat vitiu) 1 Defeito físico ou moral; deformidade, imperfeição. 2 Defeito que torna uma coisa ou um ato impróprios, inoperantes ou inaptos para o fim a que se destinam, ou para o efeito que devem produzir. 3 Falta, defeito, erro, imperfeição grave, viciação, viciamento. 4Disposição ou tendência habitual para o mal. 5 Hábito de proceder mal; ação indecorosa que se pratica por hábito. 6 Costumeira. 7 Costume condenável ou censurável. 8 Degenerescência moral ou psíquica do indivíduo que, habitualmente, procede contra os bons costumes, tornando-se elemento pernicioso ao meio social, ou com este incompatível.9 Desmoralização, libertinagem.

No dicionário o vício não tem a menor chance, comportamento a ser execrado, abandonado, esquecido. Costume condenável, não há perdão para ele. Fora do dicionário, o vício foi trilhando caminhos limítrofes e sendo redimido por algumas frases - senão verdadeiras - pelo menos inspiradas e/ou inspiradoras:

Os homens são melhor governados por seus vícios que por suas virtudes (Bonaparte).
Pessoas sem vícios têm poucas virtudes (Lincoln)

Na rua, nas bocas comuns como a minha, vício torna-se aquilo sem o qual não podemos viver, sejam comportamentos ditos nocivos como fumar, hábitos como assistir determinada série de tv ou ainda preferências subjetivamente determinadas como um vício não registrado no CID- 10 de assistir vezes sem fim os filmes do John Wayne, whatever...

Nunca tive vícios, a não ser a alegria (e, claro, uma tendência a desenvolver dependência por filmes western que não pôde se desenvolver adequadamente dado o abandono quase total a que expuseram o gênero) . Mas, agora, sem pesar, devo reconhecer que esta situação mudou. Estou, é fato, verdade, real, viciada em um blog. Que não é meu (rsrs)! Já acordo a pensar: será, será, será que há novidades e, mais esperançosa ainda, será que as palavras são do Sr. Manuel? Cheguei despretensiosamente a este cemitério, atraída por um post supostamente inocente de um outro autor do blog (Pedro Norton) que é reconhecidamente culpado de escrever tão encantadoramente e de ter com as palavras uma intimidade de fazer ciúme a qualquer aspirante a poesia. Mas enfim, agora não saio ou chego perto de um computador sem dar uma passadinha lá. E porquê? alguém viciado em indagações pode dizer. Porque sim, eu poderia responder, mas não, abrindo mão do meu ciúme (não pode haver outra explicação para o link do étudogentemorta não estar entre os meus favoritos) tentarei dizer o que me prende e é simples: o tratamento dado à palavra. O incrível respeito que se tem, lá, com a construção das frases, a sonoridade, a integridade da língua. Como é belo acompanhar raciocínios lógicos e, ao mesmo tempo, festivamente irônicos ou bem humorados ou criativos...Há, ainda, a extrema gentileza do sr. Manuel de sempre responder - e melhor, espirituosamente - a todos os comentários. E há textos sobre livros, sobre filmes, sobre gente morta (claro), sobre nada - que são, talvez os melhores...

A propósito de quê - aquele mesmo viciado em perguntas dirá - este assunto surgiu aqui entre borboletas? Rousseau diz: sou escravo pelos meus vícios e livre pelos meus remorsos. É culpa. Uma imensa culpa, vermelha culpa, esmagadora culpa. Já a tempos frequento o étudogentemorta e gozo da serena continuidade da beleza e do estilo. Partilhar que é bom, nada. De repente, numa manifestação de delicadeza, eis o meu próprio nome/blog em um post lá, de onde vem a beleza. Então, corro aqui, escorraçada pelos meus remorsos, a digitar de forma rápida e sem estilo o arremedo do texto que já deveria existir a tempos sobre os mortos e as palavras vivas a seu respeito. Os amigos, espero, perdoarão a avareza que determinou a demora na partilha. E, se forem suficientemente viciados na indagação sobre o vício dos outros, irão lá e, se tiverem sorte, não sairão vivos.

5 comentários:

Aline disse...

1. Por falar em culpa, estou aqui pra diminui-la ao testemunhar que vc já havia compartilhado o é tudo gente morta com moi.
2. Péééém! Erraram o nome do blog mais borbolêtico, olhudo, tagarela e esvoaçante do universo.
3. Já disse, e repito: Pedro Norton é lindoooooo!

Borboletas nos Olhos disse...

Caríssima Aline, a rigor eles não erraram ja que eu também tenho o Olhos da Borboleta...e, para constar, eu também acho PN tudo de bom, mas não posso alardear senão vão pensar que eu leio o blog por causa disso (rsrsrs) e não porque eu a-d-o-r-o o que rola por lá...

Pedro Norton disse...

Meninas, eu vou corar...:)
PN

Aline disse...

Ai... isso é preu aprender que não dá mesmo pra tricotar na blogosfera.

Borboletas nos Olhos disse...

Sentindo-me nua (o que torna tudo ainda mais embaraçoso...)

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