segunda-feira, 29 de março de 2010

Morreu

Muito triste. Eu fico assim quando morre este povo que eu conheço e não me conhecem. Porque nunca falamos, nunca discutimos, nunca nada. Eu nunca perguntei assim, na bucha, qual a melhor seleção de todos os tempos. E se ele não ficava muito desolado de sermos uns poucos que ainda desejávamos com ardor a arte no futebol. Ele morreu. Agora a pouco, ele morreu. Leva com ele todas as frases sagazes e análises poéticas que ainda não tinha feito sobre tudo que ainda não aconteceu.
Torcedor do Botafogo, explica-se porque era um devotado. Filho de cearenses, talvez (eu disse talvez) por isso o surpreendente humor que às vezes assomava em sua fala. Cobriu todas as Copas do Mundo desde 1954 (sabe-se lá o que é isso de acompanhar de Nilton Santos e Didi até Ronaldo e Ronaldinho - tendo, claro que aturar Dungas e Mauros Silvas, mas isso acontece). Ético e digno (quem não conhece a história de sua saída da Rede Globo?). Como eu não vou querer bem a um que diz: Para Garrincha, a superfície de um lenço era um latifúndio ou Se Pelé não tivesse nascido homem teria nascido bola?
Pois morreu, assim, hoje, como se morre em quase todo mundo: num de repente. De repente até as quatro linhas ficaram mais tristes e enviesadas. De repente uma voz a menos, uma vez a menos. Uma verve a menos. O mundo eu não sei, mas que eu vou ficando mais triste, lá isso vou.

3 comentários:

Contra a Maré disse...

Que se há de fazer, se a vida é assim, vem como luz na escura ausência e se vai, deixando saudade.

Grazi Aronovich disse...

tambem adorava o seu Armando tão querido e visito qdo dá este blog lindo. assim vamos, ficando mais órfãos com a passagem destes homens maravilhosos.

Claudia Ebert disse...

Fiquei muito triste também...
Beijos
Claudia Ebert

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